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Mulher sofre de "Síndrome do Coração Partido" após sua cachorrinha morrer

Arquivo Pessoal/Joanie Simpson
Cachorrinha Meha morreu aos nove anos e deixou sua dona de "coração partido" Imagem: Arquivo Pessoal/Joanie Simpson

Do UOL

22/10/2017 11h43

Joanie Simpson, 62, acordou mais cedo que o de costume com uma terrível dor nas costas. Seu peito começou a doer assim que ela se levantou. Em cerca de 20 minutos, ela já estava em uma sala do pronto-socorro local, no Texas, Estados Unidos. Logo ela estava sendo transportada para um hospital em Houston, onde os médicos já estavam preparados para receber mais uma paciente exibindo os sintomas clássicos de um ataque cardíaco.

Mas os exames realizados no Memorial Hermann Heart & Vascular Institute revelaram algo bem diferente. Os médicos, em vez disso, diagnosticaram Joanie com cardiomiopatia de Takotsubo, uma condição com sintomas bem parecidos com um infarto e mais conhecida como a "Síndrome do Coração Partido”.

Morte de cachorrinha deixou Joanie "inconsolável"

A condição se manifesta, geralmente, após um choque emocional, como a perda de um cônjuge ou filho. No caso de Simpson, o que desencadeou a síndrome foi a morte de sua cachorrinha Meha, uma yorkshire terrier de nove anos.

A experiência de Simpson, ocorrida em 2016, foi descrita no periódico New England Journal of Medicine. E a história exemplifica o dano físico que um grande sentimento de tristeza pode causar ao corpo, após perder alguém.

Em entrevista ao jornal americano "Washington Post", Joanie disse: "Eu fiquei realmente inconsolável". E, embora esse não seja o primeiro caso publicado que liga a síndrome do coração partido à morte de um animal de estimação, o caso vem para ressaltar o que muitos donos de animais já sabem: o sofrimento por conta da perda dos bichinhos pode ser tão destrutivo quanto o sentido na morte de uma pessoa próxima.

Síndrome é mais comum em mulheres

Pouco conhecida até entre médicos, a Síndrome do Coração Partido leva muita gente --especialmente mulheres a partir dos 55 anos-- ao pronto-socorro com a certeza de estar sofrendo um infarto. O problema ocorre após uma pessoa passar por forte emoção.

Chamada oficialmente de cardiomiopatia de Takotsubo, a síndrome foi relatada pela primeira vez por médicos japoneses, no início dos anos 1990. Foi assim batizada graças à imagem do ventrículo esquerdo na sístole que, após o problema, se assemelhava a uma armadilha para capturar polvos (tako) em forma de pote (tsubo) muito comum no Japão.


Guilherme de Menezes Succi, membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, diz que a doença acomete quase que exclusivamente mulheres na fase pós-menopausa. “As causas exatas para isto ainda não estão claras, mas parece haver relação com a redução dos níveis de estrogênio na pós-menopausa e, consequentemente, do seu efeito protetor do endotélio, que é a camada interna das artérias”.

Sem obstrução

No infarto clássico, as artérias fecham e o coração não volta a funcionar. Na síndrome, a artéria não tem obstrução, o coração para, mas volta ao normal. Os sintomas, porém, são os mesmos do infarto: dor no peito, queda de pressão, desmaio. Porém, na grande maioria dos casos, a pessoa vai melhorando e fica sem sequelas.