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Duas descobertas dão novas pistas de como funcionam as células cancerosas

Duke University
Células cancerosas do pulmão começam a copiar características do estômago e intestino Imagem: Duke University

Do VivaBem

2018-03-28T13:57:47

28/03/2018 13h57

O câncer é uma doença muito diversa, com alguns tumores sendo mais agressivos e mais resistentes à quimioterapia do que outros. Por esse motivo, cientistas buscam maneiras de encontrar novas ferramentas de diagnóstico e tratamento que lhes permitam prever os resultados e cuidar dos pacientes de uma forma mais personalizada e eficaz. Felizmente, esse futuro parece não estar tão distante assim. Dois estudos publicados recentemente deram um passo adiante na cura para a doença.

No primeiro deles, uma equipe de pesquisa liderada por Monica Bettencourt Dias, do Instituto Gulbenkian de Ciência, de Portugal, observou que o número e o tamanho de minúsculas estruturas que existem dentro das células, chamadas de centríolos, aumentam nos tipos mais agressivos de câncer. Os centríolos são chamados de "cérebro" da célula, pois desempenham papéis cruciais na multiplicação, movimento e comunicação celular. Seu número e tamanho são altamente controlados em células normais.

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Publicado no periódico Nature Communications nesta quarta-feira (28), o estudo analisou 60 linhas de câncer humano originadas em nove tecidos diferentes. Seus resultados revelam que as células cancerosas costumam ter centríolos extras e mais longos, ausentes nas células normais. Além disso, a equipe descobriu que os centríolos mais longos são excessivamente ativos, o que perturba a divisão celular e pode favorecer a formação de câncer. Os cientistas vão seguir com os estudos para explorar novos mecanismos e métodos terapêuticos que possam visar os centríolos da célula cancerosa.

No segundo estudo, a descoberta mostrou um dos motivos que deixam o câncer resistente a tratamentos como a quimioterapia. Ao analisarem uma amostra de câncer de pulmão, pesquisadores da Duke University, nos Estados Unidos, descobriram que após o tratamento com quimioterapia as células cancerosas pulmonares desligam alguns dos principais reguladores das células e captam as características de outras células do corpo, a fim de ganhar resistência aos tratamentos.

Gaëlle Marteil, IGC
Células saudáveis (imagem à esquerda) exibem quatro centríolos, um número normal. As células do câncer de mama, no entanto, têm centríolos extras (aqui, 16, imagem à direita) Imagem: Gaëlle Marteil, IGC

No caso dessa pesquisa, publicada na segunda-feira (26), os cientistas perceberam que as células cancerosas "desligaram" um tipo específico de gene, chamado NKX2-1, que diz às células pulmonares como se desenvolver. Sem esse gene, as células começaram a se desenvolver como o intestino e formaram um sistema digestivo em miniatura dentro do tumor. A equipe ficou surpresa ao ver "miniaturas" de estômago, duodeno e até mesmo de um intestino delgado escondidas em uma amostra de câncer.

"Células cancerosas farão o que for preciso para sobreviver", disse Purushothama Rao Tata, um dos autores do estudo, em um comunicado. Como os pulmões e as células do intestino vêm das mesmas células progenitoras, os pesquisadores propuseram que a falta do gene NKX2-1 permitiria que essas células assumissem um caminho de desenvolvimento diferente. Isso significa que as células do intestino cancerígeno poderiam escapar do tratamento porque não seriam afetadas por ataques a células pulmonares.

A equipe testou essa ideia em modelos de ratos, removendo o gene NKX2-1 do tecido pulmonar. As células pulmonares dos camundongos começaram a criar características que geralmente só aparecem no intestino, como o tecido gástrico. Surpreendentemente, eles até começaram a produzir enzimas digestivas. Quando os tumores eram induzidos, eles pareciam pertencer ao intestino anterior.

"Os biólogos do câncer há muito suspeitavam que as células cancerígenas poderiam mudar de forma para evitar a quimioterapia e adquirir resistência, mas não conheciam os mecanismos por trás de tal plasticidade", disse Tata. "Agora que sabemos com o que estamos lidando nesses tumores, podemos pensar no caminho que essas células podem seguir e projetar terapias

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