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Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

Conheça a fisioterapia do assoalho pélvico, que alivia dor e incontinência

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Imagem: iStock

Roni Caryn Rabin

Do New York Times

16/02/2018 16h44

O caso de Lawrence G. Nassar, o ex-médico da seleção americana de ginástica que foi condenado em janeiro por abuso sistemático de suas jovens pacientes, levanta muitas questões desconfortáveis. Uma das mais problemáticas é a forma como ele enganou pacientes, pais e outros médicos fazendo-os acreditar que seus “tratamentos” eram apropriados, mesmo depois de reclamações serem registradas.

Não era um total absurdo. Uma forma de fisioterapia chamada fisioterapia do assoalho pélvico usa manipulação, ou massagem, dos tecidos internos da vagina para aliviar a dor pélvica acessando músculos que não podem ser alcançados de outra forma. A terapia foi testada e teve resultados positivos em vários pequenos estudos e testes clínicos publicados em periódicos especializados.

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Mas o uso médico da fisioterapia do assoalho pélvico é feito especialmente em pacientes que apresentam dor pélvica persistente, problemas de intestino e bexiga, como incontinência, e dor em relações sexuais. Não é o primeiro tratamento prescrito para os problemas que geralmente atingem as ginastas, como dor nas costas e quadril, que geralmente não precisam de manipulação vaginal, dizem os especialistas.

Além disso, normalmente não são os médicos que fazem esse tipo de fisioterapia, mesmo que sejam, como Nassar, osteopatas treinados em técnicas manuais que usam alongamento e pressão para aliviar dores musculares. Os médicos que indicam fisioterapia do assoalho pélvico geralmente mandam suas pacientes para fisioterapeutas especializados e com certificados. E a maioria é mulher.

“Não é um requisito ser mulher, mas do ponto de vista do conforto da paciente, só trabalhamos com fisioterapeutas mulheres”, disse a Dra. Sangeeta Mahajan, ginecologista obstetra e chefe de divisão de Medicina Pélvica Feminina e Cirurgia Reconstrutiva do Centro Médico dos Hospitais Universitários de Cleveland, que frequentemente recomenda a terapia às pacientes.

Ao contrário de Nassar, os profissionais que aplicam essa terapia sempre usam luvas, que previnem infecções, mas que também deixam as pacientes mais confortáveis. Eles manipulam os músculos para soltar e alongar os que estão tensos e encurtados, ou fortalecer músculos fracos. Geralmente, prescrevem exercícios para as pacientes fazerem em casa.

Poucos conhecem o tratamento

“Não há nada de sexual no tratamento”, diz Rhonda Kotarinos, fisioterapeuta em Chicago especializada em assoalho pélvico e autora de vários estudos sobre a terapia.

Ela, assim como muitos outros fisioterapeutas, se preocupa agora com a possibilidade de mulheres com problemas pélvicos que poderiam se beneficiar do tratamento relutem em procurar ajuda com medo de serem abusadas sexualmente.

“Pode haver repercussão por causa do ocorrido. Se decidirem que os fisioterapeutas não podem aplicar esse tratamento, muitas mulheres vão sofrer com dores e terão a qualidade de vida comprometida”, disse Kotarinos. (Homens também podem desenvolver dor pélvica crônica e se beneficiam do tratamento; nesse caso, a massagem geralmente é feita pelo ânus.)

Muitos casos de dor pélvica muscular ainda não foram diagnosticados ou tratados, dizem os especialistas, e os pacientes geralmente recorrem a medicamentos ou cirurgias em vez de tentar procedimentos mais conservadores, como a fisioterapia.

“A maioria das pessoas não sabe o que os fisioterapeutas podem oferecer”, disse Lori Mize, diretora de educação da seção de saúde da mulher da Associação Americana de Fisioterapia e professora assistente de fisioterapia no Lynchburg College, na Virgínia.

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Um fisioterapeuta ensina como trabalhar os músculos do assoalho pélvico e ter mais controle da bexiga Imagem: iStock

Algumas pacientes que chegam a um consultório dizem que não estão confortáveis com a manipulação transvaginal, e os fisioterapeutas respondem que usam o método somente se a paciente entender o que está envolvido e consentir livremente. Além disso, geralmente o tratamento só é oferecido quando outras intervenções falham.

Karen Connor, também fisioterapeuta dos Hospitais Universitários em Cleveland, disse que usa modelos anatômicos tridimensionais da pelve para explicar aos pacientes o que isso implica.

“Tive pacientes que disseram: 'Ainda não estou pronta para isso'. E eu respondo: 'Tudo bem, podemos trabalhar a fraqueza do quadril e a rigidez das costas, e isso pode ajudar o assoalho pélvico'. A paciente está sempre no controle”, disse Connor.

Estudos comprovam eficácia do método

Kotarinos ajudou a desenvolver o protocolo para testes que compararam a fisioterapia do assoalho pélvico com outros tratamentos. Ela é coautora de um estudo de 2013, publicado no Journal of Urology, no qual 81 mulheres com assoalho pélvico fraco e síndrome da bexiga dolorida passaram por 10 sessões de fisioterapia do assoalho pélvico envolvendo manipulação muscular direta interna e externa ou 10 sessões de massagem corporal completa.

As mulheres que passaram pela fisioterapia do assoalho pélvico responderam melhor ao tratamento, com 59% das pacientes mostrando melhora nos sintomas, em comparação com 26% no grupo de massagem do corpo inteiro, embora ambos os grupos tenham tido alívio da dor e dos problemas urinários. (Uma limitação desses estudos é que os pacientes não podem ser "cegos" à sua forma de tratamento, o que pode influenciar os resultados.)

Outro pequeno estudo realizado por Mahajan, que se baseou na análise dos prontuários de pacientes de sua clínica, encontrou resultados de melhora na dor depois que os pacientes começaram a fisioterapia no assoalho pélvico --essa melhora se deu em proporção direta ao número de sessões que os pacientes tiveram. Dos 75 pacientes cujos casos foram examinados, 63% relataram diminuição significativa da dor.

Embora muitas mulheres desenvolvam problemas pélvicos após o parto ou mais tarde na vida, Mahajan disse que as ginastas são propensas a problemas do assoalho pélvico porque pousam com força e batem no chão repetidamente. Ela disse, entretanto, que era “inconcebível” que o tratamento pudesse ser apropriado para elas em determinadas circunstâncias.

Vários fisioterapeutas afirmaram que sugeririam a terapia para meninas menores de 18 anos apenas como “último recurso” em casos de lesão grave e apenas depois que outros tratamentos não surtissem efeito. E sempre deve ser feito com proteção.

“Tenho acompanhantes todos os dias em meu consultório, mas é sempre com luvas, com uma terapeuta, com consentimento e supervisionado. Essas garantias devem existir”, disse Mahajan.

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