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Criança que bebe leite cresce mais? Estudo analisou mais de 5.000 casos

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Thiago Varella

Colaboração para o UOL

03/10/2017 04h15

Um estudo publicado recentemente no periódico "American Journal of Clinical Nutrition" sugere que crianças que se alimentam com bebidas alternativas ao leite de vaca --como o de soja, de amêndoas ou de arroz-- possuem estatura um pouco menor.

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De acordo com a publicação, que analisou os hábitos alimentares de 5.034 crianças entre as idades de 1 e 3 anos, a diferença de altura entre quem bebe três xícaras de leite de vaca com quem não consome foi de 1,5 cm. A análise foi feita em cima das respostas que os pais deram sobre quantos copos de leite de vaca e bebidas alternativas os pequenos bebiam em um dia típico.

Apesar de muita polêmica em torno da bebida, segundo Carlos Alberto Nogueira de Almeida, médico nutrólogo, pediatra e diretor do Departamento de Nutrologia pediátrica da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), é importante consumir leite de vaca na infância.

"Na quantidade indicada, que é até no máximo meio litro por dia, o leite é um bom alimento. O leite tem proteínas de qualidade e vitamina D. Além disso, é fonte de proteína boa", afirmou. "Mais de meio litro por dia de leite pode causar problemas, como anemia", completou.

Mas será mesmo que o leite auxilia no crescimento infantil?

Os pesquisadores afirmaram que o leite de vaca é uma fonte confiável de proteína e gordura, essencial para um crescimento adequado na primeira infância. Almeida concorda que, para crescer, a criança necessita de proteína e cálcio, mas diz que o leite não faz ninguém crescer mais do que o potencial esperado, segundo fatores como idade e genética.

"O leite é uma das únicas fontes de cálcio. Mas, veja bem, então por causa do cálcio se eu beber leite eu cresço mais? Não, se faltar leite, alguns elementos podem fazer falta e a criança então cresce menos do que o seu potencial. Agora se tomar 10 litros por dia, não vai ficar maior por isso", afirmou. "Por isso, eu digo que o leite é um elemento limitante ao crescimento e não estimulante.”

Além disso, para o médico, o crescimento nesses primeiros anos da infância não é algo necessariamente bom.

"A gente tem de ser cuidadoso, porque crescer mais pode ser bom ou ruim. Bebês de 0 a 1 ano que bebiam leite de vaca em vez do leite da mãe cresciam mais, mas isso é ruim. Essa prática, por exemplo, aumentava a taxa de gordura deles. Por isso, nessa idade, o recomendado é o leite materno mesmo", explicou. A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda leite materno até os dois anos.

Substituição de leites

No estudo, os autores alertam que houve uma mudança nos últimos anos para alternativas de leite, que muitas vezes são comercializadas como opções mais saudáveis.

"Muitos pais estão escolhendo bebidas não lácteas como leite de soja e amêndoa por causa de supostos benefícios para a saúde", escrevem os autores no estudo. "No entanto, o leite que não é de vaca contém menos proteína e gordura que o leite de vaca e pode não ter o mesmo efeito na altura".

Para o médico Jonathon Maguire, pediatra do hospital St. Michael's, em Toronto, e principal pesquisador do estudo, os pais não devem assumir alternativas de leite como "mais saudáveis".

"Se os produtos estão sendo comercializados como equivalentes ao leite de vaca, como consumidor e pai, eu gostaria de saber se eles são de fato os mesmos em termos de efeito sobre o crescimento das crianças", disse ele.

O médico Carlos Alberto Nogueira de Almeida afirma que, incialmente, não vê problemas na substituição do leite de vaca por alternativas.

"Hoje em dia, a maioria desses alimentos possuem bons níveis de cálcio, proteínas e vitamina D. Se a substituição foi por um produto que contenha esses mesmos elementos em níveis iguais ao do leite de vaca, não tem problema", disse.

Críticas ao estudo

O estudo sofreu várias críticas, pois é apenas observacional. Os pesquisadores não levaram em consideração o tipo específico de alternativa ao leite de vaca e nem a dieta geral da criança.

"Não sabemos o porquê de as crianças estarem bebendo leite que não era de vaca. Também não sabemos se a família era vegetariana ou vegana, por exemplo", afirmou Erin Corrigan, nutricionista do Hospital Infantil Nicklaus, em Miami, em entrevista ao site HealthDay.

"Há uma diferença entre uma criança que só está comendo bagels e macarrão e outra que está comendo uma variedade de alimentos como quinoa, legumes e abacates", completou.

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