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Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

Usar anabolizantes deixa o homem mais agressivo?

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Essas medicações têm impacto sobre o SNC, deixando características depressivas, agressivas e ansiosas mais fortes Imagem: iStock

Gabriela Ingrid

Do VivaBem

10/08/2018 16h16

Os efeitos dos anabolizantes para problemas cardiovasculares, elevação do colesterol, aumento da pressão arterial, perda óssea, impotência sexual e até câncer de fígado já são bem conhecidos e documentados. Mas quando se trata da influência dessas drogas no comportamento, é comum encontrar associações exageradas, justificando ações violentas ao uso indiscriminado dos esteroides. Afinal, será que doses estratosféricas de dessas substâncias podem fazer com que o indivíduo se torne mais agressivo e aja sem pensar nas consequências?

De acordo com a endocrinologista e metabologista Andressa Heimbecher, colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), o uso de anabolizante está realmente associado ao aumento da agressividade, porque a droga é feita à base do principal hormônio masculino: a testosterona. "O homem das cavernas precisava de foco, velocidade e força, então o corpo produz esse hormônio, que em doses acima do normal estimula todas essas características, gerando irritabilidade", explica ela.

No entanto, isso não significa que a pessoa perde o controle de suas ações. "A testosterona não justifica o livre-arbítrio. Ela deixa o indivíduo com uma resposta mais rápida, mas é uma questão ligada mais ao raciocínio do que à razão", acrescenta a médica.

Evandro de Souza Portes, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), dá o exemplo de um acidente de trânsito. Uma pessoa sob o uso indiscriminado de anabolizantes provavelmente irá ficar mais irritada do que o normal e, potencializada pelo ego de ter um corpo musculoso e forte, talvez comece uma briga. "Mas ele ainda tem consciência do que está fazendo. A falta de paciência, agressividade e irritabilidade existem, mas não justificam ações violentas", diz ele.

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Dependência e efeito reverso

Os esteroides sexuais são produzidos naturalmente pelo corpo, e a testosterona não deixa de ser um anabolizante, que nada mais é do que um hormônio que faz anabolismo, colocando mais glicose para dentro das células e estimulando o uso de energia. Isso estimula o crescimento dos músculos, do pâncreas e do fígado.

Apesar do risco, os pacientes sabem o que estão fazendo, do risco que estão correndo, mas têm um prazer quando injetam essas substâncias

"Todo homem precisa desses hormônios, mas quando produções sintéticas deles são usadas em concentrações cavalares, observa-se que esses indivíduos desenvolvem comportamentos mais irritadiços, agressivos, existe associação com desenvolvimento de quadros depressivos e tendências suicidas", explica Portes.

Segundo o especialista, as pessoas que buscam esses medicamentos sem realmente precisarem já têm algum problema na aceitação do corpo. "Essa insatisfação faz ele buscar o esteroide, que vai deixar o corpo da forma que ele acha bonito rapidamente. Apesar de ele perceber que o consumo faz mal, ele continua usando para se sentir bem", diz o médico. O problema é que, apesar de começarem com doses menores, os pacientes começam a aumentá-las gradativamente e a misturar com outros estimulantes hormonais.

Portes ainda alerta a pessoa fica com características de um dependente químico. "Apesar do risco, os pacientes sabem o que estão fazendo, do risco que estão correndo, mas sentem um prazer quando injetam essas substâncias. Isso mexe com o homem, jogando-o cada vez num poço cada vez mais fundo." Chega uma hora que a questão não é só ter um corpo mais bonito dentro do conceito de beleza que essa pessoa tem. O uso pode ser de dependência do efeito.

Com o uso em doses supra-fisiológicas (ou seja) e a insatisfação com o corpo, o usuário acha que tem que ir mais longe. Ele quer algo para hoje, se sente ansioso. Quando ele não toma, se sente tão sem energia que vira um vício.

O corpo se acostuma com quantidades tão altas dos hormônios que para até de produzi-los naturalmente. Ao decidir parar, não há abstinência, mas o indivíduo fica angustiado, deprimido, ansioso, com tendência suicida e certa impaciência ou agressividade. Por isso o tratamento ideal é realizado com um endocrinologista e um psiquiatra. "Muitas vezes eles têm que continuar fazendo reposições hormonais pelo resto da vida --dessa vez em doses absurdamente menores e normais", explica Portes. Além, é claro, de outros possíveis efeitos vitalícios, como a infertilidade e os danos nos rins e no fígado.

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