Saúde

Sintomas, prevenção e tratamento de doenças

Cirurgia de catarata pode aumentar expectativa de vida

Paul Rogers/The New York Times
Imagem: Paul Rogers/The New York Times

Jane E. Brody

Do New York Times

07/12/2017 14h14

Após 72 anos míopes --55 dos quais usando óculos fundo de garrafa--, Jane Quinn, do Brooklyn, está encantada com o quanto consegue ver desde que passou por uma cirurgia de catarata no ano passado.

"É libertador conseguir enxergar sem óculos. Minha visão está fantástica. Consigo até dirigir à noite. Não vejo a hora de mergulhar com snorkel", disse.

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E fiquei encantada por poder dizer a ela que a cirurgia muito provavelmente fez mais do que melhorar sua visão ruim. Segundo resultados de um grande estudo, ela também pode ter aumentado sua vida.

Uma pesquisa que durou 20 anos, realizada com 74.044 mulheres de pelo menos 65 anos, todas com catarata, constatou um risco 60% menor de morte entre as 41.735 que fizeram a operação. A descoberta foi publicada no periódico JAMA Ophthalmology, em outubro, por Anne L. Coleman e seus colegas do Instituto de Olhos Stein da Faculdade de Medicina David Geffen, da Universidade da Califórnia, tendo Victoria L. Tseng como principal autora.

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Alimentos ricos em vitamina E e ácido graxo ômega três, como espinafre, também podem reduzir o risco de catarata Imagem: iStock

É possível se prevenir com alimentação

A catarata é o turvamento e a descoloração do cristalino do olho. Essa estrutura normalmente clara por trás da íris e da pupila muda de formato, permitindo que as imagens visuais recebidas foquem claramente na retina no fundo do olho. Quando a catarata se forma, a imagem vai ficando cada vez mais indistinta, os olhos se tornam mais sensíveis à luz clara, a visão noturna é prejudicada e, muitas vezes, se perde o contraste de cor. Uma amiga de 74 anos percebeu que precisava de cirurgia quando não conseguia ver as linhas ressaltadas em amarelo em um manuscrito que lia; para o marido, então com 75, foi o oftalmologista quem disse ter chegado a hora.

Geralmente, a catarata se forma aos poucos com a idade, e qualquer pessoa que viver tempo suficiente acabará por desenvolvê-la. O problema é a causa mais frequente de perda de visão em pessoas com mais de 50 anos. Fatores de risco comuns incluem exposição à radiação ultravioleta (isto é, a luz solar), fumo, obesidade, pressão alta, diabetes, uso prolongado de corticoides, miopia extrema e histórico familiar.

Usar chapéu e óculos escuros que bloqueiem cem por cento dos raios UV são fatores preventivos importantes. Comer muito alimento rico em vitamina E (como espinafre, amêndoa, semente de girassol e batata-doce), os carotenoides luteína e zeaxantina (na couve, espinafre e outros folhas verde-escuras) e ácido graxo ômega três (em espinafre e peixes oleosos, como cavala, salmão e sardinha) também podem reduzir o risco de catarata.

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A operação reduz o risco de morte por doenças infecciosas, além de câncer e acidentes Imagem: iStock

Por que fazer a cirurgia prolonga a vida?

A cirurgia de catarata é a operação mais realizada nos Estados Unidos, com mais de três milhões de norte-americanos passando por ela a cada ano, segundo a organização Prevent Blindness America. Com instrumentos pequenos, o cristalino nublado é sugado do olho e uma lente artificial é inserida no lugar. Após cerca de uma hora e meia de recuperação, o paciente pode ir para casa.

"A cirurgia de catarata pode não apenas propiciar uma vida melhor às pessoas, mas também fazer com que tirem maior proveito dela", afirma Coleman. As mulheres no estudo que passaram por cirurgia de catarata viveram mais tempo, ainda que, no geral, fossem mais doentes --enquanto grupo, elas tiveram mais infartos, doença pulmonar crônica, úlcera péptica e glaucoma do que quem não fez a cirurgia.

Segundo Coleman, estudos anteriores demonstraram um risco de mortalidade menor em homens e mulheres após a cirurgia de catarata. Além de confirmar as descobertas anteriores de menos mortes em mulheres, o novo estudo é grande o bastante para mostrar o quanto a operação pode estender a vida. Quem foi operado teve risco reduzido de morte por motivos cardiovasculares, pulmonares, neurológicos e de doenças infecciosas, além de câncer e acidentes.

Quando as pessoas veem melhor, "também se mexem mais e fazem mais exercício. Elas enxergam bem os remédios, o que aumenta a probabilidade de tomá-los – e de modo correto. A cirurgia também aprimora o contraste visual, reduzindo o risco de mortes acidentais por quedas ou batidas de carro. É importante dar a todos a melhor visão possível", explica Coleman.

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A catarata se forma aos poucos com a idade, e qualquer pessoa que viver tempo suficiente corre o risco de desenvolvê-la Imagem: iStock

Os riscos do procedimento e quando ele é recomendado

Embora existam riscos associados com a remoção da catarata, Coleman afirma que ela é provavelmente a operação mais bem-sucedida que temos, com índice de 98 por cento de êxito. As complicações potenciais, ainda que raras, incluem infecção, inflamação, descolamento da retina e visão dupla ou embaçada.

Houve progressos extraordinários na cirurgia de catarata desde a década de 1980. Anteriormente, a operação era feita com anestesia geral e os pacientes passavam noites no hospital e semanas se recuperando na cama. Agora, o procedimento é efetuado com anestésico local e as incisões são muito menores, muitas vezes sem precisar de pontos. Um olho é operado por vez, com o segundo passando pelo procedimento cerca de duas semanas depois do primeiro, e a recuperação é veloz.

Nas palavras de Quinn, a cirurgia "foi rápida e fácil – talvez cinco minutos – e foi como um milagre. Eu não conseguia acreditar como enxergava bem logo após fazer o primeiro olho".

Especialistas agora também reconhecem a sensatez de não esperar até a catarata estar "madura" e a visão seriamente reduzida antes de fazer o paciente considerar a operação. "Quanto mais se espera, mais difícil é a operação. É mais fácil remover a catarata antes que fique densa demais", diz Coleman.

O paciente é aconselhado a não dirigir no primeiro dia após a cirurgia, e evitar fazer força ou atividade pesada nas primeiras semanas. Incialmente, o olho operado deve ser protegido contra pressão, principalmente à noite, usando um tampão ocular, e um colírio antibiótico é receitado, além de outras precauções tomadas para reduzir o risco de infecção. A única reclamação de Quinn: não poder nadar --sua única atividade física diária-- durante seis semanas até os dois olhos estarem plenamente recuperados.

A lente artificial usada para substituir o cristalino escurecido agora existe em muitas opções que se adaptam ao estilo de vida do paciente, desejos e exigências médicas. Um maratonista ou tenista pode querer uma lente diferente da de um editor de livros.

Frequentemente, a lente artificial inserida corrige a pouca acuidade visual --Quinn passou de baixa visão severa a normal, seu astigmatismo grave sumiu e agora ela só precisa de óculos de leitura encontrados em farmácia. Contudo, o paciente pode escolher lentes que também corrijam a visualização distante, lentes que mudam de foco próximo ou distante em reação aos movimentos do músculo ocular e lentes bifocais ou progressivas. Outros tipos serão lançados.

Administradora de serviço social, Quinn tem um conselho sábio para quem precisa de cirurgia de catarata: "Pesquise. Eu estimulo as pessoas a se informarem bem sobre a operação, sua recuperação e as várias opções de lentes à disposição". E acrescentou que também é importante pesquisar sobre o médico para ter confiança nele.

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