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Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

Câncer de pulmão cresce entre não-fumantes; identificar mutação é essencial

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Gabriela Ingrid

Do UOL

23/10/2017 16h37

Tumor maligno mais comum no mundo, o câncer de pulmão atinge mais de um milhão de pessoas por ano. Em 90% dos casos, a doença está associada ao tabagismo, no entanto, número de não-fumantes acometidos por esse tipo de câncer cresceu rapidamente nas últimas duas décadas.

“Para se ter uma ideia, entre 1990 e 2013, no Reino Unido, a quantidade de pessoas que não fumam e que foram diagnosticadas com câncer de pulmão foi de 13% a 28%. Nos Estados Unidos, esse número foi de 8,9% para 19,5%”, disse Marcelo Cruz, oncologista clínico da Northwestern University, em Chicago, nos Estados Unidos.

Mas se não for o cigarro, quais outros fatores predispõem essas pessoas ao câncer de pulmão? Segundo Cruz, a junção de diversos componentes não relacionados ao tabaco podem ser os culpados. “Recentemente, um estudo de um grupo brasileiro liderado por Paulo Saldiva [médico especialista em poluição atmosférica e professor da USP] mostrou que a poluição das queimadas é tão prejudicial quanto a liberada por fábricas e automóveis.”

Exposição a gases radioativos e fatores genéticos também entram na lista. “São vários fatores que juntos podem aumentar a quantidade de pessoas com a doença. Mas é importante alertar para o fato de que não são só idosos e fumantes que têm a doença. Eu recebo muitos pacientes com 30 e 40 anos que nunca fumaram e têm esse tipo de câncer”, disse Cruz.

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Queimadas também são responsáveis pelo aumento de câncer de pulmão em pessoas que não fumam Imagem: iStock

Identificar tipo de câncer de pulmão agiliza diagnóstico e aumenta sobrevida

Tosse, fadiga, falta de ar, dor no peito e perda de apetite são os principais sintomas da doença. Parecem comuns, certo? Exatamente por esse motivo que o diagnóstico do câncer de pulmão é tão difícil. Isso faz com que a doença seja descoberta tardiamente e a sobrevida do paciente diminua drasticamente. “Falta acesso a informação, a exames, a testes moleculares e ao tratamento adequado”, diz Cruz.

A taxa de sobrevida de pacientes que fizeram o tratamento convencional de quimioterapia é de apenas 4%. “A maioria morre em até dois anos”, afirma Cruz.

Além do diagnóstico tardio, a falta de tratamento específico também é um entrave para a qualidade de vida futura do doente. “Quando se trata de câncer no pulmão, a quimioterapia é um tiro de canhão. Ela mata aleatoriamente tudo. Isso diminui a qualidade de vida em pacientes que já tem uma expectativa de vida limitada”, diz Marcelo Horácio, diretor executivo médico da AstraZeneca Brasil e América Latina.

O câncer de pulmão é resultado de mutações em tipos de genes específicos. Se identificados quais genes sofreram mutações, mais específico é o tratamento e mais eficaz a recuperação do paciente. Segundo Cruz, identificar a mutação e fazer o tratamento adequado representa uma sobrevida de 15% nos pacientes.

E a forma de identificar esses genes modificados já existe, basta ser solicitada pelo médico. As farmacêuticas multinacionais AstraZeneca, Bristol-Myers Squibb e Pfizer acabaram de anunciar uma parceria para disponibilizar exames de detecção para três diferentes subtipos da doença. Os programas foram batizados de ID, I-O Detect e ALK Alvo. “Identificar a correta mutação de maneira rápida ajuda a direcionar o tratamento e, com isso, melhorar os resultados dele”, disse Cruz.