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Estudo mostra que a perda de um cônjuge aumenta as chances de morte em 41%

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Imagem: iStock

Do VivaBem

06/05/2018 17h16

Um estudo publicado no periódico Psychoneuroendocrinology, mostrou que indivíduos que perderam um cônjuge nos últimos três meses têm níveis mais altos de citocinas pró-inflamatórias (marcadores imunológicos que indicam inflamação na corrente sanguínea) e menor variabilidade da frequência cardíaca, quando comparados com pessoas que não estão de luto e compartilham o sexo, idade, índice de massa corporal e nível educacional.

Ambos fatores citados acima aumentam o risco de a pessoa ter um evento cardíaco. O estudo é o primeiro a demonstrar que o luto está associado a níveis elevados de citocinas e menor variabilidade da frequência cardíaca.

"Nos primeiros seis meses após a perda de um cônjuge, viúvas e viúvos correm um risco 41% maior de mortalidade", diz o principal autor Chris Fagundes, professor assistente de psicologia na Escola de Ciências Sociais da Rice University, nos Estados Unidos.

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"É importante ressaltar que 53% desse risco aumentado é devido a doenças cardiovasculares. Este estudo é um passo importante para entender como o luto é absorvido pela pessoa e promove morbidez e até mortalidade."

Achados do estudo

Os participantes tinham entre 51 e 80 anos (média 67,87) e incluíam 22% de homens e 78% de mulheres. O sexo e a idade do grupo controle foram comparáveis, e os resultados foram os mesmos quando considerados pequenas diferenças de peso e comportamentos de saúde.

Os 32 indivíduos analisados e que haviam perdido recentemente um companheiro exibiram 47% menos níveis de variabilidade da frequência cardíaca do que as 33 pessoas no grupo de controle. Além disso, eles exibiram níveis 7% mais altos de TNF-alfa (um tipo de citocina) e 5% mais altos de IL-6 (outro tipo de citocina) que o grupo de controle. Os cônjuges enlutados ainda relataram níveis 20% mais altos de sintomas depressivos do que o grupo controle. 

Fagundes diz que o estudo contribui para a compreensão de como o luto pode afetar a saúde do coração. Ele espera que a pesquisa ajude profissionais médicos a entenderem melhor os mecanismos biológicos desencadeados pelo luto e que o estudo permita a criação de intervenções psicológicas ou farmacológicas direcionadas para reduzir ou evitar o impacto da perda de alguém amado.

"Embora nem todo indivíduo enlutado tenha o mesmo risco de eventos cardíacos, é importante ressaltar que o risco existe. Nosso próximo passo, é encontrar maneiras de identificar quais viúvas ou viúvos estão em maior risco e quais são resistentes às consequências fisiológicas negativas do luto."