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Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

Tenho autismo e estou pronto para trabalhar e explorar o mundo

Arquivo pessoal
Consultora de TI, Laura Vizioli foi diagnosticada com autismo aos 15 anos Imagem: Arquivo pessoal

Claudia Rato

Colaboração para o VivaBem

22/04/2018 04h00

Terapias adequadas e diagnóstico precoce têm permitido cada vez mais pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estudar, manter uma vida social satisfatória, trabalhar e conquistar sua autonomia e seu lugar na sociedade.

Ainda que a passos lentos e curtos, o mercado de trabalho começa a abrir as portas para a contratação de autistas, com olhar voltado não somente à inclusão, mas também por causa da competência e do talento de pessoas com a condição, que agregam valores no ambiente profissional. Honestidade, foco e organização estão inseridas nesse pacote.

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“Quando essas pessoas encontram oportunidades alinhadas ao seu perfil de fortalezas e com respeito às suas individualidades, são capazes de desempenhar atividades laborais de maneira excelente. Há um grande valor agregado à inclusão do indivíduo com autismo no ambiente de trabalho", explica a psicóloga Fernanda Lima, diretora de formação da Specialisterne, empresa social dinamarquesa, instalada no Brasil há pouco mais de um ano, que capacita indivíduos com TEA para a área de Tecnologia da Informação (TI).

Pontos positivos para todos

Segundo Lima, a presença de profissionais com autismo contribui para que as equipes ampliem sua compreensão sobre o valor da neurodiversidade e entendam que soluções mais criativas podem emergir das diferentes formas de pensar.

Arquivo pessoal
Apesar de não ser comunicativa, Laura Vizioli é colaborativa e muito prestativa com os colegas Imagem: Arquivo pessoal
Entre os funcionários da empresa está Laura Vizioli, de 26 anos, que foi diagnosticada com autismo aos 15 anos. Formada em economia, com especialização em economia financeira, ela hoje trabalha como consultora de TI.

“Fazer parte do mercado de trabalho tem um significado muito grande para mim. Me sinto valorizada, ganho meu próprio dinheiro pelo meu esforço e mérito", conta Laura.  

Apesar de ser muito introspectiva e tímida, a consultora diz que se dá bem com os colegas e procura ajudar a equipe. "Só sou um pouco diferente por não ser comunicativa e ter algumas dificuldades. Mas, de acordo com a minha tutora, sou colaborativa e prestativa. Meus pontos fortes são rapidez na realização das tarefas, alta concentração, atenção aos detalhes, organização e honestidade”.

“Estou preparado para explorar o mundo”

Arquivo pessoal
Marcos Petry foi diagnosticado com autismo aos 7 anos e hoje ganha a vida como escritor e repórter Imagem: Arquivo pessoal
Quem também tem muito o que contar sobre sua vida dentro desse universo é o design gráfico e produtor publicitário Marcos Petry, de 25, que descobriu ter autismo de grau leve aos 7.

“Antes do diagnóstico, minha família atribuía meus comportamentos e estereotipias (movimentos repetitivos) a uma lesão cerebral a qual adquiri logo após o parto. A partir da descoberta e também do aconselhamento de uma amiga, passei a me sentir mais preparado para explorar o mundo. Comecei a querer buscar mais sobre o autismo, assim como meus pais", afirma Marcos. 

Com o apoio da família, ele passou a desenvolver seus talentos e habilidades. Fez graduação em comunicação institucional e pós-graduação em design gráfico e produção publicitária. Hoje, trabalha como repórter em uma rádio comunitária e também ganha a vida como escritor. Estudou inglês, espanhol, aprendeu alemão de forma autodidata, estuda italiano e sueco por conta própria e ministra algumas palestras sobre TEA.

As desenvolturas do rapaz não param por aí. Marcos pratica canto, guitarra elétrica, violão e teclado, e faz questão de dizer que lê bons livros e faz longas caminhadas. “Além disso, dedico meu tempo à preparação de matérias e vídeos em meu canal no Youtube “O diário de um autista.” Sim, ele é vlogger também.

Recentemente, Marcos foi convidado para trabalhar, como consultor de comunicação no lançamento do longa-metragem “Em um mundo interior”. O documentário aborda a percepção do mundo pelo ponto de vista de jovens com TEA.  

“Me identifiquei com o filme do ponto de vista que ele evidencia o dia a dia do indivíduo autista de maneira simples, direta e convidativa, evidenciando seus desafios. Esse é um grande passo para fomentar a inclusão e tornar o assunto uma poderosa agenda na sociedade brasileira. Fico honrado em fazer parte deste trabalho”, conta o apresentador, publicitário, repórter, escritor, poliglota, espectro autista, ou, simplesmente, Marcos Petry, que assim como Laura Vizioli e tantas outras pessoas com TEA, ganhou destaque no mercado de trabalho por sua competência, não por ter uma condição diferente dos colegas. 

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