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Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

Michel Temer sofre obstrução urológica; entenda o que pode ter causado

Fátima Meira/Futura Press/Folhapress
23.10.2017 - O presidente do Brasil, Michel Temer durante, cerimônia embaixadores no Palácio do Planalto em Brasília Imagem: Fátima Meira/Futura Press/Folhapress

Maria Júlia Marques e Vivian Ortiz

Do UOL, em São Paulo

25/10/2017 16h36Atualizada em 25/10/2017 17h24

O presidente Michel Temer foi levado nesta quarta-feira (25) ao Hospital do Exército em Brasília, depois de sofrer uma obstrução urológica. De acordo com a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República, Temer teve um desconforto no fim da manhã de hoje e foi consultado no próprio departamento médico do Palácio do Planalto.

"O médico de plantão constatou uma obstrução urológica e recomendou que fosse avaliado no Hospital do Exército, onde se encontra para realização de exame e devido tratamento", diz o texto. Ainda de acordo com o Planalto, o presidente foi submetido a uma sondagem vesical de alívio por vídeo e está em repouso, mas passa bem e deverá ter alta ainda hoje. A seguir, leia as principais questões sobre a complicação:

Fontes: Marcelo Bendhack, uro-oncologista, presidente da Associação Latino-americana de Uro-Oncologia e da Sociedade Brasileira de Urologia, Alex Meller, urologista da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) e Victor Srougi - urologista do Hospital Moriah, em São Paulo (SP).

O que pode ser?

O termo 'obstrução urológica' é muito genérico e não seria uma doença, mas, sim, uma complicação. De modo simples, a obstrução é quando algo dentro do corpo impede a urina de sair, mas é preciso investigar qual foi a causa para esse "entupimento". O que dá para saber com certeza é que há um problema no trato urinário, que envolve os órgãos do rim, bexiga, próstata, e vai até a ponta do pênis.

Se o problema foi na parte alta do trato urinário, o mais comum é que a obstrução seja oriunda de pedras nos rins. Os cálculos podem impedir completamente ou parcialmente o caminho da urina. Contudo, as pedras são mais comuns em uma faixa etária de 20 a 60 anos, o que não abrange Temer, que já completou 77 anos.

Ainda na parta alta, as obstruções urológicas podem ser causas por coágulos e tumores, mas só exames específicos podem determinar qual a causa exata.

Nas partes mais baixas do trato urinário, que vai da bexiga até a ponta do pênis e inclui próstata e uretra, a obstrução também pode ser causada por pedras nos rins que conseguiram passar pela parte alta, coágulos e tumores (benignos ou malignos). Ainda existe a possibilidade de ter ocorrido o crescimento benigno da próstata, que é quando ela cresce mais do que o necessário e acaba dificultando o “trânsito” na região, o que acontece naturalmente em alguns homens e pode ser corrigido com remédios ou cirurgias.

Quais são os primeiros sinais?

Quando as dores são causadas por pedras nos rins, é comum uma dor muito forte que predomina em um dos lados do corpo --predominantemente na região dos flancos. Como a pedra estará saindo de um dos rins, apenas o lado afetado irá doer. Caso as dores sejam da parte baixa do trato urinário, é comum ter fortes cólicas abdominais, concentradas pouco abaixo do umbigo, que causam uma pressão muito intensa. Tudo isso costuma fazer o paciente procurar o médico quase que imediatamente, o que evita mais complicações do quadro.

Sondagem vesical

De acordo com os entrevistados, tal procedimento serve para deixar o caminho da urina livre. O método é normalmente escolhido para tratar obstruções nas partes baixas do trato urinário. Levando em conta a idade do presidente, é mais provável que o problema seja o crescimento da próstata.

E o tratamento?

Os tratamentos também variam de acordo com o que levou a obstrução urológica. Podem ser por remédios ou cirurgias. A ideia é que assim que as dores se manifestarem ir ao hospital e fazer exames para indicar sua causa. No primeiro momento, os médicos colocam uma sonda para liberar a urina, pois essa pressão agrava as dores do paciente. Em seguida, é avaliado o tratamento mais adequado.

Temer, que completou 77 anos em setembro, fez um check-up recentemente em São Paulo e, segundo seus auxiliares, o estado de saúde do presidente era normal. Temer cumpria agenda normalmente nesta quarta, dia em que a segunda denúncia contra ele pode ser apreciada pelo Plenário da Câmara dos Deputados.