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Movimento

Inspiração pra fazer da atividade física um hábito

Parar de praticar exercício repentinamente causa mudanças no metabolismo

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O nível de açúcar no sangue sobe, a sensibilidade à insulina cai, o colesterol se torna menos saudável, há perda da massa muscular e acúmulo da gordura Imagem: iStock

Gretchen Reynolds

Do New York Times

08/08/2018 11h49

No inverno, ficar mais tempo debaixo das cobertas pode ser atraente, e muitos se sentem tentados a tirar férias longas dos exercícios.

Mas, dois novos estudos envolvendo adultos jovens e idosos que se afastaram temporariamente da atividade física avisam que as consequências metabólicas de se movimentar menos por algumas semanas podem ser penetrantes e persistentes, perdurando até a retomada da rotina.

A atividade física é, sem dúvida, boa para nós e nosso metabolismo. Entre outros efeitos, contrair os músculos queima açúcar do sangue como combustível e, em resposta a sinais do hormônio insulina, também reserva algum para uso posterior. Em longo prazo, tais condições ajudam o corpo a evitar a alta do açúcar no sangue, resistência à insulina e diabetes do tipo 2.

Mas o que acontece quando, em função das escolhas ou circunstâncias, não nos exercitamos nem nos movimentamos durante um tempo?

Estudos passados com adultos jovens ativos e saudáveis, geralmente universitários, mostram que as consequências foram rápidas, mas reversíveis. Quando esses voluntários descansaram durante dias em prol da ciência, desenvolveram mais açúcar no sangue e alguns sintomas iniciais de resistência à insulina.

Entretanto, passado um dia ou dois após a volta às atividades normais, o metabolismo geralmente se estabilizava, com a queda do açúcar no sangue e da insulina.

Muitas pessoas, no entanto, não são jovens universitários robustos e não se sabe se os impactos de se tornar inativo, ainda que por um breve período de tempo, podem ser efêmeros.

Assim, para um dos novos estudos, publicado em junho em Diabetologia, pesquisadores da Universidade de Liverpool, Inglaterra, entre outras instituições, pediram que 45 pessoas passassem a, abruptamente, ficar mais tempo sedentárias.

Os voluntários eram ativos, caminhavam mais de dez mil passos quase que diariamente, segundo monitores que usaram vários dias no começo do estudo. Eles tinham metabolismo saudável, segundo exames, sem diabetes, embora alguns tivessem parentes diabéticos.

Durante o estudo, os voluntários simplesmente pararam de se movimentar muito, cortando os passos diários para menos de dois mil, ficando sentados por mais de três horas e meia por dia, rotina mantida por duas semanas.

Os pesquisadores voltaram a checar o metabolismo e a composição do sangue, pedindo que retomassem o nível anterior de atividade por mais duas semanas, quando os exames voltaram a se repetir.

Os resultados se mostraram inquietantes como um todo. Quase todos os voluntários desenvolveram o que os cientistas chamaram de "perturbações metabólicas" durante as duas semanas parados. O nível de açúcar no sangue subira, a sensibilidade à insulina caíra, o colesterol se mostrou menos saudável, houve perda da massa muscular nas pernas e acúmulo da gordura no abdômen.

Felizmente, a maioria das perturbações foi revertida quando os voluntários retomaram as atividades.

Porém, por motivos desconhecidos, alguns não voltaram ao mesmo nível de exercícios que faziam antes. Eles passaram a completar menos minutos de atividade vigorosa por semana, com sintomas leves, mas duradouros de resistência à insulina, mesmo após duas semanas se locomovendo normalmente.

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Algumas semanas de inatividade podem fazer mal, talvez por um período prolongado de tempo, com as consequências para a saúde ampliadas pela idade Imagem: iStock

Pior para os idosos

As consequências da inatividade repentina foram mais severas e, a seu modo, pungentes no outro estudo, publicado em julho em The Journals of Gerontology.

A pesquisa se concentrou em pessoas com sobrepeso e mais de 65 anos que já apresentavam risco de desenvolver diabetes por ter nível elevado de açúcar no sangue. Contudo, eram saudáveis e ativos, caminhando de sete mil a oito mil passos por dia.

Agora, como no outro estudo, ficaram sedentários, reduzindo os passos para menos de mil por dia durante duas semanas, depois das quais, por mais duas semanas, voltaram à normalidade.

A exemplo dos adultos no outro estudo, os voluntários idosos logo passaram a ter um controle pior de açúcar no sangue durante as duas semanas de pouca movimentação. A resistência à insulina se elevou. Alguns tiveram mudanças no tecido muscular indicando que podem perder massa muscular, sendo que algumas pessoas tiveram de sair do estudo porque passaram a ter diabetes do tipo dois após o período de inatividade.

Para a maioria daqueles que permaneceram no experimento, as mudanças metabólicas indesejáveis não foram revertidas por completo após duas semanas de movimentação normal.

A conclusão da descoberta é que algumas semanas de inatividade podem fazer mal, talvez por um período prolongado de tempo, com as consequências para a saúde ampliadas pela idade, afirma Chris McGlory, pesquisador de cinesiologia da Universidade McMaster, em Hamilton, Ontário, que dirigiu o estudo com idosos.

"Não é incomum idosos adoecerem ou se machucarem e terminarem internados ou sem sair de casa por várias semanas, ou alguém jovem decidir tirar umas semanas de folga" dos exercícios regulares e da atividade física, diz ele.

Porém, "se for possível, não pare de se mexer".

Fale com um fisioterapeuta sobre opções de atividade caso tenha se machucado ou estiver internado. Em vez de tirar férias dos exercícios, pense em incluí-los nas férias.