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Estudo confirma que é possível reparar ossos com a ajuda do látex

Yasuyoshi Chiba/AFP
Látex pode ajudar na recuperação dos ossos. Imagem: Yasuyoshi Chiba/AFP

Do VivaBem*, em São Paulo

26/04/2018 10h45

Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto e da Unesp de Araçatuba, ambas em São Paulo, descobriram que a F1, uma fração da proteína do látex natural (extraído da Hevea brasiliensis, a seringueira) estimulou fatores de crescimento para a recuperação óssea em ratos. Os animais, que tinham lesões nos crânios, ganharam novos vasos sanguíneos e boa reestruturação óssea após o tratamento com látex.

Os resultados foram publicados na edição de fevereiro da revista Biomedical Material e confirmam os benefícios da proteína já relatados com tecidos moles em experimentos anteriores, como a formação de vasos sanguíneos, adesão celular e formação de matriz extracelular. Apesar da boa notícia, esses são os primeiros relatos desses efeitos sobre os ossos.

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Os pesquisadores analisaram a evolução de defeitos provocados por cirurgias em 112 calvárias (ossos da calota craniana) de ratos de laboratório. Esses ossos foram separados em grupos que receberam enxertos de osso (autólogos, autógenos e xenógenos do próprio animal, da mesma espécie e de outra espécie) e também aqueles com enxertos, mais a proteína F1.

Após avaliações, realizadas por diferentes métodos, observou-se maior quantidade de neoformação óssea (tecido novo) nos grupos que receberam os enxertos autólogos e autógenos e também naqueles que receberam os mesmos enxertos acrescidos da proteína do látex.

Contudo, chamou a atenção dos cientistas o aumento da MMP-9 (metaloproteinase de Matriz 9, enzima relacionada ao processo de reparo celular) nos tecidos tratados com o látex, principalmente nos exames realizados na primeira fase das análises, ocorrida na quarta semana pós-implante.

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João Paulo Mardegan Issa, professor da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP e um dos responsáveis pelo estudo, explicou ao "Jornal da USP" que esses dados confirmam o que outras pesquisas já haviam encontrado sobre essa enzima.

Durante uma resposta inflamatória, "a MMP-9 está ativa no tecido lesado e este evento se relaciona com a reparação das áreas de cicatrizes no osso, otimizado com o uso da F1". Apesar de a F1 apresentar propriedades importantes para o reparo de tecidos do organismo animal, novos experimentos devem ser realizados até que o látex da seringueira possa ser utilizado no reparo ósseo de humanos.

O professor ressaltou que ainda precisam "esclarecer os efeitos desta proteína nessa restauração do osso, especialmente envolvendo o uso de outros modelos animais experimentais e períodos de tempos de recuperação".

Futuro promissor para um produto nacional

Os especialistas asseguram que biomateriais com as características da F1 são importantes para correção de defeitos que eles chamam de críticos, pois se trata de feridas intraósseas e de grandes proporções para uma cura espontânea.

Informações como as recém-publicadas pela equipe da USP e da Unesp devem colaborar para um futuro promissor do uso do látex em recuperação de ossos. Além do alto potencial de reparação óssea e da biocompatibilidade, o látex é um "material nacional e de baixo custo quando comparado a outros produtos de estímulo reparativo disponíveis no mercado", lembra o professor.

Com Jornal da USP

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