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Por que aceitar a gordura e a obesidade não é uma boa ideia

Paul Rogers/The New York Time
O estilo de vida atual convenceu muitos, conscientemente ou não, de que é aceitável ser significativamente mais pesado do que pessoas com pesos "normais" Imagem: Paul Rogers/The New York Time

Jane E. Brody

Do New York Times

2018-03-05T15:15:45

05/03/2018 15h15

Olhe à sua volta e provavelmente verá que mais que um em cada três adultos está com sobrepeso ou obeso. Talvez você esteja entre eles e pense: "Tudo bem. Não sou diferente de ninguém, então por que travar outra batalha perdida contra a balança?".

Você não está sozinho. Uma forma sutil de pressão social convenceu muita gente, conscientemente ou não, de que é aceitável ser bem mais pesado do que o que é considerado "normal" pelo índice de massa corporal ou por um gráfico médico de peso e altura.

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Conforme os americanos foram ganhando quilos extras nas últimas décadas, Mary A. Burke, economista do Federal Reserve Bank de Boston que estuda as normas sociais, diz que a população parece se ajustar a um novo padrão de normalidade em relação ao peso. Um estudo que ela e outros autores publicaram em 2010 revelou que uma proporção crescente de adultos com sobrepeso --21% das mulheres e 46% dos homens (números que eram 14% e 41% na década de 1990)-- considera seu peso "correto". E um estudo publicado no periódico JAMA, no ano passado, revelou que um número menor de adultos que estavam com sobrepeso ou obesos tentavam perder os quilos em excesso.

Especialistas em saúde pública temem que essa tendência de "aceitação da gordura" seja ruim tanto para o bem-estar quanto para os gastos gerados por doenças crônicas relacionadas ao peso, como problemas cardíacos, hipertensão, diabetes tipo 2 e mais de uma dúzia de tipos de câncer. Como Burke escreveu em uma edição recente do JAMA dedicada à obesidade, o sistema de saúde pública e os profissionais da área médica se preocupam porque "as pessoas que não acreditam que estão acima do peso ou que veem a obesidade como algo não muito sério têm menos probabilidade de buscar tratamento para o problema".

Até mesmo os médicos podem acabar desistindo de tentar convencer seus pacientes a emagrecerem. Embora o Medicare (sistema de saúde gerido pelo governo dos Estados Unidos) cubra até 20 consultas anuais para tratar do problema, poucos profissionais (ou talvez eu deva dizer poucos pacientes) aproveitam esse benefício. Porém, uma redução de apenas 5 ou 10% no peso, muitas vezes pode resultar em uma diminuição significativa de problemas como hipertensão arterial, açúcar no sangue ou níveis de colesterol. Em outras palavras, não é preciso ficar magro como uma modelo para melhorar sua saúde e expectativa de vida.

Paul Rogers/The New York Times
Uma pequena redução no peso pode resultar em uma diminuição significativa de problemas como hipertensão arterial, açúcar no sangue ou níveis de colesterol Imagem: Paul Rogers/The New York Times

Em um editorial nessa mesma edição do JAMA, Edward H. Livingston, cirurgião bariátrico da Faculdade de Medicina da Universidade do Texas, sugeriu que talvez uma mensagem diferente, que incentive a boa forma física, fosse mais eficaz para melhorar a saúde da população em geral "do que continuar a aconselhar a perda de peso, quando essa mensagem é cada vez mais ignorada".

De fato, como observou uma equipe de especialistas do JAMA, "a baixa aptidão cardiorrespiratória pode representar um risco maior para a saúde do que a obesidade". A equipe, liderada por Ann Blair Kennedy, da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Sul, citou uma análise de 2014 mostrando que, em comparação com pessoas fisicamente aptas com peso normal, os indivíduos inativos tiveram um risco aumentado de morte, independentemente do peso, e aqueles que estavam em forma e com excesso de peso ou obesos não apresentaram um risco significativamente maior de mortalidade quando comparados com indivíduos de peso normal.

Mas, antes que você desista de tentar emagrecer, uma maior compreensão das prováveis fontes dos quilos extras e das abordagens mais eficazes para perdê-los pode ajudá-lo a alcançar um duplo objetivo: mais aptidão e menos gordura.

O peso médio dos americanos, adultos e crianças, era bastante estável até 1980. Então, um aumento assustador se iniciou, e só recentemente deu alguns sinais de estabilidade. Há muitas razões para isso, entre elas o crescente número de mulheres que trabalha fora, contribuindo para a diminuição da comida caseira, a maior dependência de alimentos embalados e processados, o crescimento de fast foods e de refeições em restaurante e uma redução proporcional da atividade física. Resultado: mais calorias entram, e menos saem --a fórmula perfeita para o ganho de peso.

Várias décadas das dietas comerciais como, por exemplo, a do Dr. Atkins, cada uma alegando ser a melhor maneira de se livrar da gordura indesejada com sacrifício mínimo ou nulo do prazer e da saciedade, tentaram aqueles que lutam contra os quilos extras. A maioria desses métodos, no entanto, envolvia uma mudança radical nos hábitos alimentares, que raramente era sustentada. Depois de um tempo, seus adeptos voltavam aos velhos hábitos e recuperavam o peso perdido, muitas vezes até mais que isso.

Paul Rogers/The New York Times
A diminuição da comida caseira, a maior dependência de alimentos embalados e processados, o crescimento de fast foods e de refeições em restaurante e uma redução proporcional da atividade física ajudaram nesse excesso de peso Imagem: Paul Rogers/The New York Times

Como Livingston afirmou, "dar aos pacientes a falsa esperança de que vão emagrecer apenas reduzindo uma classe de alimentos ou outra (por exemplo, carboidratos ou gorduras) pode acabar sendo bem frustrante, e talvez explique o fracasso da maioria das dietas". E acrescenta que, mesmo a redução do consumo de bebidas adoçadas com açúcar (que não fornecem nenhum nutriente além das calorias) não necessariamente vai influenciar a obesidade em nível populacional, que continua a aumentar mesmo com a diminuição do consumo de refrigerante.

Em vez de cobrar impostos sobre os refrigerantes, Livingston endossa as taxas com base no conteúdo calórico dos alimentos e o uso da receita gerada para subsidiar alimentos saudáveis e torná-los mais acessíveis. Observando que "o denominador comum para todos os planos de dieta bem-sucedidos é a redução de calorias, independentemente de como isso é alcançado", ele afirma que uma população mais magra só existirá quando for dada atenção a toda a cadeia de abastecimento alimentar.

É bem pouco provável que isso seja feito por qualquer indústria de alimentos processados ou por agências regulatórias do governo, portanto, cabe aos consumidores tomar a atitude. O objetivo não é a mudança radical, mas uma redução de 500 calorias por dia, ou um aumento na atividade física --ou ambos-- para atingir um déficit semanal de 3.500 calorias, a quantidade de mais ou menos meio quilo de gordura corporal.

A eliminação de qualquer um destes itens --um pãozinho com cream cheese, um Big Mac, um waffle com um fio de xarope, um copinho de sorvete de chá verde da Häagen-Dazs, um Venti Frappuccino de caramelo com chantilly do Starbucks, ou uma porção da salada com frango Santa Fe da Cheesecake Factory-- já cria esse déficit de 500 calorias. (Por uma questão de comparação, seria preciso comer seis maçãs ou sete ovos para chegar a 500 calorias. Ou então optar por duas xícaras da salada Caesar Wegman, com meras 200 calorias).

Se você mora em uma cidade em que é obrigatório exibir a quantidade de calorias nos cardápios, preste atenção antes de fazer seu pedido. Além disso, sempre peça os molhos separados e distribua-os você mesmo, em vez de deixar que o restaurante despeje centenas de calorias em uma salada ou no peito de frango.

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