Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

Estresse engorda e faz o cabelo cair? Esclarecemos 9 perguntas frequentes

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Imagem: Getty Images

Helô Oliveira

Colaboração para o VivaBem

12/01/2018 04h00

De acordo com um levantamento realizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), o estresse atinge cerca de 90% da população mundial. No Brasil, 70% das pessoas afirmam sofrer com o problema, sendo que 30% chegam a ter níveis elevados de estresse. Considerado o mal do século, ele pode ser desencadeado por uma série de fatores, entre eles o excesso de atribuições e metas no trabalho, conflitos familiares e amorosos e dificuldades financeiras.

1) Estresse engorda?

Sim. Um estudo realizado pelo Instituto Weizmann, de Israel, e publicado na revista científica Proceedings of the Nacionational Academy of Sciences, mostrou que o estresse ativa uma área cerebral responsável por produzir uma proteína chamada UCN3, que desperta a vontade de comer e diminui a sensação de saciedade. Além disso, o aumento excessivo de adrenalina e cortisol diminui a queima calórica, desregula o controle de apetite, acelera a multiplicação de células de gordura e promove a produção do neuropeptídeo Y, que estimula a fabricação de mais tecido gorduroso.

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O cortisol em excesso ainda aciona o sistema de recompensa, mecanismo envolvido na regulação das sensações de recompensa e prazer, e provoca mudanças de paladar --o que nos leva a buscar conforto em alimentos calóricos, ricos em carboidratos e gorduras. A preferência por esse tipo de alimento se dá porque eles aumentam a produção de serotonina, conhecida como o hormônio do bem-estar.

Por curtos períodos, o estresse pode até suprimir hábitos alimentares e deixar o processo digestivo em segundo plano, já que o corpo estará mais preocupado em se defender de uma ameaça. “Isso pode causar uma perda pontual e momentânea de peso, mas logo o ciclo de ganho voltará a agir”, afirma Faleiros.

2) Aumenta a pressão arterial?

Os hormônios liberados quando você está estressado aumentam temporariamente a pressão sanguínea, fazendo o coração bater mais rápido e os vasos sanguíneos se estreitarem. Porém, não existe consenso de que esses picos temporários na pressão possam danificar os vasos sanguíneos, o coração e os rins de forma semelhante à hipertensão arterial de longo prazo. De qualquer forma, diversos comportamentos relacionados ao estresse, como o excesso de consumo de álcool e de cigarro e maus hábitos de sono, aumentam as chances de desenvolvermos hipertensão arterial sistêmica, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

3) Faz o cabelo cair?

Há evidências de que sim. “É claro que a maioria dos casos, principalmente entre homens, está relacionada a fatores genéticos, mas sabe-se que pessoas estressadas apresentam alterações na formação do bulbo capilar e reações inflamatórias do bulbo que contribuem para a queda do cabelo”, diz Faleiros. Sob situações de estresse, o organismo acelera a produção de uma substância conhecida como estriol, que pode impedir a entrada de nutrientes na região capilar e brecar o crescimento dos fios.

As altas taxas de cortisol no organismo também estão na lista dos fatores que influenciam na queda. Há, ainda, um tipo de perda de cabelo há muito tempo associada a questões psicossomáticas: a alopecia areata, doença que se desenvolve cerca de três meses após uma intensa carga estressante e pode gerar uma parada brusca no crescimento dos fios em uma área específica da cabeça.   

4) Dá dor de cabeça?

Existem tipos de dores de cabeça, principalmente enxaquecas e as denominadas cefaleias do tipo tensional, que estão intimamente ligadas ao estresse - como causador ou como agente potencializador da dor. Isso porque as altas doses de adrenalina e cortisol aumentam a frequência cardíaca, o que causa a vasoconstrição dos vasos que irrigam a cabeça.

5) Provoca dor nas costas?

Os hormônios do estresse também causam tensão muscular, principalmente dos músculos das costas e do pescoço. Essa tensão diminui a circulação sanguínea para os tecidos e, assim, reduz a quantidade de oxigênio e nutrientes que deveriam chegar até eles. “Sem a circulação adequada, não há a liberação necessária de resíduos ácidos, bioprodutos da atividade muscular, dos tecidos. Esse acúmulo de resíduos causa fadiga e dor”, destaca Faleiros.

6) Pode atrasar a menstruação?

Sim. O ciclo menstrual é um processo decorrente da secreção alternada de estrógeno e progesterona, produzidos pelos ovários, e dos hormônios luteinizante e folículo-estimulante, secretados pela hipófise. Situações estressantes, e a consequente liberação de cortisol, podem gerar uma disfunção da hipófise, causando amenorreia (ausência da menstruação) ou sangramento disfuncional. Problemas sexuais como impotência, ejaculação precoce, frigidez, infertilidade e perda do desejo sexual também podem estar relacionados ao estresse. 

7) Causa diabetes?

Para preparar o organismo para reagir a uma ameaça, o cortisol faz o organismo armazenar triglicérides, gordura que altera a resposta dos receptores de insulina, impedindo que o hormônio se encaixe neles como deveria. Essa condição, chamada de resistência insulínica, pode levar ao diabetes.

8) Diminui a imunidade?

Sim. O cortisol diminui a função de células de defesa denominadas leucócitos, desequilibrando o sistema imunológico e deixando o organismo à mercê de vírus e bactérias.

9) Como evitar o estresse?

Nem sempre é possível manter distância de situações estressantes, portanto, o ideal é cercar-se de hábitos e atitudes positivas. Cobre-se menos, aprenda a dizer “não”, pratique atividades físicas regularmente, adote uma alimentação balanceada, preze por boas noites de sono e reserve um tempo para o lazer --seja para viajar, meditar, fazer uma massagem, ouvir música, assistir a um filme, estar com a família ou encontrar os amigos. Caso sinta necessidade, é mais do que válido procurar ajuda profissional.

Fontes: Danilo Faleiros, psicólogo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Lívia Porto, endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, e Dirce Perissinotti, psicóloga e diretora da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED).

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