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Inspiração pra fazer da atividade física um hábito

Envelhecendo com saúde: aos 73 anos ela pedala, corre e rema todos os dias

Carine Wallauer/UOL
Imagem: Carine Wallauer/UOL

Bárbara Therrie

Colaboração para o VivaBem

16/06/2018 04h00

Aos 73 anos, a dona de casa Yassuko Maruo Fairchild tem uma rotina de exercícios bem intensa. Assim que acorda, ela faz 600 abdominais, e pedala 1 hora na bicicleta ergométrica. Depois, ela vai para o Centro de Práticas Esportivas da USP, onde faz corrida, musculação, remo, escadaria e hidroginástica. Nesse depoimento, ela conta o segredo de sua longevidade: “O esporte me ajuda a envelhecer com saúde e qualidade de vida”.

“Comecei a praticar esportes de forma mais ativa depois que me casei e eu e meu marido fomos morar em Los Angeles, nos Estados Unidos, para ele fazer o PhD. Eu tinha 25 anos, estava num lugar estranho, sem companhia e tinha muito tempo livre. Era horrível ficar em casa sem fazer nada. Passei a preencher meu tempo com o esporte. Ia conhecer os lugares correndo ou de bicicleta. Ficamos lá por oito anos.

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Corri minha última maratona aos 68 anos

Carine Wallauer/UOL
Imagem: Carine Wallauer/UOL
Quando voltei ao Brasil, tive meu filho um tempo depois. Meu mundo girava em torno dele e do meu marido. As pessoas me viam apenas como mãe e esposa, eu não tinha uma personalidade própria. Isso me deixava deprimida. Comecei a frequentar o CEPEUSP para me exercitar. Quando fazia isso, eu estava sendo eu mesma e cuidando de mim.

A corrida foi se intensificando na minha vida e se tornou o meu esporte favorito. Corria 20 km, 30 km por conta própria. Alguns amigos me incentivaram e passei a participar de maratonas e de corridas de ruas. Aos 50 anos, corri seis maratonas (42 km) em um ano: em Nova York, Orlando, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Blumenau. Corri minha última maratona aos 68 anos.

Acordo às 2h30 e faço 600 abdominais

Há 15 anos tenho uma rotina bem disciplinada de exercícios que começa de madrugada e termina ao meio-dia. De segunda a sexta, acordo todos os dias às 2h30. Ainda deitada na cama, faço 600 abdominais de uma única vez para acordar o corpo. Se eu levanto sem fazer nada, eu fico toda dura e sinto dor. Passo o dia inteiro indisposta.

Depois, tomo café com leite, como um pão francês, umas bolachinhas doces e vou para a bicicleta ergométrica. Pedalo das 3h às 4h. Enquanto isso, leio livros de suspense policial.

Quando termino, me arrumo e vou para Centro de Práticas Esportivas da USP. Saio de casa às 4h30. Pego um metrô, um ônibus e chego lá às 5h. Minha primeira atividade é a corrida. Diariamente dou uma volta na Cidade Universitária. Faço 10 km em 1h20. Me sinto muito bem correndo esse horário. Fico concentrada e aproveito para pensar bastante. Se eu estou com algum problema, gosto de refletir sobre ele enquanto corro. Descarrego as energias negativas e encontro soluções.

Às segundas e quartas faço musculação. Já não pego tanto peso. Meus treinos estão voltados para a manutenção dos músculos para eu ter força para praticar os outros exercícios.

Adoro remar: não há limite de idade para esse esporte

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Imagem: Carine Wallauer/UOL
Em seguida, vou para a raia olímpica remar. O circuito completo tem extensão de 4 km, mas eu dou três voltas, e remo 12 km todos os dias. Adoro remar por causa da tranquilidade, do ambiente calmo e silencioso. A visão que tenho da raia é muito bonita. Tem bastante árvore e eu consigo ver alguns animais nas margens. Ao mesmo tempo que eu estou me exercitando, também estou passeando. É um esporte que pode ser praticado em qualquer idade. Já vi senhores de 92 e 94 anos remando.

Nos dias que não tenho musculação, procuro fazer escadarias, uma a duas vezes por semana, para me auxiliar a não tropeçar e a não cair. À medida que vamos envelhecendo, nossa tendência é arrastar os pés. A escadaria me ajuda a fortalecer as pernas e a levantar o pé para andar corretamente.

Depois vou para a aula de hidroginástica. Faço de terça a sexta. Por ser um exercício na água, me sinto mais relaxada e descansada. Quando termino, vou para casa, chego por volta de 12h30. Almoço, cuido da minha gatinha e tiro uma soneca de uma hora.

No fim de semana, relaxo um pouco. Saio para almoçar com o meu marido, fazemos compras, visitamos nossos amigos e assistimos séries na televisão. Não faço nenhum esporte, só pedalo na bicicleta ergométrica duas horas no sábado e duas no domingo.

Praticar esporte ajuda a socializar

Para mim, a prática de exercícios vai muito além dos benefícios físicos, me ajuda na socialização. Passar um tempo fora de casa e encontrar pessoas diferentes é muito estimulante. A gente cria uma amizade. No grupo da musculação, o pessoal costuma organizar algumas viagens bate e volta para Campos do Jordão e Serra Negra. Na turma do remo, toda sexta fazemos um café comunitário com os colegas e os professores. Conversamos, damos risadas. Na hidro, celebramos algumas datas comemorativas. Cada um leva um prato e no final fazemos uma festa.

O ser humano é como uma máquina, se não ficar em movimento, vai enferrujar até parar. Já tive quedas, me machuquei, mas sempre levantei. O esporte me ajuda a envelhecer com saúde e qualidade. Mantenho minha mente e meu corpo ativos fazendo o que gosto e o que me deixa feliz”. 

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