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Alimentos causam câncer? Saiba quais itens merecem cuidado no consumo

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Anna Fagundes

Do UOL

06/04/2017 04h00

A alimentação e a nutrição inadequadas são classificadas como a segunda causa de câncer que poderia ser prevenida, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Juntos, esses dois fatores são responsáveis por até 20% dos casos de câncer nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e por aproximadamente 35% das mortes pela doença. "A comida é um dos muitos fatores que podem levar a uma maior associação com maior risco de câncer", explica o cirurgião Ulysses Ribeiro Junior, chefe do grupo de cirurgia do aparelho digestivo do Instituto do Câncer, em São Paulo.

Mas não é preciso pânico. Os especialistas concordam que existem vários fatores responsáveis por uma pessoa desenvolver um câncer - histórico familiar; maus hábitos (como o tabagismo); fatores ambientais e doenças pré-existentes são alguns deles. "O alimento em si, quando consumido sem exageros, dificilmente causa problemas de saúde", explica o oncologista Hakaru Tadokoro, chefe do setor de Oncologia Clínica da Universidade Federal de São Paulo. 

Um outro detalhe que precisa ser levado em consideração na hora de escolher o que comer é que os resultados das pesquisas sobre riscos de alimentos para o câncer podem mudar com o passar do tempo. "Os estudos são muito difíceis de interpretar, porque a metodologia do passado pode não se aplicar mais agora. E o conhecimento que tínhamos sobre os alimentos antes muda de acordo com outros conhecimentos adquiridos", diz Ulysses.

Com isso em mente, quais os alimentos que demandam mais cuidados no consumo, de acordo com as pesquisas médicas? Veja na lista abaixo.

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    Açúcar refinado

    "Não é o açúcar em si que leva ao câncer", diz Hakaru, "mas sim o açúcar e suas consequências no organismo." O consumo excessivo do ingrediente, associado a outros fatores, leva à obesidade - o que, por sua vez, é um fator de risco de desenvolvimento de câncer. O modo como a glicose do açúcar é processada no organismo também pode ser uma fonte de problemas. "Quando você tem um pico de açúcar no sangue, a glicose oxida estruturas celulares, incluindo o DNA da célula", explica o nutrólogo Roberto Navarro, membro da Associação Brasileira de Nutrologia(Abran).

    Não é o caso de cortar o açúcar da dieta de uma vez por todas, mas de consumi-lo com moderação -- o que representa 5% em média do plano alimentar de uma pessoa (baseado em uma dieta de duas mil calorias).

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    Embutidos

    Um dos fatores que podem desencadear a mutação celular é a produção de nitrosaminas - substâncias químicas produzidas, por exemplo, quando se aquece alimentos em demasia. Ela também aparece em produtos defumados, como bacon, salsichas e linguiças." Além disso, a indústria utiliza nitritos para a preservação dos embutidos, e elas são também consideradas nocivas", explica o nutrólogo Roberto Navarro." Os nitritos também desencadeiam a liberação de nitrosaminas e estão associados ao maior risco de câncer de estomâgo e de bexiga.

    "O consumo em si não é um problema, mas não dá para comer todo dia", diz Hakaru Tadokoro. Por isso, os médicos recomendam muita moderação.

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    Carne vermelha (a versão tostada)

    "A carne vermelha em si não é considerada cancerígena", explica Roberto Navarro. "O problema está no modo de preparo." O aquecimento em excesso da carne (em frituras ou mesmo em chapa muito quente) rende uma casca saborosa, mas também estimula a produção de nitrosaminas e outros elementos que podem ser um fator de desenvolvimento de tumores. Além disso, há a questão da gordura no ingrediente. "Há vários estudos que mostram que gordura animal, quando consumida em demasia, pode aumentar o risco do aparecimento de câncer colo-retal e de mama", explica o cirurgião do aparelho digestivo Ulysses Ribeiro Junior.

    Isso não significa abandonar para sempre o churrasco, mas sim de moderar o consumo. Segundo Navarro, um nível seguro de consumo seria 300 gramas por semana, "de preferência com métodos brandos de cocção: não tostar e não grelhar. A gente não precisa entrar em paranoia e nunca mais comer. Seria mais interessante nunca mais comer alimentos tostados? Seria. Mas é um pouco difícil para a vida prática."

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    Fritura

    Fãs da batata frita, vai aí o aviso: o consumo desta delícia precisa também ser moderado. "Há elementos químicos relativos ao aquecimento extremo dos alimentos que só agora começaram a ser estudados", diz Navarro. "Existem alguns alimentos que, quando submetidos a alta temperatura, formam substâncias potencialmente cancerígenas." É o caso, por exemplo, das batatas e outros carboidratos.

    Além disso, todo óleo submetido a temperaturas muito altas forma a acroleína, outra substância que também pode ser cancerígena. "Se você comer tudo tostado ou frito, vai ter uma chance maior de câncer, sem dúvida", alerta Navarro.

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    Mas e o glúten?

    Os médicos entrevistados concordam em um ponto: não existem estudos conclusivos que liguem o consumo de glúten ao desenvolvimento de câncer."É muito mais alarmismo do que qualquer outra coisa", diz Ulysses. "O indivíduo que já sofre de doença celíaca tem uma chance de desenvolver um tipo específico de câncer chamado linfoma do intestino, mas isso acontece com um pequeno grupo que já tem a intolerância ao produto." Ou seja: o pãozinho pode ficar no cardápio, sem exageros.

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