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Equilíbrio

Cuidar da mente para uma vida mais harmônica

"A ansiedade é algo sem fim hoje em dia, e isso não é bom", diz Pondé

Divulgação/GRAACC/Cesar Cinato
Para Luiz Felipe Pondé, a vontade de querer sempre mais é uma das principais causa da ansiedade Imagem: Divulgação/GRAACC/Cesar Cinato

Vivian Ortiz

Do VivaBem, em São Paulo

12/07/2018 04h00

Você senta no sofá para relaxar, mas as notificações do celular não param. Enquanto olha as mensagens, a TV está ligada em um programa qualquer e na tela do computador continua aberto o rascunho do e-mail que você começou a escrever para o marceneiro, pedindo o orçamento daquele armário que planeja terminar desde quando se mudou. Atualmente, como é possível ver, estamos sempre cheios de tarefas e coisas pendentes para resolver. Isso pode gerar muita ansiedade em nós. 

"É complicado não ser ansioso em um mundo em que somos cobrados a todo instante. Em que há um chamado contínuo dizendo que devemos ser felizes o tempo todo, dar resultados e equilibrar todas as áreas da sua vida --trabalho, sucesso, amor, sexo, futuro, filhos, cachorros, férias...", afirmou o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé, que palestrou sobre "A Era da Ansiedade" em um evento organizado pelo GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e Criança com Câncer" no início de julho, em São Paulo (SP).

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Será que sou mesmo ansioso?

Muitas pessoas costumam confundir o nervosismo com ansiedade. Segundo Pondé, o primeiro está mais relacionado a alguma situação de estresse, um objeto específico. "Posso ficar nervoso com as birras do meu filho, com minha mulher, minha mãe, ou até mesmo me sentir irritado e me questionar se vale a pena trabalhar aqui", diz. Mas o nervosismo acaba quando esse problema é resolvido. Já no caso da ansiedade, não.

No sentido patológico, explica o filósofo, a ansiedade é um estado contínuo, que você não consegue identificar exatamente qual é a causa desse sentimento. "É como se fosse um problema sem atributo, sem predicado. Não existe um objeto que, ao ser resolvido, faz você sair daquele estado", diz.

Para Pondé, uma das razões para estarmos na "Era da Ansiedade" é que somos continuamente lançados a querer cada vez mais. "Como tudo o que temos nunca é suficiente, essa ansiedade nunca para."

E ser ansioso pode ser bom? "No sentido patológico, não. Nunca é bom." Mas ser uma pessoa atenta, de alguma forma previdente e cuidadosa pode ter suas vantagens. "Alguns dizem que você pode ser ansioso porque enxerga mais coisas que outras pessoas, só que a felicidade pode ser uma glória dos que não entendem nada do que está acontecendo", acredita o filósofo. 

Dá para vencer a ansiedade no mundo atual?

Pondé pensa que sim, justamente porque existem algumas pessoas que são claramente mais ansiosas do que outras, mas avalia que o processo é complexo. Alguns, lembra o escritor, recorrem aos remédios e ficam super-relaxadas. O problema é que também perdem o tesão.

"A pessoa não fica ansiosa e está completamente zen, mas isso broxa seu desejo. Para recuperá-lo, é necessário sair da medicação --que reprime a ansiedade. E aí você fica com libido, mas ansioso", diz o filósofo, antes de ressaltar: "Por isso, uma das formas de você ser feliz é não desejar nada."

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