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Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

Cientistas contam como lidaram com a depressão enquanto estudavam

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Do VivaBem, em São Paulo

12/05/2018 14h44

A depressão é um assunto sério. Os casos da doença aumentaram 20% na última década, o que tornou a depressão a maior causa de incapacidade do mundo, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Os últimos dados da organização, de 2015, mostram que o número de pessoas com depressão chegou a 322 milhões.

A doença precisa de tratamento, é claro, e cada um lida com ela de maneira diferente. A Nature, revista internacional de artigos científicos, conversou com cientistas para saber como eles lidaram com os dias mais obscuros da depressão enquanto estavam estudando.

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Minha vida é uma droga

O cientista da computação que trabalhou ajudando a criar e-mail e o percursor do PayPal, Nathaniel Borenstien, também sofreu com a depressão ao estudar. Ele conta que quando estava na pós-graduação sobre teoria da computação, seu consultor indicava que não entendia o que ele fazia.

“Não percebi minha reação como sintomática. Apenas pensei que o mundo inteiro era uma droga, que minha vida era uma droga e que tudo estava errado".

Desde então, ele afirma que fica deprimido duas vezes por década e sempre tende para os mesmos sintomas: enrolar na cama, não quer falar com ninguém e achar tudo ruim. “É bom reconhecer seu padrão, assim quando começar a sentir você já marca sua consulta com um terapeuta. Você sabe que o mundo não é horrível, mas sim que você está deprimido”.

Quando o assunto são drogas psiquiátricas, Borenstein encoraja o uso e afirma que são uma dádiva de Deus que fazem você se sentir melhor em horas.

“É difícil. Ouvi dizer que a depressão é um presente, porque pode nos ajudar a reconhecer quando precisamos mudar algumas coisas. Mas se alguém me dissesse, em 1981, que minha depressão era um presente, eu não teria acreditado por um instante”.

Você não está sozinho

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Em um depoimento anônimo para reportagem da revista Nature, uma biocientista europeia conta sua relação com a depressão.

Ao se candidatar para programas de doutorado, a pesquisadora disse que sentia tudo muito difícil, não conseguia se concentrar, estava sempre perdida, sempre triste, sem querer sair da cama e acabou perdendo o curso. “Queria que alguém tivesse só me dito: ‘Você tem depressão e é só por isso que não consegue”.

Ao buscar ajuda com um conselheiro, a biocientista confessou ter pensado em se machucar, e seu tutor a encaminhou para um hospital psiquiátrico. “Ao ser levada eu estava chorando e repetia várias vezes: ‘Recebi um C. Vou ser expulsa’. No hospital, fui monitorada 24 horas, sete dias por semana. Depois de dois dias, eu ainda estava chorando.”

A pesquisadora conseguiu outros empregos, mas está deixando a academia. “A cultura ainda trata mal os doutores e valoriza a competição insalubre. Quando a depressão chegar, diga para não te levar hoje, não neste momento, nem neste segundo. Tire uma folga. Encontre a pessoa que você era antes da escuridão chegar. Procure ajuda. Por mais isolado e sem esperança que possa parecer, você não é o único que teve que passar por isso. Você não está sozinho.”

Conheça seus limites

Um depoimento anônimo descreve a experiência de um biólogo molecular dos Estados Unidos. O pesquisador ficou deprimido após se frustrar muito com durante uma pós-graduação na América do Sul.

“Era um buraco negro. Perto de me formar, comecei a procurar emprego, cheguei a enviar currículo para 40 ou 50 lugares, mas não recebia respostas. Fiquei desanimado, caí numa depressão debilitante e comecei a beber muito”.

Depois, o biólogo descobriu que seu tutor estava sabotando sua carreira ao receber propostas de emprego e não recomendá-lo aos cargos por causa da depressão.

“A academia tem desvantagens estruturais para pessoas com problemas de saúde mental. Você não vai saber que alguém jogou seu currículo no lixo porque alguém disse: ‘Ei, ele está deprimido’. Essas oportunidades estão perdidas para sempre.”

O conselho do pesquisador? Documentar com cuidado qualquer caso de abuso e má conduta. Além disso, é preciso aprender a equilibrar cuidadosamente as necessidades profissionais com as pessoais e mentais. “Tomo estabilizados de humor, não bebo e sei quando preciso de um tempo. Penso: ‘Já passei muito tempo aqui, acho que vou nadar na piscina”.

Pensamentos loucos

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Elyn Saks é advogada e psicanalista da Faculdade de Direito da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Antes disso, quando ainda era estudante de direito na Universidade de Yale, ela precisou enfrentar alguns desafios emocionais.

Em seu depoimento, Saks conta que chegou a ser encontrada no telhado de sua moradia, gesticulando e dizendo coisas malucas. Seus amigos e um professor a levaram até a emergência do departamento de saúde do estudante. Ela foi hospitalizada por cinco meses.

Ao voltar as aulas, a psicanalista diz que sentiu como se parte dela nunca fosse voltar a ficar de pé. Ela também foi diagnosticada com esquizofrenia e levou dez anos para se adaptar aos remédios.

“Em um ambiente de trabalho, ajuda se você tem pessoas que sabem o que você está passando. Mas algumas pessoas acharão que você não está à altura do trabalho. Você precisa escolher seus amigos com cuidado. Aprendi que minha mente é minha melhor amiga e minha pior inimiga. Quando estou trabalhando, os pensamentos malucos retrocedem”, escreveu à Nature.

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