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Retirar o útero, como Lena Dunham, não garante fim de dor da endometriose

Getty Images
Imagem: Getty Images

Thamires Andrade

Do VivaBem, em São Paulo

16/02/2018 13h43

Lutando contra a endometriose há 10 anos, a atriz Lena Dunham, criadora da série Girls, revelou à "Vogue" que fez uma histerectomia, cirurgia de retirada do útero, para acabar com as dores da doença. No entanto, de acordo com especialistas ouvidos pelo VivaBem, o procedimento "agressivo", já que a atriz de 31 anos não pode mais engravidar naturalmente, não é garantia de que os incômodos desaparecerão.

A endometriose ocorre quando o tecido uterino (endométrio), que descama normalmente durante a menstruação, cresce em outros lugares fora do útero, como no abdome, nos ovários, na bexiga e no intestino. Isso pode causar cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual, alterações intestinais e urinárias, entre outros problemas. Segundo os médicos, remover o útero não garante a cura da doença.

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“O tratamento padrão é a cirurgia por videolaparoscopia para a retirada dos focos de endometriose. Assim, além de solucionar a doença e acabar com as dores, conseguimos preservar a fertilidade e manter a integridade dos órgãos reprodutores”, explica Arnaldo Cambiaghi, especialista em reprodução humana e diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia Obstetrícia e Medicina da Reprodução).

O problema é que ainda existe a crença de que o sangramento menstrual está relacionado com a endometriose. Portanto, ao retirar o útero, a doença cessaria. “O hormônio que é o fermento da endometriose é o estrogênio e ele não vem do útero, e sim, do ovário. Por isso, se a ideia [de Lena] era um tratamento mais agressivo para a doença, o correto seria a retirada dos ovários”, explica Rosa Maria Neme, ginecologista diretora do Centro de Endometriose São Paulo e doutora pela USP com estudos sobre endometriose.

E o que há de disponível hoje para tratar a doença?

Se a endometriose for leve, o tratamento é medicamentoso e feito com hormônios a base de progesterona, que combatem o efeito do estrogênio. “Quando aumentamos o nível de progesterona, conseguimos contrabalancear o estrogênio e diminuir os focos de endometriose”, explica Fábio Ohara, especialista em endoscopia ginecológica pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Nos casos de endometriose moderada ou grave, a indicação é cirúrgica para retirar os focos de endometriose. No entanto, para conseguir que a remoção seja bem-sucedida, os médicos precisam ter um bom diagnóstico do problema.

A partir das queixas típicas da doença (cólicas, dor na relação sexual, dificuldade para engravidar e alteração no intestino durante a menstruação), cabe aos médicos solicitar exames mais sofisticados do que aqueles de rotina, como Papanicolau.

O melhor exame diagnóstico atualmente é o ultrassom transvaginal com preparo intestinal feito por um profissional habilitado. Esse exame tem 99% de sensibilidade e consegue ver a localização dos focos de endometriose com precisão”, explica Neme. Outro exame que também é solicitado pelos médicos é a ressonância magnética pélvica.

Tem cura ou não?

Ainda que não exista um consenso de que exista cura para a doença, Cambiaghi acredita que só retorna após a cirurgia quando não foi possível retirar todos os focos. "Isso não quer dizer que o profissional foi incapaz. Mas quando a endometriose retorna após o procedimento cirúrgico é porque, provavelmente, a intervenção não foi suficiente. Muitas vezes o tratamento é feito em duas etapas: a primeira cirurgia para tirar os focos e uma segunda para ver se restou algo", afirma.

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