Alimentação

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Ela largou tudo para ajudar o marido com câncer e acabou encontrando paixão

Reprodução/ Instagram
Imagem: Reprodução/ Instagram

Maria Júlia Marques

Do UOL, em São Paulo

21/07/2017 04h15

Viviane Almeida, 38, mudou sua vida pelo amor. Quando o marido foi diagnosticado com câncer, ela prometeu lutar contra a doença do jeito que pudesse. A maneira que encontrou para ajudar o parceiro? Mudança nos hábitos alimentares.

Ela investiu em uma dieta saudável, cortou o açúcar, as farinhas brancas e refinadas, o glúten e a lactose da família, e suas receitas acabaram virando fenômeno nas redes sociais. Hoje ela tem cerca de 450 mil seguidores no Instagram. "Não perdi meu amor, que é meu marido, e encontrei minha paixão, que agora é a nutrição." Leia o depoimento que Viviane deu ao UOL:

“Nunca fui de pensar muito na minha alimentação. Não era de me preocupar em comer muito bem. Eu até comia salada, mas também tomava refrigerante, não pensava na farinha que usava e deixava os meus filhos comerem fast-food sem questionar.

Até que, em 2014, recebemos a notícia. Me lembro até hoje, era época de Copa do Mundo quando o meu marido descobriu que estava doente. Ele foi diagnosticado com um câncer muito agressivo no intestino grosso e no fígado. Fiquei sem chão. A sensação foi como se eu tivesse caído em um buraco muito fundo. Fiquei muita angustiada e cogitando como iria frear esta doença horrível.

Não aceitei. A morte não seria uma opção. No meio do caos, parece que tive um estalo: vou colocar a mão na massa e ajudá-lo a matar esse tumor fazendo as comidas mais saudáveis que conseguir.

Na hora meu raciocínio foi simples, colocar coisas boas e saudáveis dentro do corpo dele para ele ter forças para reagir. Mas quando comecei a pesquisar artigos científicos e ler sobre o tema, aprendi que uma dieta saudável realmente podia ajudar a enfrentar a quimioterapia e que os alimentos têm poder de cura.

Larguei tudo e parti para mudança radical

Arquivo pessoal
Viviane e Romildo aceitaram as mudanças, mas os filhos Fernando, Isabella e Jhonatan resistiram Imagem: Arquivo pessoal
Trabalhava como advogada trabalhista aqui em Cuiabá, onde moro, e parei de exercer a função. Entendi que era um momento delicado e queria estar ao lado do meu marido. Contei para ele minha ideia de ajudar a vencer o câncer a partir da nossa cozinha e ele topou na hora, não foi nada resistente e se mostrou disposto a enfrentar essa luta.

Nos jogamos de cabeça. Eu lia que farinha branca podia ser ácida, então substituía a farinha por integral. Tudo que era pobre em fibras eu evitava, investia em verduras mais escuras para ter mais nutrientes e vitaminas, troquei carne vermelha por peixe. Um dia descobri que beterraba ajudava a aumentar plaquetas, fiz vários sucos de beterraba. Tirei açúcar e só usava melado de cana e mel, foram diversas alterações na nossa dieta.*

Industrializados não entravam mais em casa. Nem uma bala a gente comia. Para me manter motivada, comecei a repetir lemas como: ‘Vamos descascar mais e desembalar menos’ e ‘Quero um prato arco-íris, todo cheio de cor e vida”.

Quem teve problema com a mudança brusca foram meus filhos, Fernando, Jhonatan e Isabella. No começo, rolou a maior resistência, eles brigavam, não queriam largar os velhos hábitos. Então tive que improvisar, o que me ajudou na criatividade, e cozinhava receitas mais gostosas, colocava castanhas no arroz para ficar mais saboroso, montava os pratos em formato de hambúrguer. Com o tempo, eles se adaptaram e hoje estão completamente saudáveis, ao menos dentro de casa.

Um milagre: meu marido se curou do câncer

Depois de oito meses de luta, recebemos a notícia de que meu marido estava curado. Na hora ele ficou paralisado, precisou de um tempo para assimilar. Diziam que o câncer não teria cura, que ele sempre teria que tratar e ele foi curado. Claro que foi preciso passar pela quimioterapia, ele fez uma cirurgia também e agarrou sua saúde de volta.

Eu não podia acreditar, fiquei uma semana inteira chorando de alegria. Sentia que era um milagre e que de alguma forma o ajudei conquistar essa vitória. Foi um alívio, uma maravilha.

Arquivo pessoal
Romildo e Viviane viajaram para Itália para comemorar a cura do câncer Imagem: Arquivo pessoal
Além da cura, notei os outros benefícios. Todos nós emagrecemos. Meu filho mais novo, o Fernando, perdeu nove quilos só com as trocas na alimentação. Em casa, também paramos de ficar gripados, nossa imunidade está um sucesso. Consegui baixar meu percentual de gordura, parei de ter cólicas menstruais severas e minha mãe conseguiu perder 22 kg. Dá para acreditar?

Decidi abrir a minha conta no Instagram

Era muita notícia boa, eu estava tão grata que queria dividir essa bênção. Como tinha guardado todas as receitas que fiz em um caderninho, criei um Instagram para divulgá-las. Assim nasceu o Doce Saúde Fit, há mais ou menos um ano e meio. É uma tentativa de espalhar uma sementinha do bem e fazer brotar uma vida melhor em outras pessoas.

Comecei a fazer todas as receitas que já estava acostumada em casa e a pensar cada vez mais para o público das redes sociais, criandos receitas de doces e salgados saudáveis. Passava na padaria e via um bolo de cenoura cheio de farinha e açúcar e ficava matutando em como fazer uma versão tão boa, mas sem todos esses ingredientes ruins.

DoceSaúdeFit/ Instagram
Que tal um muffin de banana? Imagem: DoceSaúdeFit/ Instagram
No começo, teve um monte de coisa que deu errado, não sabia a liga das farinhas, não estava acostumada. Acho que umas 50 receitas foram para o lixo, coitadas. Mas agora já criei o hábito.

O maior sucesso é o pão de queijo de batata-doce. Como meu marido é mineiro, não aguentou ficar longe do pão de queijo e eu tratei de criar uma receita fit. Uma porção comum tem cerca de 17 gramas de gordura, a minha tem só um grama (Veja a receita abaixo).

Recebo mensagens muito gratificantes. Uma mulher no Rio Grande do Sul contou que está fazendo quimio e tem muita náusea, mas que consegue comer meu muffin de banana sem passar mal. Outra seguidora do Ceará disse que viaja até outra cidade para ter acesso a ingredientes mais naturais e fazer a família emagrecer com as minhas receitas.

Me chamaram até para dar curso em Miami, nos EUA. Vou agora em agosto. É muito maravilhoso, estou realizada, feliz da vida. Não perdi meu amor, que é meu marido, e encontrei minha paixão, que agora é a nutrição.”

Receita de pão de queijo de batata-doce

Ingredientes:

Instagram/ DoceSaudeFit
Partiu testar o pão de queijo de batata doce? Imagem: Instagram/ DoceSaudeFit

  • 150g batata doce 
  • 1 ovo ou 2 claras
  • 1 colher de sopa de requeijão caseiro ou creme ricota
  • 2 colheres de sopa de leite quente
  • 1 colher de sobremesa azeite ou manteiga.
  • 1 colher de sopa de chia 
  • 1 colher de sopa de cúrcuma (açafrão da terra)
  • 4 colheres de sopa de polvilho doce
  • 4 colheres de sopa polvilho azedo
  • Sal a gosto
  • 1/2 xícara de queijo branco

Modo de preparo:

  • Com um garfo, amasse a batata doce cozida.
  • Adicione o ovo, requeijão, azeite, leite e queijo na batata doce amassada e misture bem.
  • Vá colocando o polvilho aos poucos e mexa até que a massa comece a desgrudar das mãos.
  • A consistência da massa é mole, não se assuste.
  • Enrole as porções e asse à 180°C.
  • Fique de olho até que ele crie uma casquinha crocante
  • Aproveite!

*As informações nutricionais dadas por Viviane estão corretas, de acordo com a nutróloga Letícia Fontes, da Clínica de Medicina Integrativa, em São Paulo. A farinha branca, por ser refinada, conta com muitos aditivos e conservantes e acaba ficando mais ácida que a farinha natural e integral. Inclusive, Letícia explica que as células cancerígenas preferem ambientes ácidos. Assim, quanto mais alimentos ácidos você ingerir, mais você muda o ph do seu sangue e facilita o desenvolvimento das células do câncer.

Verduras verde escuras, como o espinafre, por exemplo, são muito ricas em vitaminas e minerais. Além disso, tem muita vitamina K, importante na coagulação sanguínea e no aumento de plaquetas.

A beterraba por sua vez tem nutrientes, vitaminas e minerais que contribuem para o aumento da produção de células sanguíneas em geral. Por ser rica em ferro, magnésio e vitaminas do complexo B, melhora a qualidade e a oxigenação do sangue. “Diria que ajudam as hemácias mais do que as plaquetas em si, mas o importante é beneficiar o sangue”, explica.

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