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Quer ter filho? Suba na balança! Peso influencia diretamente na fertilidade

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Maria Júlia Marques

Do VivaBem, em São Paulo

23/01/2018 04h01

Não beber, não fumar, comer bem, ficar atenta ao ciclo menstrual para saber os dias do mês em que está no período fértil... Esses são só alguns cuidados que as pessoas que estão tentando engravidar costumam ter --com razão. E, se você quer ter um bebê, deve também ficar de olho no ponteiro da balança.

É isso mesmo. O peso influencia diretamente na fertilidade (da mulher e do homem). Portanto, flertar com a obesidade ou ser magro demais pode dificultar a gestação. 

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O que ocorre quando você está acima do peso?

Muitas mulheres sabem que o ovário produz o estrogênio, hormônio feminino importante por controlar a ovulação. Mas o que pouca gente sabe é que o ovário não é o único a fabricar a substância: o tecido adiposo (células de gordura) também gera estrogênio. Além disso, a gordura pode converter androgênios em estrogênio, abarrotando o organismo do hormônio.

Por que isso é ruim? Acontece que para a ovulação ocorrer com 100% de aproveitamento é preciso que toda a orquestra hormonal esteja alinhada e tocando junto. Em mulheres com sobrepeso, o tecido adiposo produz mais estrogênio do que o necessário. Isso provoca um desequilíbrio e os ovários não trabalham com excelência. Resultado: a mulher pode deixar de menstruar ou ovular de maneira deficiente.

Outro problema em estar acima do peso é desenvolver a resistência à insulina. Além de poder causar diabetes tipo 2, a condição afeta a produção de hormônios e prejudica a ovulação.

Os médicos afirmam que tendem a ter problema de fertilidade mulheres com 27 pontos ou mais no IMC (Índice de Massa Corporal). O cálculo do IMC é feito dividindo o peso (em quilogramas) pela altura (em metros) ao quadrado. Também fica mais difícil para quem é obeso realizar tratamentos de fertilidade. 

Se apesar das dificuldades mulheres acima do peso conseguirem engravidar, é importante que tenham um acompanhamento médico constante, pois há grande risco de complicações, como pré-eclampsia, diabetes gestacional, prematuridade do bebê e até aborto.

E se estiver magra demais?

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A magreza excessiva também causa falhas na produção hormonal. Quando o corpo tem baixo índice de gordura as taxas de colesterol tendem a cair. Isso é ótimo, desde que o nível da substância não fique muito fora do normal. O colesterol é usado pelo organismo para criar hormônios sexuais, como a progesterona e o famoso estrogênio. Sem gordura e sem colesterol não há hormônios para ovulação.

Como acontece com mulheres obesas, as muito magras têm desregulação  hormonal. Elas podem deixar de ovular e, por consequência, parar de menstruar.

É considerado um risco para a gravidez quando a mulher possui IMC abaixo de 17.

Pessoas muito magras também têm dificuldade de obter sucesso em tratamentos de fertilidade e maior risco de complicações durante a gravidez. Há tendência à anemia e o bebê pode sofrer com déficit de nutrientes e vitaminas. O neném não recebe o necessário para se formar, o que aumenta a possibilidade de nascimento prematuro e aborto.

Problema também é do homem

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Afinal, a mulher não consegue fecundar um óvulo sozinha, não é mesmo? O homem também precisa estar em dia com a balança para uma boa gravidez.

Em homens obesos existem dois alertas: a produção hormonal e a qualidade dos espermatozoides.

O processo é o mesmo: o tecido adiposo aumenta a taxa de estrogênio no organismo masculino. A grande quantidade do hormônio feminino confunde o cérebro do homem, inibindo a produção de espermatozoides.

Além disso, o saco escrotal fica para fora do corpo para permanecer cerca de 1 °C  abaixo da temperatura do restante do organismo, situação necessária para uma boa produção de espermatozoides. Como a gordura atua como isolante térmico, pode aumentar o calor lá embaixo e gerar lesões nos espermatozoides --que por sua vez podem gerar fetos sensíveis, aumentando o risco de aborto.

Nos muito magros, assim como nas mulheres, pode não haver nível adequado de colesterol, o que afeta a produção de hormônios e atrapalha ou encerra a qualidade dos espermatozoides.

Como aumentar a chance de engravidar?

O segredo é planejamento. Conseguir preparar o corpo do casal para uma gestação saudável é a melhor opção para quem deseja ter filhos.

Se for possível, tente visitar um médico um ano ou seis meses antes de dar início à temporada de tentativas. Os médicos podem avaliar o peso do casal e acompanhar possíveis problemas hormonais.

Mas, para ter uma ideia do que é o peso ideal mesmo antes de uma consulta, saiba que os especialistas indicam estar com o IMC entre 18 e 25 pontos. Já fez as contas?

Fontes: Pedro Monteleone, coordenador técnico do Centro de Reprodução Humana do Hospital das Clínicas, Maurício Chehin, médico especialista em reprodução humana e coordenador do projeto de oncofertilidade da Huntington Medicina Reprodutiva, Bárbara Murayama, ginecologista e coordenadora da Clínica da Mulher, do Hospital 9 de Julho, Renata Zambon K. Guidoni, obstetra com especialização em Cosmetoginecologia da Clínica Guidoni.

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