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Eu tomo pílula há anos. É verdade que ela pode causar depressão?

Pergunte ao VivaBem - Anticoncepcional
Imagem: Fernanda Garcia/VivaBem

Gabriela Ingrid

Do VivaBem

24/04/2018 04h00

"Já ouvi que a pílula anticoncepcional pode causar depressão. É verdade?"

Esse assunto ainda é bem controverso, porque não existem pesquisas feitas de fato sobre o assunto, apenas análises de dados gerais sobre as mulheres. Um estudo, por exemplo, publicado em fevereiro no periódico Contraception, afirma que esse risco não existe. Os pesquisadores analisaram 26 trabalhos científicos com pesquisas de mais de 30 anos e concluíram que as pílulas não têm relação com o desenvolvimento de depressão em mulheres de qualquer idade.

Outros dois estudos dinamarqueses, no entanto, mostraram que mulheres mais jovens são propensas a ter um risco ligeiramente maior de sofrer depressão se utilizarem contraceptivos orais de hormônios combinados, principalmente no segundo mês de uso. Porém, essas análises não encontraram uma relação de causa e efeito entre a pílula e a doença, apenas descobriram que algumas mulheres que usavam anticoncepcional também usavam antidepressivos.

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Outras pesquisas também já descobriram que quem tem predisposição à depressão também pode aumentar os riscos de desenvolver a doença ao tomar pílulas de progesterona, uma vez que esse hormônio facilita o aparecimento de sintomas depressivos, como sono e indisposição. Mas isso apenas quando a progesterona é isolada e tomada em doses altas, como por via injetável.

Na prática, as mulheres que sofrem bastante com a TPM, sentindo irritabilidade e tristeza antes do ciclo, melhoram com o uso hormônio. Isso porque ele nivela a ovulação. Mas é importante saber a diferença entre sintomas depressivos e depressão, que é uma doença grave. Independentemente do tipo de contracepção hormonal que usar, a mulher deve ficar de olho em seu corpo. Se ela começar a usar a pílula e observar que está com sintomas negativos, mais triste, com comportamento diferente, deve alertar o médico, para que ele avalie qual a melhor solução.

Fontes: Rogério Bonassi, presidente da Comissão Nacional Especializada de Anticoncepção da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia); Ivaldo da Silva, chefe da disciplina de Ginecologia Endocrinológica e coordenador do projeto Afrodite da Unifesp.

Quais são suas principais dúvidas sobre saúde do corpo e da mente? Mande um e-mail para pergunteaovivabem@uol.com.br. Toda semana, os melhores especialistas respondem aqui no VivaBem.

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