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Longevidade

Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável

"O exercício mantém meu corpo bem e meu desejo sexual aos 63 anos"

Arquivo pessoal
Aos 63 anos, Dorli faz exercícios funcionais, musculação, ballet, jazz, ioga... Imagem: Arquivo pessoal

Juliana Vaz

Colaboração para o VivaBem

25/05/2018 04h00

Se a terceira idade faz você se lembrar das vovós de antigamente, lá vem uma boa notícia: os tempos mudaram, e muito. Prova disso é a psicanalista paulistana Dorli Kamkhagi, que aos 63 anos esbanja energia e um corpo enxuto. O segredo? Uma rotina de exercícios que já completa mais de duas décadas, sabedoria e bom humor na medida certa:

“Tenho 63 anos e pratico atividade física regularmente há muito tempo. Meu maior exemplo foi a minha mãe, que desde cedo deixou claro para mim e para os meus irmãos a importância de fazer exercícios para o bem-estar físico. Comecei a malhar aos 19 anos, após ter meu primeiro filho, mesmo em uma época em que não havia todo esse apelo para uma vida mais fitness. Mas, durante muito tempo, não mantive a regularidade nos treinos, começava e parava.

Só aos 37 que realmente estabeleci uma meta de pegar firme nos exercícios, pois estava me aproximando dos 40 anos e queria ter um corpo saudável e funcional nas décadas seguintes.

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Comecei a treinar de três a quatro vezes por semana. Tive o apoio de personal trainers nas academias que frequentei e o resultado foi ótimo: estou com o mesmo peso há 20 anos. A alimentação também é balanceada e evito exageros, mas sem me privar de nada.

É perceptível a mudança do metabolismo na minha idade: se passo dois dias sem treinar ou como besteiras, fico inchada e com a barriga maior imediatamente

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Imagem: Arquivo pessoal
Hoje em dia, a atividade física faz parte da minha vida de uma forma que eu não poderia imaginar. Além do resultado estético, o treino me permite ter a autonomia e garante a funcionalidade do meu corpo. Quando viajo e alguém se aproxima para me oferecer ajuda e colocar a mala no bagageiro do avião, por exemplo, fico tão feliz em poder recusar! Tenho a força necessária para fazer isso e muitas outras coisas no cotidiano.

Há cinco anos mantenho minha rotina de atividades físicas com a orientação da equipe da instrutora física Cau  Saad, e inclui o treinamento funcional na minha rotina, três vezes por semana. Também iniciei outras atividades que fazem bem não só ao corpo, como também à alma.

Faço ballet clássico duas vezes por semana, hábito que tinha quando era mais jovem, e entrei no jazz. Há quatro meses realizo aulas de ioga. Comecei porque queria respirar melhor, meditar e ter mais tranquilidade. Ainda estou tateando esse terreno e os resultados são lentos. São atividades que incluí na rotina há um ano ou menos e já ajudaram a renovar o ânimo.

Muita gente diz que não há vantagem em envelhecer, mas eu discordo. Quando a gente envelhece, a estabilidade financeira e a sabedoria ajudam a aproveitar melhor o tempo e a priorizar o que é importante.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Não acredito que exista saúde física e beleza sem uma harmonia espiritual e tranquilidade. Acho que os excessos podem ser desastrosos. Envelhecer também requer um pouco mais de bom humor. 

Não acho que os 60 sejam os novos 40. Os 60 são um marco, em que vida ganha um novo significado e o corpo é a expressão da personalidade. É bom saber que podemos ser melhores dentro de um certo patamar, e também é importante deixar de competir por um padrão de beleza "ideal", que é irreal para a maioria das pessoas. A idade existe e cobra o seu lugar.

Acredito que a prática de atividade física nos prepara para uma maturidade melhor, mais rica e dinâmica. E, por que não, até mais sensual? A mulher conhece mais o próprio corpo e seus desejos nessa fase. Todos podem ser belos e desejáveis. Por que não?”

Nunca é tarde para começar

Com o envelhecimento, há um desgaste natural dos tecidos ósseos e musculares, o que favorece o surgimento de doenças como osteoporose e osteoartrite. No entanto, como explica Adriano Almeida, médico ortopedista do Grupo de Medicina do Esporte do Hospital das Clínicas (SP), a atividade física é benéfica para controlar e amenizar esses efeitos.

Não há idade para começar a fazer exercícios e mesmo quem nunca praticou terá ganhos importantes. A musculação e a caminhada são ótimas opções para a proteção da massa óssea e muscular, o que permite ao idoso se manter funcional e independente”, explica o ortopedista.

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