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Cirurgia bariátrica: mitos e verdades do tratamento para obesidade

Mamma Bruschetta fará cirurgia bariátrica em 2018 imagem: Divulgação/TV Gazeta

Do UOL

24/10/2017 15h53

Depois de André Marques e Leandro Hassum, foi a vez de Mamma Bruschetta decidir fazer a cirurgia de redução do estômago. Pesando cerca de 190 quilos, a apresentadora pretende realizar a bariátrica no início do ano que vem.

Números da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) mostram que esse tipo de cirurgia cresceu 6,25% em relação a 2014. Mas apesar de muito procurada, as dúvidas sobre a cirurgia ainda são muitas: há risco de engordar depois? Qualquer um pode fazer? Quais os riscos?

Conversamos com especialistas no assunto para esclarecer o que de fato é mito ou verdade sobre a bariátrica.

1. Qualquer pessoa que se sentir acima do peso pode fazer

Mito. Ela é indicada, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para pacientes com IMC acima de 35 Kg/m² que tenham complicações como apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes, aumento de gorduras no sangue e problemas articulares, ou para pacientes com IMC maior que 40 Kg/m² que não tenham obtido sucesso na perda de peso após dois anos de tratamento clínico (incluindo o uso de medicamentos).

2. A operação força as pessoas a comer menos ao reduzir o estômago

Parcialmente verdade. Isso ocorre, mas não é o único motivo pelo qual a pessoa emagrece. Cientistas descobriram que a cirurgia provoca mudanças profundas na fisiologia do paciente, alterando a atividade de milhares de genes no corpo humano, além do complexo sistema de sinalização hormonal do sistema digestivo para o cérebro. A operação também costuma levar a mudanças no paladar das coisas, fazendo desaparecer alguns desejos alimentares. Quem passa pela cirurgia se acomoda naturalmente em um peso mais baixo.

3. Tem os mesmos riscos que qualquer outro tipo de cirurgia

Verdade. Caetano Marchesini, presidente eleito da SBCBM, nega que ela seja um procedimento perigoso. “Atualmente, a bariátrica é reconhecida como a forma mais eficaz de tratar obesidade mórbida. Tem os mesmos riscos que qualquer outro tipo de cirurgia e pode ter complicações --como sangramento ou trombose. Ou seja, problemas não necessariamente relacionados à técnica”, explica o médico. No entanto, o paciente precisa compreender que fazer a operação é uma decisão para a vida inteira e representa a cura para uma doença, a obesidade. Por isso mesmo, passa longe de ser um tratamento estético ou uma solução mágica.

Bariátrica é reconhecida como a forma mais eficaz de tratar obesidade mórbida imagem: iStock

4. O único médico a ser consultado é o gastroenterologista e o cirurgião

Mito. Os cuidados incluem apoio nutricional, psicológico e psiquiátrico --caso seja necessário--, além de um acompanhamento multidisciplinar permanente e anual para que a pessoa permaneça saudável e bem longe dos antigos hábitos. Para a vice-presidente da Comissão de Especialidades Associadas da SBCBM (COESAS), Andrea Levy, que também é psicóloga clínica e bariátrica, algo fundamental para o sucesso do procedimento é o bom preparo. "Esta é uma cirurgia eletiva [o paciente agenda o procedimento], não emergencial, e com efeitos para o resto da vida. A pessoa precisa estar com a saúde clínica e mental em ordem”, explica. Por isso, além do diagnóstico clínico, é importante fazer um acompanhamento psicológico bem detalhado antes da operação. "Se descobrirmos uma depressão ou ansiedade, por exemplo, melhor adiar”.

5. Há risco de a pessoa trocar o vício da comida por outro

Verdade. Segundo Andrea, a absorção do álcool fica mais rápida depois da cirurgia, o que pode gerar um comportamento abusivo em quem já fazia uso de bebidas antes. “Mas quero ressaltar que não é o que acontece na maioria dos casos, e, sim, algo em torno de 2% a mais da população que já tem problemas com a bebida”, diz Andrea.

6. A “nova bariátrica” é tão eficaz quanto a original e ainda dispensa cirurgia

Mito. A gastroplastia endoscópica, que costura o estômago sem cortes para reduzir seu tamanho, ainda não foi reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) como tratamento contra a obesidade. “É provável que o procedimento tenha seu lugar no tratamento da obesidade de grau 1 ou de indivíduos com sobrepeso, mas ainda faltam estudos com acompanhamento a longo prazo”, comenta Eduardo Moura, cirurgião diretor do Serviço de Endoscopia Gastrointestinal do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

7. Existe uma tendência à anemia no pós-operatório

Verdade. Entre os pacientes, as mulheres têm maior tendência à anemia, por causa da menstruação, perda de ferro e pouca presença de carne vermelha na dieta. Essa situação pode ser minimizada com a ingestão de alimentos ricos em ferro, ou, se necessário, com a utilização de suplementos vitamínicos, muitas vezes durante o resto da vida.

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