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Cientistas descobrem por que luz emitida por eletrônicos provoca cegueira

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Imagem: iStock

Do VivaBem

09/08/2018 18h59

Estudos anteriores já mostraram que a exposição excessiva à luz azul, emitida por celulares, tablets, telas de computadores e TVs, contribui para uma lenta perda de visão ao longo da vida. Como ninguém entendia ao certo como funcionava esse processo, cientistas da Universidade de Toledo, nos EUA, realizaram uma investigação e finalmente conseguiram explicar como ele acontece. "Esperamos que isso leve a terapias que retardam a degeneração macular, como um novo tipo de colírio", diz Ajith Karunarathne, principal autor do estudo.

A degeneração macular relacionada à idade envolve a quebra lenta das células que ficam atrás do tecido sensível à luz no interior do globo ocular, impedindo a transferência de nutrientes e a remoção de resíduos. Pouco a pouco, a retina morre, deixando um ponto cego crescente que eventualmente faz com que o indivíduo perca sua visão.

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Karunarathne e sua equipe estudaram uma substância química na retina chamada retinal --uma forma de vitamina A que reage à luz e se transforma em um composto chamado ATR, que pode ser considerado tóxico em quantidades suficientes. Mas para enxergar é necessário um fornecimento contínuo de moléculas de retinal, segundo Karunarathne. "Os fotorreceptores são inúteis sem a retinal, que é produzida no olho".

Para entender a relação entre a degeneração macular e o excesso de luz azul, os cientistas expuseram as duas formas de retinal a comprimentos de onda azuis e descobriram que elas faziam uma molécula na membrana se distorcer. Isto foi seguido por um surto de cálcio que mudou a forma da célula e que foi responsável por sua morte.

Os comprimentos de onda azuis pareciam excitar a molécula de tal maneira que ela assumia uma característica tóxica.

O mesmo efeito não foi encontrado quando o retinal foi exposto a outras cores, ou mesmo quando misturado como luz branca de uma lâmpada fluorescente doméstica.

Crucialmente, esse dano não está limitado a células fotorreceptoras. A equipe testou os resultados em vários tipos de tecidos (incluindo células cardíacas, neurônios e células cancerígenas) e descobriu que todos poderiam ser afetados dessa maneira.

Como a retina pode se mover através do corpo, isso levanta a preocupação sobre quão difundido esse efeito tóxico poderia ser. "A toxicidade gerada pela retina pela luz azul é universal", diz Karunarathne. "Ele pode matar qualquer tipo de célula."

Normalmente, o antídoto para esse tipo de dano celular é um derivado da vitamina E chamado alfa-tocoferol. Mas infelizmente, à medida que envelhecemos, é mais difícil obter este produto químico nas células.

Não está claro se as terapias que aumentam os níveis de vitamina E podem desempenhar um papel na redução dos riscos de doenças oculares, mas pesquisas adicionais podem ajudar a identificar elos úteis.

Enquanto isso, é melhor tomar cuidado na quantidade de tempo que você fica no celular ou encontrar uma maneira de diminuir os matizes do monitor.

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