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Anticoncepcionais hormonais aumentam risco de câncer de mama, diz estudo

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Imagem: iStock

Gabriela Ingrid

Do VivaBem

08/12/2017 09h48

Uma nova pesquisa reascendeu o debate sobre os riscos do contraceptivo hormonal. Dessa vez, um estudo feito com 1,8 milhão de mulheres mostrou que o anticoncepcional aumenta em cerca de 20% as chances de câncer de mama.

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O estudo, que foi publicado na quarta-feira (6) no periódico The New England Journal of Medicine, acompanhou as mulheres dinamarquesas por mais de uma década e revelou que quanto mais tempo os produtos forem usados, maior o risco.

Os resultados mostraram que o uso com menos de um ano de anticoncepcionais baseados em hormônios --sob a forma de pílula, implante, adesivo, DIU ou anel vaginal-- elevou em 9% o risco. Contudo, com 10 anos de uso, o risco subiu para 38%.

Resultados devem ser observados em perspectiva

Um aumento de 38% pode parecer terrível, mas é importante ter em mente que o risco geral de câncer de mama nas mulheres (em comparação com a maioria dos cânceres) ainda é relativamente raro entre mais jovens.

Segundo César Fernandes, presidente da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), ao analisar o estudo, é possível perceber que, assim que as mulheres interrompem o uso do anticoncepcional, o risco desaparece. "Isso significa que o contraceptivo hormonal não promove dano no DNA, causando o câncer em si. Ele apenas antecipa a doença em mulheres que já têm predisposição a ela."

Em um editorial sobre o estudo, David Hunter, do Departamento de Saúde da Universidade de Oxford, na Inglaterra, colocou os resultados em perspectiva. Segundo ele, apesar de existir o aumento de 20% do risco entre mulheres que utilizam anticoncepcionais hormonais, as taxas de incidência de câncer de mama entre as mais jovens são muito baixas.

Fernandes concorda: "90% dos casos de câncer de mama são em mulheres que já estão na menopausa. O risco em jovens é mínimo."

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Outros métodos contraceptivos hormonais, como o DIU, também aumentam riscos. O DIU de cobre, no entanto, é opção de alta eficácia e não contém hormônios Imagem: iStock

Hunter ainda acrescenta que, em mulheres com menos de 35 anos, tomar um contraceptivo hormonal por menos de um ano adicionou apenas um novo caso de câncer de mama para cada 50.000 mulheres, ou seja, é muito raro.

Além disso, existem outros fatores de risco a serem considerados, como a idade e o histórico familiar. O estudo fez o melhor para levar em conta gravidez e riscos herdados geneticamente, mas não incluiu fatores como atividade física, amamentação e consumo de álcool, que aumenta o risco de câncer.

A influência de um longo histórico usando esse tipo de contracepção também parece se tornar menos significativa nas mulheres na pós-menopausa, entre 50 e 70 anos, quando o risco de obter câncer de mama aumenta significativamente.

Hunter acrescenta que, em contraste com um risco aumentado de câncer de mama, os anticoncepcionais orais reduzem as chances de desenvolver outras doenças ao longo da vida.

"Além do fato de que eles fornecem um meio eficaz de contracepção e beneficiam mulheres com cólicas menstruais ou sangramentos anormais, o uso de contraceptivos orais está associado a reduções substanciais nos riscos de câncer de ovário, endométrio e colorretal mais tarde na vida", diz Hunter. “Na verdade, alguns cálculos sugerem que o efeito líquido do uso de anticoncepcionais orais por 5 anos ou mais é uma ligeira redução no risco total de câncer."

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