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Equilíbrio

Cuidar da mente para uma vida mais harmônica

Essa mãe dedicou sua vida para cuidar da filha que teve crânio esmagado

Divulgação/meridithalexander.com
Schuyler e sua mãe, Meredith Imagem: Divulgação/meridithalexander.com

Do VivaBem

19/02/2018 10h14

Era 19 de fevereiro de 2016, quando Meridith Hankenson, que trabalhava de casa, foi tomada por um sono incontrolável. “Eu não tinha o costume de dormir à tarde, mas, por volta do meio-dia, senti uma exaustão inexplicável e dormi por umas três horas”, escreveu Meredith, em um relato tocante à revista Prevention.

Segundo a americana, era sua intuição falando. Três horas depois, ela acorda com o telefone de casa tocando. Era uma amiga de sua filha Schuyler, que havia acabado de se formar na faculdade e decidido fazer uma viagem pela Colômbia. “Assim que a amiga da minha filha começou a falar, sabia que algo terrível havia acontecido.”

Schuyler estava fazendo rafting em uma pequena cidade colombiana, quando, de repente, uma rocha caiu de um penhasco, atingindo a garota. Na hora, os amigos não sabiam o que tinha acontecido, mas quando Schuyler, que estava de colete salva vidas subiu para a superfície, eles viram que a pedra havia esmagado sua cabeça, deixando um buraco em sua testa.

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Divulgação/meridithalexander.com
Schuyler antes do acidente Imagem: Divulgação/meridithalexander.com
Sua amiga e os guias tiraram Schuyler da água, a carregaram para uma van e ficaram segurando sua cabeça por 40 minutos, enquanto passavam por uma estrada de terra esburacada até chegar ao ponto em que a ambulância já os esperava.

Por sorte, um hospital da cidade, que possuía uma das poucas UTIs da Colômbia, de acordo com Meredith, ficava a 20 minutos de distância. “Um cirurgião especializado em neurologia que morava nas proximidades correu para o hospital para salvar minha filha.”

Viagem para a Colômbia

Imediatamente, Meredith e sua outra filha foram para a Colômbia. Durante o voo, mãe de Schuyler diz que se dividia entre sentir descrença e culpa.

Me perguntava se eu poderia ter impedido esse acidente, cortando um pouco as asas de Schuy. 

Ao longo do voo, Meredith conta que o medo foi diminuindo e sua força aumentando. “Antes que o avião pousasse, prometi a mim mesma que não chegaria perturbada ao hospital e que seria uma mãe focada, pronta para fazer o que pudesse para ajudar minha filha.”

Chegando lá, os médicos disseram que a jovem teve uma lesão cerebral traumática e que, provavelmente, não sobreviveria uma semana. Se sobrevivesse, o diagnóstico era de que a menina ficasse cega e com grandes chances de também ficar paraplégica. 

“Ao receber essa notícia, eu poderia ter entrado em colapso, mas me mantive forte. Quando me sentei ao lado da cama, enviei a Schuyler toda a positividade que eu poderia emanar. Eu não sei se o meu esforço invisível teve algo a ver com o que aconteceu na manhã seguinte: uma tomografia computadorizada do cérebro de Schuy mostrou que o inchaço em seu cérebro tinha diminuído significativamente. O cirurgião o chamou de milagre.”

De volta para casa

Apesar da melhora, o estado de Schuyler era crítico e ela precisava ser transferida. Meredith escolheu o Jackson Memorial Hospital, em Miami, nos Estados Unidos, reconhecido por ser um dos melhores centros de tratamento de traumas neurológicos. Neste hospital, onde ficou internada por dois meses, a jovem passou por uma série de cirurgias --no cérebro, coluna vertebral, rosto, perna e tornozelo.

“Mas a jornada estava só começando. Eu virei a cuidadora de Schuyler, tive de aprender a como movê-la com segurança da cama para o banheiro e como preparar sua alimentação, já que ela precisava aprender a engolir novamente”, lembra Meredith.

Essa rotina tomava bastante tempo e eu achava que não iria conseguir manter minha renda. Muitas vezes, pensava que não daria conta, mas sabia que não poderia deixar minha negatividade afetá-la.

Schuyler voltou para casa em julho de 2016 --cerca de cinco meses após o acidente. “Levando em conta os ferimentos, sua memória é incrível e sua fala está se tornando cada vez mais clara.”

E em vez de se sentir “amaldiçoada” com o acidente de sua filha, Meredith diz que viu o episódio como uma oportunidade para fazer algo “incrível” com a vida das duas. Ela abriu uma empresa que oferece coaching para pessoas que estão passando por uma situação parecida e também escreveu um livro em que conta a história de superação de sua filha, intitulado "The Sky is the Limit: Sometimes the Limit is Just the Beginning" (o céu é o limite: muitas vezes o limite é só o começo, em tradução livre para o português) e publicado em 2017. 

"Enquanto isso, vou enchendo os dias de Schuyler de amor”, escreveu em seu depoimento. De acordo com Meredith, seu objetivo é ajudar mais pessoas a verem que a felicidade não deve ser definida pela condição física delas.