Saúde

Sintomas, prevenção e tratamento de doenças

Nova vacina traz esperança para a prevenção de herpes zóster

David Plunkert/The New York Times
Imagem: David Plunkert/The New York Times

Paula Span

Do New York Times

16/11/2017 11h52

Pesquisadores médicos e autoridades de saúde parecem empolgados com uma nova vacina para herpes zóster (conhecido popularmente como cobreiro).

"É realmente uma transformação profunda", diz o dr. Rafael Harpaz, antigo pesquisador de herpes zóster do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) que aprovou a vacina no mês passado nos Estados Unidos.

Segundo o dr. William Schaffner, especialista em doenças preveníveis da Faculdade de Medicina da Universidade Vanderbilt, "essa vacina tem um índice de proteção inicial espetacular em todas as faixas etárias. O sistema imunológico de uma pessoa de 70 ou 80 anos reage como se ela tivesse apenas 25 ou 30."

"Dá a impressão de ser uma revolução na vacinação de adultos idosos", concordou o dr. Jeffrey Cohen, médico e pesquisador do Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

Doença acomete mais idosos

O que provoca o entusiasmo chama-se Shingrix, que o laboratório farmacêutico GlaxoSmithKline pretende lançar neste mês. Grandes estudos clínicos internacionais demonstraram que ela previne mais de 90 por cento dos casos de herpes zóster, mesmo na terceira idade.

Zostavax, a atual vacina disponível, previne somente cerca de metade dos casos em quem tem mais de 60 anos e foi demonstrado que é muito menos eficaz entre pacientes mais velhos.

Ainda assim, essas são as pessoas que mais correm risco de contrair a doença, com sua dor geralmente intensa, sua ameaça à visão e a dor associada nos nervos que por vezes pode durar meses, até anos, depois que a vesícula inicial desaparece.

Quase todos os norte-americanos idosos têm o vírus varicela zoster que provoca o herpes; eles o adquiriram com a varicela (ou catapora) infantil, quer saibam se tiveram a doença ou não.

O vírus permanece adormecido até que, por motivos desconhecidos, surge décadas mais tarde. O risco cresce acentuadamente após os 50 anos.

Dificilmente o herpes é uma ameaça menor. "Um milhão de casos ocorrem nos Estados Unidos todos os anos. Se você tiver a sorte de completar 80 anos, sua chance de ter a doença é de um para dois ou de um para três", diz Schaffner.

Prevenir a maioria dos casos --além do risco de dor prolongada e debilitante, a chamada nevralgia pós-herpética-- representaria um grande progresso na saúde pública.

Assim, embora a vacina antiga permaneça no mercado, o comitê do CDC decidiu transformar a Shingrix em vacina preferida e a recomendou para todos os adultos com mais de 50 anos --grupo uma década mais jovem do que os antes incentivados a tomar a Zostavax.

"No começo de 2018, ela deve estar amplamente disponível para os consumidores nos EUA", diz o dr. Thomas Breuer, diretor médico da GSK Vaccines. A Shingrix também foi aprovada pelo Canadá; a vacina aguarda aprovação na Austrália, Japão e Europa.

O que torna a nova vacina tão promissora, principalmente para idosos?

Ela oferece melhor proteção contra herpes desde o começo. Embora a Zostavax, lançado em 2006, possa reduzir casos de herpes pela metade (e a nevralgia pós-herpética em dois terços), o índice total oculta as grandes diferenças por faixa etária.

A eficácia da vacina cai de 65 por cento para pessoas na casa dos 60 anos para 38 por cento entre quem tem mais de 70, diminuindo ainda mais no caso de quem já passou dos 80.

Porém, a nova vacina protege tão bem os idosos quanto pessoas de meia-idade. A Shingrix acumula eficácia de 97 por cento em quem tem mais de 50 anos; em estudo separado com pessoas com mais de 70 anos, ela preveniu 90 por cento dos casos de herpes até de quem tinha bem mais de 80.

"Em grupos tão idosos, que nem sempre apresentam reações vigorosas a vacinas, isso representa uma proteção extremamente forte à doença", afirma a dra. Kathleen Dooling, epidemiologista do CDC.

A proteção da Shingrix parecer ser mais duradoura. Entre os idosos, a eficiência da Zostavax se reduz com velocidade decepcionante. "Passados 11 anos, a proteção era quase zero", diz Harpaz.

Os órgãos reguladores ainda não têm 11 anos de dados sobre a Shingrix, mas em algumas amostragens, ela permaneceu eficaz por seis anos ou mais, segundo a GSK. Isso também deve reduzir a incidência de nevralgia pós-herpética, desde que os 42 milhões de pessoas na faixa dos 50 anos comecem a se vacinar.

Vacina pode proteger pessoas com sistemas imunológicos comprometidos

Um grande número de norte-americanos idosos tem imunidade reduzida porque faz quimioterapia, é transplantado, tem HIV ou toma esteroides. Para eles, a vacina anterior era proibida porque era feita com vírus vivo enfraquecido.

E a supressão imune em si deixa as pessoas vulneráveis ao herpes. A Shingrix, vacina recombinante feita com uma glicoproteína e uma combinação de adjuvantes, estimulantes da imunidade, não representa o mesmo perigo.

O comitê do CDC não recomendou a Shingrix para os imunocomprometidos porque a GSK ainda está realizando testes com esses pacientes. Contudo, como a FDA não declarou a vacina contraindicada para eles em sua aprovação, tais pessoas podem tomá-la assim que estiver disponível.

Defensores da saúde pública preveem alguns problemas potenciais

Em primeiro lugar, a Shingrix exige duas doses, administradas com pelo menos dois meses de diferença. Não é fácil fazer a população idosa se vacinar --meros 31 por cento das pessoas com mais de 60 anos foram vacinadas contra herpes. Será muito difícil convencê-las a tomar duas injeções de Shingrix?

Além disso, "costuma ser uma vacina dolorosa", alerta Schaffner.

Em estudos, a maioria dos pacientes idosos contou ter sentido dor, vermelhidão ou inchaço na parte superior do braço durante um dia ou dois após a picada e, 8,5 por cento das pessoas com mais de 70 anos, consideraram os sintomas incômodos a ponto de interferir nas atividades normais.

Quase metade das pessoas com mais de 70 anos também relatou efeitos colaterais sistêmicos, como fadiga, febre ou dor nas articulações, durante um ou dois dias. Médicos e farmacêuticos devem prepará-las para tais reações, declara Schaffner.

"Sabendo de antemão, elas vão reagir melhor. Vão tomar algumas doses de Tylenol" – e não se preocupar com o fato de que algo possa estar errado.

Elas também podem sentir dor no bolso. A Zostavax é a vacina mais cara para adultos, e custando US$140 por dose (mais o custo da injeção), a Shingrix deve ser ainda mais cara.

Para aqueles entre 50 e 65 anos, muitos com cobertura médica oferecida pelo plano de saúde, o valor pode não ser uma barreira. Em idades mais avançadas, o custo tem importância maior.

Mesmo assim, não deveria haver margens para a dúvida: os perigos do herpes zóster e suas complicações são muito maiores do que quaisquer problemas já relatados com a Shingrix.

"Comparado com herpes, um pouco de dor no braço por um ou dois dias é um preço pequeno a se pagar. Quem conhece pessoas com essa doença será o primeiro na fila da vacina", diz Schaffner.

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