Dieta

'Chorava todo dia': jornalista relata desafio de passar 2 meses sem açúcar

BBC Three/Getty Images
Por dois meses, o jornalista Radhika Sanghan decidiu eliminar por completo o consumo de açúcar. Imagem: BBC Three/Getty Images

07/11/2017 13h14

É comum ouvir que açúcar em excesso não faz bem e que devemos reduzir o consumo diário. O açúcar do tipo sacarose está relacionado a obesidade, sobrepeso e, ainda, com o aumento do risco de desenvolver diabetes do tipo 2.

E foram dados como esses que levaram a jornalista Radhika Sanghan, do canal britânico online BBC Three, a testar os efeitos de uma vida sem açúcar. Ela passou mais de dois meses seguindo essa dieta radical - que, hoje, ela chama de "maior erro de sua vida".

Leia o depoimento de Sanghan:

"Estou há um mês sem consumir açúcar e me sinto mal. Deixei de ser uma pessoa que comia pelo menos uma sobremesa todos os dias e passei a ser totalmente livre de açúcar. A única coisa que quero gritar é a palavra chocolate!

Sempre comi relativamente bem. Minha dieta consiste em carboidrato, proteínas, gordura boa (abacate e frutas secas), muita fruta e verdura. Faço exercício e sempre tive um peso adequado; nunca senti a necessidade de fazer dieta. Até agora.

As notícias constantes dos males do açúcar me influenciaram. Há estatísticas que dizem que seu consumo de açúcar atingiu o nível mais alto da história. Acredito que sou, como a média das pessoas, alguém que consume ao menos 15 colherzinhas de açúcar todo dia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda ingerir apenas seis. Para ter a dimensão do problema, uma lata de refrigerante tem o equivalente a nove colheres de açúcar. Com essas informações na cabeça e temendo prejudicar minha saúde, decidi ir à internet. Ali, personalidades, especialistas e nutricionistas falam da necessidade de deixar de consumir açúcar.

Os benefícios de erradicar esse ingrediente são defendidos por estrelas de Hollywood, como a atriz Gwyneth Paltrow, escritoras como Sarah Wilson ou mesmo pessoas comuns. A mensagem delas é clara: não reduza o açúcar, elimine-o por completo. Foi assim que decidi levar à risca esse desafio.

Nos primeiros 15 dias, tive mudanças de humor piores que as de um adolescente. Senti dores de cabeça intermináveis como se fosse uma ressaca descomunal. Chorava todo dia depois que os nutrientes do almoço abandonavam meu corpo. Gritava com as pessoas.

Somente uma coisa me acalmava: o sabor doce da banana. Mas me enche de culpa saber que Gwyneth jamais se permitiria o menor contato com a fruta.
Depois de três semanas, as dores de cabeça desapareceram. Voltei a me sentir mais ou menos normal e quando alguém me oferece um doce não me incomoda dizer não.

Me pergunto: já superei?

Não. Às 23h me via desesperada, procurando uns ovinhos de páscoa que estão em algum canto do armário da cozinha. Antes não me preocupava, mas, por avaliar o que posso e o que não posso comer, passei a demorar o dobro do tempo para fazer a compra semanal.

Não aproveitava as festas de aniversário e ficava dando goles num copo d'água enquanto os outros tomam vinho.

Conselho médico

Depois de dois meses nessa dinâmica, meus amigos concordaram que minha obsessão havia chegado longe demais. Decidi recorrer a um especialista. O médico Hisham Ziauddeen, pesquisador da Universidade de Cambridge, não entende os motivos que me levaram a fazer essa experiência.

Uma pergunta me fez perceber meu erro básico. Quem disse que é preciso abandonar o açúcar por completo? Foi quando percebi que não há nenhum estudo científico que faça tal recomendação.

Foram os conselhos dos famosos e do pessoal da internet que me levaram a abandonar o consumo total de açúcar. O médico me explica que há muitos 'pseudonutricionistas'. Ziauddeen reconhece os benefícios de se reduzir o consumo de açúcar para a saúde dentária e a perda de peso, mas é claro em dizer: 'Deixar o açúcar por completo parece mais um culto'.

Todo esse movimento não inclui apenas o açúcar. Muitas vezes se elimina, por exemplo, o consumo de lactose, cereais, carne etc. O especialista afirma que abandonar o consumo de algo sem motivo (alergias, por exemplo) pode ser mais prejudicial que benéfico.

Hoje, estou seguindo o conselho do doutor Ziauddeen, que é, sem tirar nem por, o mesmo dado pela minha professora da sexta série: seguir uma dieta equilibrada."

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