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Tem hora certa para tomar pílula do dia seguinte? Tira suas dúvidas

Maria Júlia Marques

Do UOL, em São Paulo

20/07/2017 04h15

Quando acontece algum "acidente de percurso" durante o sexo, a resposta mais rápida para evitar a gravidez não planejada pode ser a pílula do dia seguinte. Apesar de ter esse apelido, o medicamento é chamado pelos médicos de contraceptivo de emergência e quando usado excessivamente ou de forma incorreta pode não ser eficaz.

“Ela é eficaz, só não é bom manter o uso. Se você tomou duas ou três vezes no mês um método de emergência tem algo errado, é melhor ir ao médico e escolher um método contraceptivo mais adequado”, afirma Maria Luísa Mendes, ginecologista do complexo hospitalar Edmundo Vasconcelos, em São Paulo.

Veja como o método age

  • Transei sem camisinha, quando devo tomar a pílula?

    Após o sexo desprotegido, o quanto antes tomar melhor. Apesar do apelido, para ter a eficácia máxima é bom não esperar até o dia seguinte, pois ela perde o poder de ação com o passar do tempo. Maria afirma que é indicado usar até 12 horas após o ocorrido. É possível tomar três dias depois, mas a eficácia pode ser reduzida para perto de 50%. Então, a pessoa pode engravidar mesmo tomando a pílula do dia seguinte, se não fizer o uso correto.

  • É necessária receita médica?

    Não, você pode comprar os comprimidos em qualquer farmácia. Além disso, é possível conseguir a pílula em postos de saúde ou prontos-socorros, também sem receita. Existem remédios de dose única e de duas doses, uma 12 horas depois da outra. Ambos têm eficácia e funcionamento similar.

  • Como a pílula do dia seguinte funciona?

    O que acontece é um pico hormonal, explica Luiz Fernando Leite, obstetra do hospital e maternidade Santa Joana, em São Paulo. A pílula tem uma alta dose de hormônios femininos (variando de remédios só com progesterona ou com progesterona e estrógeno) e nosso corpo leva um "susto". O aumento desproporcional causa respostas como retardo da ovulação, alteração do muco da vagina, que se torna hostil para espermatozoides, e descamação do endométrio, tecido que recobre o útero para receber a gravidez e dá origem a menstruação, inibindo, assim, a fecundação.

  • Existem efeitos colaterais?

    A pílula desregula o sistema hormonal da pessoa, bagunça as datas da menstruação, causa sensibilidade nos seios, pode ter inchaço, dor de cabeça e mal-estar, de acordo com a ginecologista e obstetra Márcia Araújo, da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). As respostas podem variar de mulher para mulher.

  • Posso tomar sempre?

    O correto é tomar apenas uma vez, no momento da emergência. Caso você repita muitas vezes é importante buscar ajuda médica para a escolha de um método anticoncepcional. "Tomar mais de uma vez causa picos de hormônios que o corpo não compreende, o sistema nervoso não entende e a paciente pode ter disfunção menstrual, que é uma menstruação muito irregular", diz Leite. Além disso tudo, o medicamento pode perder parte da eficácia com o uso constante.

  • Se tomar na sexta e fizer sexo sem proteção sábado, tudo bem?

    A pílula também não chama "do dia anterior", ela só é eficaz para a última relação sexual antes de sua ingestão. É impossível saber com exatidão o momento em que você ovulou. Mesmo com a pílula deixando seu organismo desfavorável, você pode ter ovulado no dia seguinte, após tomar o remédio, e o sexo desprotegido pode, sim, acabar em gravidez.

  • A menstruação aparece logo depois da pílula do dia seguinte?

    Depende. Caso você tenha feito uso do medicamento logo após a menstruação, pode ser que nada apareça tão cedo, uma vez que você acabou de menstruar e pode não ter mais nada para sair. Agora, se você estiver perto da data da menstruação, ela pode adiantar. Tudo depende do momento do ciclo em que a pílula foi usada e de como seu organismo reagiu. Se a menstruação atrasar, é indicado ir ao médico.

  • Tomei a pílula do dia seguinte, devo parar de tomar a anticoncepcional?

    O melhor é parar de tomar a pílula anticoncepcional. Como a do dia seguinte causa uma grande alteração hormonal, o indicado é aguardar a menstruação sem tomar a pílula anticoncepcional. Depois da menstruação, pode iniciar outra cartela.

  • E se tomar a pílula do dia seguinte com outros remédios?

    Alguns medicamentos podem interferir na absorção e metabolização da pílula, segundo Márcia. Antibióticos, calmantes, anestésicos e remédios para dormir devem ser evitados. "Também é importante saber que, se a mulher vomita ou tem diarreia logo após tomar a pílula do seguinte, pode haver problemas. Mesmo absorvida, ela acaba eliminada mais rápido do que o recomendado e deixa de ser tão efetiva", afirma a médica. Com a eliminação precoce, pode ser que o remédio não seja absorvido e metabolizado da maneira correta e você fica vulnerável à falha.

  • Se engravidar, ter tomado a pílula afeta o bebê?

    Não! Os médicos afirmam que não existem riscos para os fetos caso a fecundação ocorra. As pílulas são feitas com doses de hormônios comuns nas mulheres e não interferem na saúde do feto. "A maioria das pílulas é só com progesterona, que é o hormônio que a mulher produz a gravidez toda, não há risco", diz Maria.

  • A pílula do dia seguinte potencializa casos gravidez fora do útero?

    Mito. A gravidez ectópica acontece quando o óvulo é fertilizado fora do útero. O mais comum é que isso aconteça nas trompas de falópio, um tubo que leva os óvulos dos ovários para o útero. A pílula do dia seguinte desfavorece o ambiente no útero, mas nesses casos o óvulo ainda nem chegou nele. "Acontece antes do óvulo chegar ao útero, não tem como o óvulo caminhar até o útero, sentir o ambiente hostil causado pela pílula e aí esperar o espermatozoide nas trompas. Isso não existe, ele não volta, não dá ré, ele fecunda antes de chegar ao útero", explica Maria.

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