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Como emagreci

Histórias inspiradoras de quem mudou a silhueta

"Comia 37 fatias de queijo e perdi 53 kg em 6 meses com mudanças na dieta"

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Thamires Andrade

Colaboração para o VivaBem

05/07/2018 04h00

Mauricio La Motta enfrentou a obesidade desde pequeno. Ele ultrapassou os 140 kg e decidiu emagrecer devido ao medo de não acompanhar o crescimento da filha. Veja como ele mudou seus hábitos e conseguiu ter mais saúde:

"Já nasci com sobrepeso. Desde criança tinha uma relação muito forte com o açúcar e comia exageradamente. No café da manhã, tomava dois copos de leite e comia de três a quatro pães. Beliscava chocolate até a hora de dormir.

Nunca lidei bem com o fato de ser obeso. Tinha trauma de subir na balança e sofria muito bullying. Desenvolvi ginecomastia e precisei operar porque não conseguia dormir de lado de tanta dor. Era chamado de gordo na escola, passavam rasteira em mim. Não era fácil.

Tentei fazer dieta na adolescência, junto com meu irmão. Consegui emagrecer quase 10 kg, mas não sustentei o peso por muito tempo. Segui engordando sem parar.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Quando conheci minha esposa estava com 127 kg. Depois que casei e tive minha filha a balança ultrapassou os 140 kg. Não encontrava roupa em lugar algum. Vestia 62 e só conseguia comprar roupa em lojas de tamanhos grandes. Minha mulher comprava para mim e eu experimentava em casa, pois tinha vergonha. Todo dia rezava para emagrecer.

Em abril de 2015, fiquei com uma inflamação no púbis e fui a um urologista. Ele me perguntou se eu tinha filhos. Respondi que sim, e ele falou que era uma pena eu não conseguir ver minha filha crescer.

O médico disse que se eu continuasse com aquele peso morreria em cinco anos

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Imagem: Arquivo pessoal
Já tinha ouvido esse alerta antes, afinal, era hipertenso, tinha colesterol alto e gordura no fígado. Só que quando o urologista falou da minha filha, deu aquele clique e comecei a chorar. Ele me indicou o método Ravenna. Nem sabia o que era. Mas sai do hospital e já fui até a clínica conhecer.

Basicamente, a dieta funciona com restrição de carboidratos refinados. Ou seja, o carboidrato que vem das frutas e verduras está permitido, mas aquele de pães massas e doces não.

Foi lá que percebi que a obesidade é uma doença e não falta de vergonha na cara. Quando reconheci minhas fragilidades e entendi que não era fácil superar o problema, percebi que havia luz no fim do túnel. Tinha metas mensais de perda de peso, mas depois de um tempo o que importava era como me comportava diante das situações. Antes, eu comia quando estava feliz, triste, com raiva ou medo. Mastigar me aliviava.

Nos grupos terapêuticos do método compreendi que fazia isso por conta de hábitos que adquiri na infância. Comer era a solução para lidar com as situações boas ou ruins. Entendi que, para desconstruir um hábito ruim, você precisa construir novas formas de viver esses sentimentos. Hoje, não ponho "sentimentos" no prato de comida.

Antes de iniciar a dieta, minha alimentação era tão ruim que achava que quinoa era fruta. Tive dificuldade de mudar alguns hábitos. Todos os dias depois do jantar, comia 37 fatias de queijo, quase meio quilo, com dois litros de refrigerante zero todos os dias. Quando comecei a seguir a dieta reduzi para quatro fatias, para a mudança não ser tão brusca.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
O chocolate ao leite foi substituído pelo 70% cacau e foi tranquila essa mudança, pois supriu completamente minha vontade de doce. Tive muitos altos e baixos e só consegui seguir em frente com a ajuda da minha família. Às vezes, estava prestes a abrir a geladeira para comer queijo e minha mulher me tirava e me colocava na cama.

Frequentava a clínica duas vezes por semana e aos sábados. Lá, participei de grupos de apoio e também fazia atividade física moderada com acompanhamento. Como no tratamento a ingestão de caloria é muito baixa, não é permitido fazer atividade física intensa. Quando iniciei o programa, tinha mais de 53% de gordura e no fim do tratamento cheguei a 18%. No fim, perdi 53 kg em seis meses.

Não acredito em restrição alimentar eterna e acho que a atividade física é a maior aliada para a manutenção do peso.

O exercício não compensa as calorias ingeridas, mas faz você entender que é importante comer só o que faz bem para o corpo. 

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Experimentei vários esportes. Vou receber minha primeira graduação do muay thai. Também jogo basquete, faço musculação, natação, funcional e power  jump de segunda a sábado. Além disso, me apaixonei pela corrida de rua, que é um esporte democrático que qualquer um pode participar. Já tenho mais de 60 medalhas e fiz três meias maratonas (21,097 km). Inclusive, sempre programo algumas provas desafiadoras para participar nas férias. Assim, me mantenho firme no treino e na dieta durante um período em que normalmente a gente enfia o pé na jaca.

Uma outra estratégia que uso para me monitorar é minha calça 42. Levo para as viagens um jeans lavado desse tamanho, que deve sempre caber em mim. Não fico neurótico porque tem épocas em que estamos mais inchados mesmo. Também gosto de tirar foto toda semana, pois é outra forma de acompanhar e reconhecer as mudanças corporais.

Lancei o livro Obesidade Não! Qualidade de Vida Sim! para contar minha história e quais atitudes e comportamentos mudei para chegar até aqui. Achei que seria gordo para sempre, mas vi que todos temos a chance de mudar isso. Fiz curso de coaching e hoje dou palestras para ajudar outras pessoas.

Como disse, considero a obesidade uma doença. Por isso não digo que venci o problema, mas que estou com ele controlado. Ter conhecimento da minha fragilidade em relação ao ganho de peso é fundamental para manter o controle e não sair comendo por aí nos momentos difíceis.

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