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"Emagreci 60 kg sem cirurgia e hoje sou corredora de montanhas"

Arte/UOL
Montagem 01 Imagem: Arte/UOL

Helena Bertho

Do UOL

29/06/2017 04h00

Andrea Klopfer chegou aos 120 quilos e começou a ter dores na coluna. Por recomendação médica, precisava perder peso. Encontrou na corrida mais do que a solução para seu problema: o esporte se tornou uma paixão. Além da mudança física, sua vida mudou por completo e ela reencontrou a vontade de viver nas corridas em montanhas.

"Mãe de uma menina e um menino, esposa, enfermeira. Eu era tudo isso e tinha dificuldade em desempenhar esses papeis em minha vida por um único problema: a obesidade. Passava horas sentada o meu sofá, comendo doces sem parar. Eu não estava feliz, mas não imaginava que podia fazer qualquer coisa fora daquilo. Não me achava capaz e não tinha sonhos.

Se meu corpo não tivesse começado a colapsar, talvez eu ainda estivesse assim. Mas minha saúde começou a causar problemas e fui obrigada a me mexer. E, ao fazer isso, descobri que debaixo de tudo que eu achava que era, existia uma mulher absurdamente forte, determina e guerreira."

"Se não me cuidasse, iria para a cadeira de rodas"

"Depois das duas gravidezes, cheguei a pesar 120 quilos. Não tinha energia para nada, ficava sem ar fácil, mas ia levando. Até que em 2010 comecei a sentir muitas dores nas costas, a ponto de ficar travada na cama por dois dias, toda vez que fazia qualquer esforço. Meu joelho também começou a estralar e doer. Andar estava ficando difícil, então decidi procurar uma médica.

Ao me examinar, a reumatologista foi direta: se continuasse como estava, iria para uma cadeira de rodas em menos de 20 anos. Minhas articulações estavam sendo destruídas, sobrecarregadas pelo peso do meu corpo. E, fora isso, eu estava com pré-diabetes.

Era necessário tomar alguma atitude, cuidar do meu corpo antes de ficar completamente debilitada. Sem escolha, me matriculei em uma academia e comecei a caminhar na esteira.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
"Perdi quase 60 kg em dois anos"

Todos os dias, no horário do almoço, ia para a academia. Entrava em silêncio, andava vagarosamente na esteira por meia hora, tomava meu banho e saía. Aos poucos, porém, comecei a gostar daquilo. Me sentia bem e o exercício parecia combater um pouco minha necessidade de comer.

O passo seguinte foi começar um diário da minha alimentação, ao mesmo tempo em que passei a pesquisar e estudar a questão das calorias e de como o corpo funcionava. Descobri que o normal é ingerir umas duas mil calorias por dia e, anotando o que comia, descobri que passava longe das cinco mil!

Não havia exercício que eu fizesse que compensaria isso, né? Então passei a controlar a quantidade que comia. Aos poucos fui trocando minha compulsão: ao invés de descontar tudo na comida, passei a descontar na esteira e comecei a perder peso. Cheguei no fim de 2010 pesando 99 kg e terminei 2011 com 60kg, magra que só!"

"Fiz novos amigos"

"O ano seguinte começou com uma decisão: ok, eu não corria mais os riscos da obesidade, mas precisava ser saudável, não podia focar em emagrecer só por emagrecer. Então busquei uma nutricionista, com o plano de comer bem ao invés de comer pouco. E comecei a fazer exercícios para fortalecimento. Paralelamente, comecei a correr na esteira e, depois, na orla da praia com mais cinco amigos da academia. Até recuperei alguns quilos, agora como massa muscular. 

Saudável, ativa, magra e, principalmente, cheia de vontade de viver, eu era uma nova versão de mim. Uma versão que estava se amando, que acordava todo dia cinco e meia da manhã para correr, que fazia planos e que tinha amigos.

Uma versão de mim que queria viver e, por isso, acabei me desentendendo com meu marido e nos separamos.

Não foi fácil, tínhamos mais de 20 anos de história, dois filhos e uma vida em comum. Tanto que seis meses depois acabamos reatando o casamento."

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
"Descobri o prazer das corridas"

"Em 2013, uma das minhas companheiras de corrida me convidou para correr uma prova de rua. Achei que o desafio poderia ser divertido e embarquei. Adorei principalmente a sensação de conquista que tinha ao concluir a prova, independente da colocação. Era engraçado que, como moro em cidade pequena, muita gente se lembrava de como eu era antes e ficava surpresa de me ver correndo, então eu sempre tinha uma torcida vibrando e gritando meu nome na linha de chegada.

Por dois anos corri nas ruas, até que uma amiga me convidou para fazer uma prova de montanha. Sem ter muita ideia do que significava, decidi me impor esse novo desafio e me inscrevi para correr 21 km!  E fui, com a cara e a coragem.

Foi um desafio muito maior do que eu imaginava. Seis horas e meia de trilha, subindo e descendo, sem nenhum apoio. Carregava minha própria água e meus alimentos. Meu corpo doía, ao ponto de eu ter que tomar remédios para dor duas vezes ao longo da competição.

Lembro quando cheguei no último trecho da competição que levava ao topo da montanha. Pessoas choravam e desistiam ali. Meu corpo queria que eu fizesse o mesmo, mas não deixei: 'eu vim aqui para chegar até o fim e vou fazer isso'. E ao cruzar a chegada, lá estavam meus amigos me esperando, vibrando com a minha conquista. A felicidade que senti foi alucinante."

"Decidi continuar correndo e meu casamento acabou"

"Foi um dos momentos mais incríveis da minha vida e revelou uma paixão. Correr montanha é maravilhoso, é desafiador, coloca o corpo a prova e é uma superação que só envolve a mim mesma. É tão difícil, que não pensava em ganhar e sim em conseguir. E eu queria fazer novo.

Comecei a treinar em trilhas e a buscar outras provas para competir. Foi também nessa época que minha relação com meu marido deixou de funcionar e decidimos nos separar. "

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
"Vou realizar meu sonho"

"Apesar de difícil, no fim o divórcio aconteceu e eu segui com a minha vida e a paixão pela corrida. No ano seguinte corri novamente a prova em Campos do Jordão e participei de uma nova, em Ilhabela, de mais de 30 km, que fiz em nove horas.

A partir daí, passou a ser meu sonho correr a prova longa de 40 km e comecei a me preparar para isso.

Infelizmente, no início de 2017 descobri um nódulo no seio e precisei operar. Era benigno, ainda bem, mas tive de fazer repouso e passei três meses fora das competições. Somente agora pude voltar à ativa.

Adiei o sonho para o ano que vem e vou me preparar adequadamente para conseguir conquista-lo. E sei que com a minha determinação posso conseguir. "

 

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