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Médicos pensaram que mulher tinha câncer, mas era resquício de tatuagem

Getty Images
Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

04/10/2017 12h31

Após suspeitar que uma paciente estava com um tipo de câncer chamado linfoma, médicos australianos ficaram atordoados quando colocaram o nódulo linfático retirado da paciente em um microscópio, e, em vez disso, descobriram pigmentos de tatuagem pretos que essa mulher havia feito 15 anos antes, aos quais o sistema imunológico estava reagindo apenas agora.

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O estranho caso foi relatado na última segunda-feira (2) no Annals of Internal Medicine. A mulher, atualmente com 30 anos, notou pequenas protuberâncias sob seus braços cerca de duas semanas antes. Ao procurar um médico, o exame corporal mostrou ainda gânglios linfáticos em seu peito, perto dos pulmões.

Reprodução/CNN
Linfonodo encontrado pelos médicos na paciente. Imagem: Reprodução/CNN

"Em 99% dos casos, isso seria um linfoma", explicou o Dr. Christian Bryant, hematologista do Royal Prince Alfred Hospital em Sydney --e um dos médicos da mulher-- para a CNN. Muitos tipos de câncer --incluindo linfomas, provenientes de células imunes-- podem causar inchaço nos gânglios linfáticos. Os linfonodos também podem aumentar devido a infecção e inflamação.

No caso da mulher australiana, cujo nome não foi revelado, seus nódulos linfáticos estavam inflamados devido a uma reação de seu corpo a tinta da velha tatuagem, e não por causa de células cancerígenas. Há 15 anos, ela havia feito uma tatuagem cobrindo suas costas, e havia tatuado outra mais recentemente, de tamanho menor, no ombro.

Os médicos removeram um nódulo linfático da axila e encontraram um conjunto de células imunes que estavam cheias de pigmento preto. "A pele tem suas próprias células imunes, que estão sempre em processo de vigília", disse o Dr. Bill Stebbins, diretor de dermatologia estética do Centro Médico da Universidade de Vanderbilt, e que não estava envolvido diretamente no caso.

Uma vez que essas células imunes encontraram o pigmento da tatuagem, que é uma substância estranha ao corpo, elas o ingerem e "viajam" pelos gânglios linfáticos ao longo de um período de anos. "O pigmento é muito grande para que essas células possam comer e digerir", disse Stebbins. "É por isso que eles ainda estão lá após todos esses anos."

Contudo, o fato dessa mulher ter uma reação 15 anos após fazer a tatuagem ainda é um mistério. Muito provavelmente algo desencadeou as células imunológicas, mas os médicos ainda não conseguiram identificar o que esse gatilho poderia ser.

Reação inédita

A paciente observou que suas tatuagens coçavam de vez em quando, mas apenas durante alguns dias no mês. O tipo de resposta inflamatória encontrada em seus linfonodos, chamado granuloma, não foram encontrado em sua pele. Bryant e seus colegas nunca haviam visto nada parecido.

Outros relatórios já descreveram gânglios linfáticos pigmentados e inchados que foram confundidos com melanoma, mas esta é a primeira vez que surgiu um caso com nódulos linfáticos suficientemente profundos para simular a imagem de um linfoma.

Apesar disso, ainda não é possível saber quão comum essa reação é, pois a maioria das pessoas que possuem tatuagens não tem absolutamente nenhum problema. O que costuma acontecer são pessoas desenvolvendo reação alérgicas à tinta no momento da remoção de tatuagem com lasers, mas essas reações são geralmente de pigmentos vermelhos, não pretos.

Pesquise sempre

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Imagem: Divulgação

Para não ter nenhum tipo de reação do tipo, os médicos ouvidos pela CNN recomendaram algo fundamental: pesquisa. A ideia é sempre certificar-se de que o tatuador procurado é respeitável. Para isso, vale buscar referências em outros clientes e assegure-se de que eles estão usando agulhas descartáveis ??e tinta fechadas, que ajudam a prevenir infecções.

Stebbins disse que é importante as pessoas estarem conscientes dessas raras complicações, porque a tatuagem pode causar inflamação anos depois de feita, como neste caso. Existem outras complicações potenciais de tatuagens, incluindo infecções e outras reações inflamatórias.

Um homem do Texas morreu após nadar com uma nova tatuagem, que infeccionou após ter contato com uma bactéria encontrada nas águas costeiras. No entanto, o caso da mulher australiana foi bem menos grave. Na última vez que ela visitou os médicos, eles notaram que os gânglios linfáticos inchados estavam diminuindo.

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