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Check-up VivaBem

Aqui boato não tem vez! Esclarecemos o que dizem por aí

Jejum intermitente é o melhor método para emagrecer?

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Imagem: Brunna Mancuso/VivaBem

Gabriela Ingrid

Do UOL, em São Paulo

20/12/2017 04h00

Deborah Secco, Sabrina Sato, Juliana Paes. O que essas famosas têm em comum, além do corpo seco e definido? Todas elas passaram muitas horas sem se alimentar para alcançar a boa forma. Conhecida como jejum intermitente, essa prática caiu no gosto das celebridades atrás de perder peso em tempo recorde. Mas, apesar de indicado por muitos nutricionistas, o jejum também coleciona críticas e ressalvas.

Ele faz perder peso?

Para que exista emagrecimento, é necessário que o gasto de calorias supere sua ingestão. Com a adoção do jejum intermitente pode ocorrer uma redução de calorias diárias, o que favoreceria o emagrecimento. Mas, uma vez que a pessoa para de jejuar, o peso volta. O efeito sanfona é um conhecido de quem adota a prática.

Antonio Herbert Lancha Jr., professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP e doutor em nutrição, lembra de um estudo publicado recentemente no periódico Jama (Journal of the American Medical Association). O trabalho analisou o efeito do jejum, inclusive no emagrecimento, e concluiu que o hábito não faz a pessoa perder mais gordura.

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Queima músculo ou gordura?

Ao não receber energia dos alimentos, para se manter funcionando, o organismo busca seu combustível em reservas de glicose no fígado e nos músculos. A questão é que essas reservas acabam em 12 horas e, a partir daí, o corpo começa a perder massa muscular. Quando acompanhado por um profissional, ele ajustará a ingestão proteica na dieta, fornecendo o suporte nutricional necessário para evitar essa perda.

É ruim para a prática de exercício físico?

É preciso ter extremo cuidado para aliar o jejum ao exercício. O ideal seria que os períodos de jejum ao longo do dia estivessem distantes dos momentos reservados para a atividade física, já que essa dieta  prejudica a oferta de energia necessária para realizar  um exercício e mesmo para se recuperar depois dele. Além disso, por lógica, uma dieta muito restritiva ou de período prolongado acaba comprometendo a ingestão de alguns nutrientes, o que estimula a perda de massa magra --isto é, de musculatura.

O importante é tomar essa decisão com o auxílio de um profissional de saúde. Além disso, pela dificuldade em adotar essa prática, muitas pessoas desistem logo no início. Portanto, pense bem antes de seguir a dieta do momento.

Fontes: Antonio Herbert Lancha Jr., doutor em nutrição; Maria Edna de Melo, presidente do Departamento de Obesidade da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia); a nutricionista Patricia Davidson Haiat; Lara Natacci, nutricionista da SBAN (Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição) e Christian Cruz, nutricionista da clínica Equilibrium Consultoria.