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Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

Sim, as bactérias do intestino importam e são a chave para vida saudável

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Microbiota é a palavra da vez quando se trata de saúde e emagrecimento Imagem: iStock

Chloé Pinheiro

Colaboração para o UOL

23/11/2017 04h05

Sabe a flora intestinal? Com as recentes descobertas sobre o papel dela no organismo, seu nome científico mudou para microbiota --conjunto de bactérias e outros micróbios que vivem em nosso intestino grosso. A influência deles é tamanha que hoje a microbiota é considerada um órgão do corpo humano.

Para que serve a microbiota?

A colônia que vive ali atua no metabolismo, nas defesas do corpo e, quando se desequilibra, está ligada a males crônicos como diabetes e hipertensão. “Não se sabe muito bem o que vem antes, se é a alteração na microbiota ou a doença. O fato é que estão associados”, comenta Dan Waitzberg, gastroenterologista professor da USP (Universidade de São Paulo) e coordenador do grupo de estudos GANEP Nutrição Humana.

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A microbiota evita que o intestino seja colonizado por agentes que causam doenças pelo corpo, mas não só. Ela também colabora para o desenvolvimento das defesas do organismo desde o nascimento, com uma espécie de treino para combater ameaças.

É por causa desses seres microscópicos que também conseguimos obter alguns nutrientes bem importantes para a saúde, como vitamina K, B12 e ácidos graxos de cadeias curtas, substâncias que têm função anti-inflamatória, e ainda contribuem para a melhor absorção de minerais.

Microbiota também controla o peso?

Quem quer perder peso deve ficar de olho na microbiota. “Sabemos que indivíduos com obesidade têm níveis desproporcionais de algumas bactérias que favorecem o acúmulo de glicose”, conta Ana Caetano, imunologista da SBI (Sociedade Brasileira de Imunologia). Além disso, seu desequilíbrio pode aumentar as substâncias inflamatórias em circulação, o que abre caminho para algumas doenças, como o próprio diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares.

Como se forma a microbiota

Logo ao nascer, entramos em contato com micro-organismos que vão habitar vários órgãos do corpo. Para se ter ideia, temos mais micro-organismos do que células humanas dentro de nós. A primeira fonte é a mãe e, nesse sentido, o parto normal é melhor pois coloca o bebê já em contato com bactérias necessárias para a colonização adequada do intestino ainda no canal vaginal.

O contato com o mundo nesse início da vida acrescenta mais espécies ao time e são elas que ditarão as regras do intestino da pessoa.  Por volta dos 18 meses, a microbiota já está formada e é difícil mudá-la depois disso. É chamada de microbiota indígena, a que cresce conosco.

Cada microbiota é como se fosse uma impressão digital

E não existe uma dosagem ideal desses bacilos, pois cada microbiota é única, como uma impressão digital. “Existe uma colonização chamada normal, com uma quantidade maior de lactobacilos e bifidobactérias, fornecidos pelo aleitamento materno, mas o mais importante é a diversidade”, diz Ana.

Um estudo com mil pessoas de diferentes idades descobriu que os idosos mais saudáveis eram os que conseguiam manter a microbiota tão variada quanto a de um jovem igualmente saudável.

Por isso, é essencial investir desde cedo nos fatores que fazem crescer as espécies mais interessantes. Além do aleitamento materno, entra em jogo aqui o contato com o mundo externo e uma alimentação saudável. Assim, a microbiota fica satisfeita e trabalha a seu favor, funcionando em simbiose com o corpo.

Como melhorar a minha microbiota?

Apesar de a microbiota se estabilizar na primeira infância, algumas atitudes melhoram ou pioram sua constituição. As bactérias boas dependem das fibras presentes nos alimentos para viver.

São os prebióticos, frutas cítricas, cereais integrais, linhaça, gergelim etc.. “Nós não conseguimos metabolizar as fibras, mas as bactérias, sim. E é a partir daí que elas produzem os ácidos graxos de cadeia curta que precisamos para a imunidade”, comenta Ana. Além de manter a colônia bem nutrida, elas também atuam na redução do colesterol LDL, o ruim, e no metabolismo da glicose.

Os probióticos, como o leite fermentado à venda nos supermercados, de fato atuam na microbiota, mas sua eficácia ainda é controversa. “Alguns estudiosos dizem que se deve tomar sempre, outros que não faz diferença exceto em casos em que haja algum desequilíbrio como diarreia”, arremata Danielle Alves Gomes Zauli, bióloga pesquisadora do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Hermes Pardini.

E quais são os alimentos que fazem mal?

Por outro lado, açúcar e gordura saturada, encontrada em produtos de origem animal como manteiga, queijos e a própria carne, derrubam a diversidade da microbiota. Mas é preciso ficar cuidando sempre, manter-se ativo e comer bem. Os benefícios vão embora logo se essas medidas forem abandonadas.

Entram na lista de hábitos a serem eliminados o cigarro, o sedentarismo e o consumo excessivo de álcool. O excesso de estresse também não faz nada bem para esse ecossistema.

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