Movimento

Inspiração pra fazer da atividade física um hábito

Vai correr uma maratona no fim do ano? Então trate de exercitar os músculos

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Imagem: iStock

Gretchen Reynolds

Do The New York Times, em Nova York

22/10/2017 12h11

Correr uma maratona é fisicamente extenuante, mas não necessariamente pelos motivos que alguns acreditam, segundo novo estudo publicado a respeito dos impactos fisiológicos relativos a uma corrida de 42 quilômetros em comparação aos de uma meia maratona de 21 quilômetros.

As descobertas oferecem percepções úteis sobre como os corredores podem se preparar melhor para uma maratona. Elas também ressaltam os possíveis motivos para se optar por uma meia maratona.

Neste novo estudo, publicado no "Journal of Sports Medicine and Physical Fitness", pesquisadores da Espanha decidiram acompanhar corredores participantes da maratona e da meia maratona anuais de Madri, que acontecem na mesma hora e no mesmo trajeto durante os primeiros 21 quilômetros.

A intenção dos pesquisadores era avaliar o que acontece fisicamente aos corredores amadores, enquanto correm essa distância e como qualquer restrição física pode afetar seu desempenho. Em particular, eles estavam interessados nos papéis que a desidratação e a dor muscular podem desempenhar no tempo de chegada dos corredores.

Ao contatar corredores inscritos, os cientistas recrutaram 11 experientes se preparando para a maratona e outros 11 atletas, com idade, peso e experiência com corrida similares, que disputariam a meia. No dia anterior à corrida, os cientistas fizeram os corredores visitar o laboratório, onde coletaram sangue e conferiram dados básicos para desidratação e marcadores bioquímicos de lesão muscular.

Os cientistas também solicitaram que cada corredor desse vários saltos verticais. Esse teste indica quanta força os músculos das pernas podem gerar. Quando os músculos estão cansados, as pessoas não conseguem saltar tão alto. Os cientistas anotaram a altura máxima obtida por cada atleta.

Na manhã seguinte, pouco antes do começo da corrida, os corredores foram a uma barraca médica onde se pesaram e instalaram medidores da transpiração. Depois, eles correram. Todos terminaram a corrida, tanto na meia quanto na maratona. Posteriormente, voltaram à barraca para se pesar, coletar mais sangue, dizer como se sentiam e repetir os saltos verticais.

Enfim, os pesquisadores compararam os dados

Sem surpresa, os atletas da meia maratona demonstraram ter tido facilidade. Eles perderam peso corporal com o suor, mas não estavam seriamente desidratados. Também tinham níveis elevados de marcadores no sangue ligados à lesão muscular, na comparação com o dia anterior. Entretanto, os níveis eram bem mais baixos do que no sangue dos que completaram os 42 quilômetros. Os corredores da meia maratona também conseguiam saltar mais alto após a corrida do que os maratonistas. Segundo todos os indicadores, suas pernas ainda estavam relativamente em bom estado.

Um aspecto mais interessante foi que os atletas da meia maratona tinham conseguido manter um ritmo constante durante a corrida. Na verdade, a maioria acelerou um pouco perto do final. O ritmo médio nos últimos cinco quilômetros tendia a ser alguns segundos mais veloz do que nos cinco primeiros.

Já os maratonistas reduziram o passo. A maioria correu em um ritmo constante nos primeiros 21 quilômetros, mas depois passou a frear progressivamente, de forma que os últimos cinco quilômetros foram significativamente mais lentos do que a mesma distância inicial. Os atletas com o nível mais elevado de marcadores no sangue de lesões musculares apresentaram maior declínio no ritmo. Eles também relataram mais dores nas pernas após a corrida do que os atletas da meia maratona.

Levi Bianco/Brazil Photo Press
31.dez.2016 - Milhares de corredores passam pela Av. Paulista, em São Paulo, durante 92ª edição da corrida internacional de São Silvestre Imagem: Levi Bianco/Brazil Photo Press

Para percorrer longas distâncias, prepare sua musculatura

A descoberta pode parecer previsível. A maioria talvez espere que correr uma maratona completa seja mais cansativo do que completar uma meia, e que quanto mais os músculos doerem, mais lento você será.

Todavia, segundo Juan del Corso, professor de fisiologia da Universidade Camilo José Cela, em Madri, que chefiou o estudo, os dados apresentaram surpresas. Por exemplo, nenhum dos voluntários das duas modalidades ficou clinicamente desidratado. Assim, a desidratação não tornou a maratona mais difícil.

Fundamentalmente, os maratonistas, em teoria, deveriam estar preparados para os rigores da distância, ele avalia. Eles correram mais quilômetros durante o treinamento do que os atletas da meia maratona. Apesar das corridas rigorosas, no entanto, as pernas não estavam plenamente preparadas para a maratona. Os músculos ficaram levemente lesionados e doloridos, principalmente na segunda metade da corrida, levando à redução do ritmo.

De acordo com o professor, os resultados implicam que "apenas correr longas distâncias não basta para preparar a musculatura das pernas para as grandes exigências de um evento de resistência como a maratona". Pelo contrário, treinamento de força direcionado à parte inferior do corpo pode ser necessário para preparar os músculos contra as lesões leves que ocorrem durante as horas da maratona.

Sem dúvida, o estudo foi pequeno, de curta duração e examinou somente alguns aspectos da corrida de distância. Porém, a mensagem subjacente parece se aplicar a todos que treinam nesse sentido.

"Treinar em academia", com o uso de máquinas e pesos para desenvolver a força e a potência na musculatura das pernas, "pode muito bem auxiliar a preparar os músculos para o estresse imposto por essas corridas longas", afirma del Corso.

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