Saúde

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Coletores e calcinhas especiais são alternativas para menstruação

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Coletor menstrual ou absorvente interno: qual é melhor para o seu bolso? Imagem: iStock

Bonnie Wertheim

Do The New York Times

23/11/2016 11h23

É uma ótima época para menstruar. As mulheres e garotas de hoje em dia falam abertamente sobre menstruação, assunto há muito tempo considerado tabu. Elas até chegaram a colocar a questão na agenda pública, exigindo produtos de higiene femininos gratuitos em banheiros públicos e absorventes isentos de impostos.

Algumas estão questionando os métodos que as mulheres têm empregado para lidar com a menstruação, rejeitando de vez os absorventes descartáveis. Em seu lugar, estão usando copos menstruais, absorventes reutilizáveis, calcinhas especiais ou simplesmente nada.
 
Certamente, esses métodos alternativos de gestão menstrual representam apenas uma fração do mercado global de US$ 19 bilhões (cerca de R$ 65 bilhões) de produtos do gênero. Embora não sejam para todas, eles estão ganhando força entre algumas mulheres para quem as alternativas tornam a menstruação mais higiênica, barata e discreta, gerando menos desperdício.
 
Andrea Velázquez, 25 anos, descobriu uma alternativa --o copo (ou coletor) menstrual reutilizável-- com uma amiga, há três anos, e nunca mais comprou um pacote de absorventes. O principal incentivo foi a redução de custos. Os coletores variam de preço entre US$ 20 e US$ 40 (entre R$ 68 e R$ 136 reais, aproximadamente). Em comparação, o suprimento anual de absorventes custa perto de US$ 120 (R$ 407).
 
"Se você fizer as contas, vai ver que termina gastando uma boa quantia de dinheiro com absorventes", diz Andréa.
 
Enquanto o absorvente é fabricado para coletar o fluido menstrual e ser jogado fora, o copo é feito com silicone flexível e é usado dentro da vagina para captar o sangue. O coletor é esvaziado, lavado e reinserido duas vezes por dia.
 
O coletor também agrada a Andrea por ser discreto. Ela não precisa mais voltar para "casa carregando uma caixa grande de absorventes numa sacola" ou esconder o produto na manga da camisa. "Principalmente depois que passei a trabalhar, achei uma forma de levá-los ao banheiro sem chamar a atenção."
 
Carinne Chambers, uma das fundadoras e diretora executiva da Diva International, fabricante do DivaCup, conta que a maioria dos clientes aprende sobre a opção conversando umas com as outras. "Muitas mulheres se consideram relativamente contentes com suas escolhas, porque conhecem somente essas. Elas não estão exatamente procurando algo novo", afirma Carinne. É recomendado substituir o DivaCup uma vez ao ano, mas este prazo pode variar de acordo com o fabricante.
 
Outra opção são produtos reutilizáveis de tecido, incluindo a calcinha Thinx, uma lingerie que absorve umidade e pode ser lavada e reutilizada, à venda por preços que variam de US$ 15 a US$ 40 (R$ 50 a R$ 136, aproximadamente). Absorventes de tecido, como os vendidos pela Lunapads e GladRags, consistem em um suporte e um enchimento de lã absorvente que deve ser trocado a intervalos que variam de duas a seis horas. Por ser feito de um material que respira, ele resiste a odores fortes. As empresas também vendem bolsinhas com divisões para enchimentos usados e novos. Os absorventes reutilizáveis custam de US$ 15 a US$ 20 (cerca de R$ 50 a 68).
 
Nora Lovotti, 27 anos, se disse intrigada quando viu anúncios da calcinha para menstruação Thinx no metrô da cidade de Nova York. "Como eu tomo pílula anticoncepcional, minha menstruação é relativamente leve. Estava começando a achar que os absorventes eram excessivos", ela conta.
 
A Thinx vende sua calcinha como alternativa ou reserva para produtos femininos descartáveis feitos com raiom ou algodão alvejado. Ela é composta de três camadas: uma externa de náilon, enchimento absorvente de umidade, antimicrobiano e à prova de vazamento e uma superfície interna de algodão. Algumas mulheres optam por produtos reutilizáveis porque se preocupam com a exposição a longo prazo a produtos químicos em produtos alvejados. Outras temem a síndrome do choque tóxico, rara infecção bacteriana associada ao uso de absorvente interno.
 
Para Lovotti, o risco de choque tóxico, ainda que muito baixo, mexia com ela. "Uma colega da faculdade teve o problema. Por isso, eu sempre estava preocupada com essa questão."
 
A Thinx também chamou atenção na mídia social porque empregou Sawyer DeVuyst, modelo masculino transgênero em sua campanha publicitária. DeVuyst disse que, durante quase cinco anos entre ter se assumido transgênero e começado a terapia hormonal, ele continuou menstruando. Segundo ele, trocar o absorvente no banheiro masculino pode causar vergonha ou até colocar em risco um transgênero, mas usar shorts menstruais que lembram cuecas facilita esse processo.
 
"Muitas pessoas não sabem que alguns homens menstruam porque não se fala nisso", DeVuyst afirmava no comercial.
 
Uma forma mais radical de rejeição a produtos comuns para menstruação se apresenta na forma do "sangramento livre". O método ganhou atenção quando Kiran Gandhi atravessou a linha de chegada da maratona de Londres, em 2015, com uma calça legging manchada de sangue. Ela menstruou na noite anterior à corrida e decidiu que seria muito desconfortável usar absorvente durante a competição, então usou o momento como uma declaração de princípios.
 
"Corri com sangue pingando pelas pernas por irmãs que não têm acesso a absorventes e irmãs que, apesar das cólicas e da dor, escondem o fato e fingem que isso não existe", Kiran escreveu em seu blog depois de terminar a maratona sem absorvente. "Eu corri para dizer: isso existe e nós superamos o fato todos os dias."
 
Maggie Whalen, 24 anos, usuária veterana do DivaCup, conta ter percebido que, durante alguns dias de seu ciclo menstrual, o fluxo era menor e recorrer ao coletor era irritante. Agora, nesses dias, ela esquece complemente do copo. "Eu meio que comecei a experimentar com isso."
 
Miki Agrawal, diretora executiva e uma das fundadoras da Thinx, afirma que o novo interesse em higiene menstrual alternativa faz parte de atitudes mais aceitáveis em relação à questão como uma função biológica natural.
 
"Hoje em dia, as mulheres olham a mucosa uterina e se sentem mais poderosas por causa disso do que envergonhadas", assegura Miki.

 

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