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O que a ciência diz sobre traição e fidelidade?

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Imagem: iStock

Gabriela Ingrid

Do VivaBem

15/04/2018 04h00

O que é ser infiel para você? Transar apenas uma noite com alguém ou se apaixonar, mesmo estando comprometido com outra pessoa? As opiniões sobre traição divergem tanto que, há anos, a ciência estuda esse universo e tenta explicar os motivos que levam alguém a “pular a cerca”.

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De genética a ciúme excessivo, as razões para trair alguém são tantas quanto o número de pesquisas sobre o assunto. Se você ficou curioso com o que anda circulando por aí em torno do tema, o VivaBem selecionou oito estudos sobre traição.

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    Tipos mais infiéis

    Um estudo publicado no periódico Journal of Personality and Social Psychology em fevereiro deste ano analisou 233 casais e mapeou os principais contextos em que as puladas de cerca acontecem. Segundo os pesquisadores, os mais jovens são mais propensos a trair a confiança de um parceiro, assim como os indivíduos que afirmaram ter pouca satisfação geral com o relacionamento. Surpreendentemente, as pessoas com alto grau de satisfação sexual eram mais propensas a trair os parceiros. Os pesquisadores acreditam que quem está sexualmente satisfeito é, em geral, mais aberto a ter novas experiências sexuais. Homens que se envolveram em muitas relações de curto prazo antes de casarem eram os melhores candidatos à infidelidade, mais tarde. Mas com as mulheres aconteceu o contrário: as monogâmicas em série eram mais propensas a buscar um envolvimento extraconjugal.

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    Quem procura acha

    Se você se sente mal só de pensar que o seu companheiro poderia estar nos braços de outro, melhor controlar esse ciúme todo. Uma tese de mestrado do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo) avaliou a relação entre o ciúme e a infidelidade e descobriu que as pessoas mais ciumentas desencadeavam um comportamento infiel do parceiro. A explicação é que os conflitos constantes minam a qualidade do relacionamento, fazendo com que o temor se concretize. "Toda vez que a pessoa chama atenção da outra por ter olhado para alguém, ela a encoraja a olhar", diz o autor Thiago de Almeida.

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    Traiu uma vez, trairá sempre

    Você confiaria em alguém que já traiu? Um estudo de 2017 publicado no periódico Archives of Sexual Behavior observou 500 adultos durante dois relacionamentos. Os pesquisadores pediram aos participantes que eles reportassem as infidelidades e se eles sabiam ou suspeitavam da traição do parceiro. Ao final do experimento, os participantes que reportaram serem infiéis no primeiro relacionamento tinham três vezes mais chances de serem infiéis na segunda relação. E ser traído parece que é uma constante também. Os voluntários que reportaram saber que o parceiro do primeiro relacionamento foi infiel, tiveram duas vezes mais chances de serem traídos novamente em outra relação.

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    Traição não tem gênero

    Um estudo publicado no periódico Archives of Sexual Behavior em 2011 mostrou que a infidelidade é comum tanto em homens quanto em mulheres. Os cientistas pediram para que 506 homens e 412 mulheres que tinham um relacionamento monogâmico respondessem um questionário sobre diversos temas, incluindo infidelidades. Os resultados mostraram que 23% dos homens e 19% das mulheres indicaram que já traíram o parceiro atual.

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    Idade que mais trai

    Uma pesquisa publicada em 2014 no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences observou a atividade de pessoas comprometidas em um site de relacionamento. As descobertas mostraram que os homens estudados buscavam mais relações extraconjugais, quando tinham uma idade que terminava com o número nove. De acordo com os pesquisadores, isso deve acontecer porque pouco antes de fazerem 40 ou 50 anos, eles têm maior chance de tentar encontrar um sentido para a vida, buscando uma relação com alguém que não é seu parceiro.

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    Homens e mulheres reagem diferente ao flerte

    O comportamento humano é realmente uma caixinha de surpresas. Um estudo publicado em 2008 no periódico Journal of Personality and Social Psychology resolveu testar se homens reagiam ao flerte de forma diferente das mulheres --e o quanto isso alteraria sua visão de traição. Os resultados mostraram que após eles flertarem com uma mulher que consideravam atraente, tornavam-se menos tolerante com transgressões hipotéticas de suas parceiras. As mulheres, no entanto, quando flertavam com homens atraentes, ficavam mais tolerantes com as "puladas de cerca" de seus parceiros.

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    Independência financeira

    Depender do dinheiro dos outros nunca é uma boa opção, principalmente quando o assunto é fidelidade. Um estudo publicado em 2015 no periódico American Sociological Review mostrou que quanto maior a independência financeira de seu parceiro, menores as chances de ocorrer uma traição. Os dados são ainda piores quando se trata de maridos que dependem do dinheiro de suas esposas: 15% dos homens que são completamente dependentes financeiramente das mulheres traem suas parceiras; no caso das mulheres dependentes, apenas 5% relataram ser infiéis.

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    Fidelidade é questão genética

    Parece algo surreal, mas um estudo realizado em 2014 por um pesquisador da Universidade de Queensland, na Austrália, descobriu que variações nos genes que produzem a vasopressina, um hormônio que tem efeitos poderosos em comportamentos sociais como confiança, empatia e conexões sexuais, têm associações significantes com a infidelidade em mulheres. Para se ter ideia, entre as mais de sete mil pessoas analisadas, 40% das variações em comportamentos promíscuos em mulheres puderam ser atribuídos aos genes. Os homens não ficam atrás. Além da velha explicação evolucionária de que a promiscuidade masculina aumenta as chances de reprodução, um estudo de 2010 realizados por cientistas da Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos, descobriu que pessoas, independentemente do gênero, que carregavam uma variante de um receptor de dopamina tinham 50% mais chances de trair.