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Ideias e informações para você comer melhor

Quais as vantagens da mudança dos rótulos dos alimentos para sua dieta?

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Novo rótulo deve ter na parte da frente do produto a quantidade de açúcar, sódio e gordura saturada Imagem: iStock

Marcelle Souza

Colaboração para o VivaBem

12/06/2018 04h00

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitiu em maio um relatório que traz uma série de sugestões de como deve ser o novo rótulo dos alimentos. Ainda não há data para que as novas embalagens cheguem aos supermercados, mas a nova regulamentação deve mudar o jeito que você faz compras.

O que está sendo discutido pela Anvisa é um novo modelo, simples e de fácil compreensão, com alertas na parte da frente da embalagem para que o consumidor possa identificar produtos com alto teor de açúcares, gorduras saturadas e sódio. A ideia é tornar mais fácil a comparação entre diferentes marcas que produzem um mesmo alimento.

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De acordo com a agência, os rótulos atuais de comidas e bebidas não são tão claros, já que têm letras pequenas, termos técnicos e alguns destaques feitos intencionalmente pela indústria que acabam confundindo o consumidor. Desse jeito, fica mais complicado fazer boas escolhas.

O problema entrou em pauta em outubro de 2013, quando o Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) recomendou à Anvisa alterações nos rótulos dos alimentos. Para o Consea, as medidas eram urgentes para melhorar as condições de saúde dos brasileiros. O alerta levava em conta o crescimento da obesidade e de doenças crônicas associadas a maus hábitos alimentares no país.

O que vai mudar?

No relatório divulgado no mês passado, a Anvisa sugere várias mudanças, mas o texto ainda não é final e está aberto para uma avaliação técnica. No passo seguinte, uma consulta pública será aberta para a agência ouvir a sociedade civil. Ou seja, todas as pessoas poderão escolher como serão os novos rótulos. Veja o que deve mudar:

  •  Porções fixas Hoje, você encontra alimentos e bebidas com tabelas nutricionais baseadas em diferentes porções. O pão de forma, por exemplo, pode descrever as porcentagens usando uma fatia e meia ou duas fatias, dependendo da marca. Assim, fica difícil comparar os produtos. Isso vai mudar com a nova norma, já que todas as marcar terão que adotar a porção de 100 g ou 100 ml. 
  • Sem enganação Sabe aquele “0% gorduras trans” que aparece em algumas embalagens? Muitas vezes, o nutriente está lá no alimento. A regulamentação atual permite que um produto com até 0,2 g da substância por porção seja considerado "0% gordura trans". Aí, o fabricante faz o cálculo baseado em uma porção pequena do produto. Agora, essa e outras “alegações nutricionais”, como são chamadas as informações colocadas em destaque pela indústria, também vão ter de ser calculadas em uma porção de 100 g ou 100 ml.
  • Fim da gordura trans Isso ainda vai precisar de uma norma específica, mas a Anvisa deixa claro no relatório que pretende eliminar a gordura trans dos produtos brasileiros. A medida acompanha uma ação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que quer tirar esse item das prateleiras de todo o mundo até 2023, algo que poderia salvar 10 milhões de vidas, segundo a organização.
  • Alertas obrigatórios A maior parte do relatório concentra-se nos selos que a Anvisa quer que todas as embalagens levem na parte frontal do produto. Eles devem ter cores, símbolos e informar o consumidor sobre alta concentração de açúcar, sódio e gorduras saturadas. 

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Com a nova norma, as empresas devem adotar uma porção padrão (100 g ou 100 ml) para informar o valor nutricional dos alimentos Imagem: iStock

Modelos em questão

O que ainda não foi decidido pela agência, e que está em consulta técnica neste momento, é qual modelo a indústria deverá seguir. É aí é que está o maior debate, já que algumas entidades apresentaram suas propostas e a Anvisa precisa bater o martelo sobre qual deve ser adotada.

Foram sugeridas várias propostas, que podem ser divididas basicamente em dois grupos: os que possuem graduações entre cores e letras e os selos de advertência.

No primeiro grupo está o Nutri-Score, proposto pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). Inspirado no modelo adotado na França, ele tem cinco cores e letras (de A a E). A nota do produto é calculada a partir de uma média dos ingredientes utilizados na composição. Quanto mais saudável, mais perto do A. Esse modelo é similar ao semáforo nutricional com três cores proposto pela indústria alimentícia.

Do outro lado, estão os selos sugeridos pela Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) e OMS, um octógono preto para cada ingrediente em alta concentração; e pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) em parceria com a UFPR (Universidade Federal do Paraná), que propôs triângulos pretos com as advertências.

Por que ficar atento a esses símbolos?

O Ministério da Saúde está de olho nos ingredientes dos alimentos pois a obesidade e sobrepeso custam caro para o Brasil. Segundo uma pesquisa realizada na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), estima-se que o SUS (Sistema Único de Saúde) gaste anualmente cerca de R$ 3,6 bilhões por ano com o tratamento de doenças associadas.

A má alimentação é a principal causadora desse problema e os três ingredientes na mira da Anvisa (sódio, açúcar e gordura saturada) podem, se consumidos em excesso, causar os seguintes danos à saúde. 

Sódio Componente básico do sal de cozinha, costuma ser adicionado aos alimentos industrializados para aumentar o prazo de validade e acentuar o sabor. Se ingerido em excesso, pode elevar a pressão arterial e o risco de doenças do coração

Açúcar adicionado É aquele que a gente (ou a indústria) acrescenta em um suco, doce ou café, por exemplo. Na indústria, são utilizados para aumentar o sabor e a validade dos produtos. Quando consumidos em altas quantidades, elevam o risco de cárie dental, obesidade, diabetes, problemas no coração e outras doenças crônicas.

Gordura saturadas Está presente em óleos e gorduras usadas no preparado dos alimentos. Na indústria, elas ajudam a acentuar a textura e o sabor das comidas. Por conta da sua alta resistência, não são consideradas saudáveis, já que podem obstruir as artérias, aumentando o risco de doenças do coração.

Enquanto os rótulos não mudam...

As informações sobre as concentrações de açúcar, sódio e gorduras já existem nas embalagens, mas apenas na tabela nutricional. No futuro, como definido pela Anvisa, elas devem vir com destaque também na parte da frente do rótulo.

De qualquer forma, se você quer reduzir esses nutrientes da sua alimentação, prefira alimentos naturais ou minimamente processados. Durante o preparo das refeições, reduza a quantidade de óleos e sal, e capriche nas ervas frescas para dar sabor ao prato.

Outra dica é verificar a lista de ingredientes. Em regra, os que aparecem em primeiro lugar são os que têm maior concentração no alimento.

Fontes: Abran (Associação Brasileira de Nutrologia); Carlos Alberto Nogueira de Almeida, médico, professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e membro do Conselho Científico da Abran; Guia Alimentar da População Brasileira, Ministério da Saúde; Relatório Preliminar de Análise de Impacto Regulatório sobre Rotulagem Nutricional, Anvisa; BAHIA, Luciana, ARAÚJO, Denizar. Impacto Econômico da Obesidade no Brasil. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto. Vol. 13, n. 1., jan./mar. 2014. Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro); Vigitel Brasil 2016 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), Ministério da Saúde.

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