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Longevidade

Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável

Ter amigos e não guardar rancor: os segredos de Leah para viver 106 anos

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Bárbara Therrie

Colaboração para o VivaBem

08/07/2018 04h00

Leah Bandeira Sacchi leva uma vida tranquila em São Francisco Xavier, no interior de São Paulo. Caminha diariamente, tem um diário onde registra suas atividades, sempre toma uma cervejinha antes do almoço, é cheia de amigos... Será essa a fórmula da longevidade? A animada senhora dá sua receita para se tornar uma centenária:

“Eu nasci no dia 6 de fevereiro de 1912, no Rio de Janeiro. Fiquei órfã aos seis anos. Minha mãe pegou a gripe espanhola e ela e o bebê que esperava morreram. Eu e meus outros dois irmãos ficamos com meu pai, mas seis anos depois ele também faleceu. Fui criada pela minha avó paterna e meus irmãos pelos tios.

Casei com o Augusto em 1932. Tivemos quatro filhos. Nosso casamento durou pouco, 13 anos, mas foi intenso e muito feliz. Fiquei viúva com 33 anos. Ele faleceu de um câncer no estômago. Foi uma perda fatal. Nunca me casei novamente, priorizei a educação das crianças, pois seria difícil algum homem querer assumi-las. Até hoje amo o meu marido.

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Fui morar sozinha aos 78 anos, mas vivo rodeada de amigos

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
O tempo passou, meus filhos cresceram e construíram suas vidas. Fui morar com minha filha Regina, para ajudar a cuidar dos meus netos. Eu me sentia produtiva, útil, sempre adorei crianças. Quando elas ficaram adultas e saíram de casa, perdi o sentido. Não queria ser um peso para a minha família.

Foi quando tomei a decisão de ir morar sozinha, aos 78 anos de idade. Meu filho José Márcio tinha uma pousada em São Francisco Xavier. Mudei para lá e criei um vínculo forte com os moradores da cidade.
Quando eu completei 100 anos, recebi uma linda homenagem da comunidade
. Foram escolhidas cem famílias, cada uma delas fez um bolo e distribuiu os pedaços para as pessoas na rua, depois da missa. Ao entregar o bolo, meus amigos falavam do meu aniversário. Eu me senti especial.

Tomo cerveja antes do almoço e leite com conhaque para dormir

Leah cerveja
Imagem: Leah cerveja
Minha rotina é bem tranquila. Tenho duas acompanhantes: a Vanda, que fica comigo durante o dia, e a Vilma, que passa a noite ao meu lado.

Acordo bem cedo, às 5h, tomo café da manhã, vejo TV, tomo banho e quando o sol começa a aparecer faço a minha caminhada diária pela rua. Vou de bengala e acompanhada da Vanda. No caminho, paro em vários lugares: na padaria, na farmácia, nas lojas e na casa de alguns vizinhos. Eu entro, me sento, tomo um café e bato um papo. Minha última parada é na igreja, onde faço minha oração. Ando sem pressa para não me cansar.

Volto para casa perto do meio-dia. Minhas acompanhantes cozinham, mas eu prefiro preparar meu arroz e feijão. Gosto de comida bem temperada. Como de tudo, carne, frango, legumes, verduras, mas preciso mastigar bem devagar para engolir e não engasgar.

Todos os dias antes do almoço, eu tomo uma pinguinha para limpar a garganta e uma cerveja. Quando não tem, bebo vinho. Meu cardiologista diz que uma taça de vinho por dia fortalece o meu coração.

Leah sentada
Imagem: Leah sentada
Em seguida, tiro uma soneca. Acordo e ligo TV. Gosto de assistir à programação católica e rezar o terço. Passo a tarde com a Nara, minha gatinha companheira. Quando estou disposta, cuido do jardim que tenho no meu quintal, e converso com as plantas.

Sinto muita dor nos ossos e, uma vez por semana, faço exercícios na fisioterapia para não atrofiar os músculos. Movimento o pescoço, as pernas, os braços, os dedos. Faço tudo com disciplina, porque sei que vai ser bom para a minha saúde.

Tive catarata e enxergo só de um olho, mesmo assim, leio revistas e a bíblia. Adoro escrever. Tenho um diário onde registro tudo o que acho interessante. Coloco a data, mês e ano. Se eu ouço alguma notícia na TV que me chama atenção, eu anoto e escrevo uma reflexão sobre o assunto. Também registro meus passeios em família e quando recebo a ligação de alguém importante. Guardo todos os meus diários e, às vezes, os releio para relembrar o que vivi.

Costumo ir para a cama umas 8h da noite. Antes, fervo leite, adoço, misturo com uma colherzinha de conhaque, tomo, deito e durmo a noite inteira.

Não tenho medo de morrer, só não quero sofrer

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Sou uma mulher vaidosa. Não é porque estou velha que não tenho que me cuidar e ficar bonita. Não saio de casa sem brinco, pulseira, colar e lenço no pescoço. Gosto de me enfeitar e usar sapato com saltinho, acho deselegante calçado rasteiro. Também não dispenso um batom. 

Minha saúde está boa para a minha idade, a pressão e os níveis de glicose e colesterol estão sob controle. Tenho um marca-passo e tomo remédio para o coração, além de vitaminas. Faço acompanhamento com o cardiologista de seis em seis meses.

Acredito que o grande segredo para ser centenária é ter amor próprio, cultivar amizades e não guardar rancor, nem mágoa. Quem tem ressentimento se destrói por dentro. Não critico as pessoas, as aceito como elas são.

Nunca imaginei que chegaria aos 106 anos. Vou continuar nesse mundo até cumprir a minha missão e quando for da vontade de Deus me levar. Já tive mais do que eu mereci nessa vida. Não tenho medo de morrer, só não quero sofrer. Desejo ser apagada como uma vela.

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