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Paulo Chaccur


Paulo Chaccur

Exagerar no café antes de fazer exercícios aumenta o risco de infarto

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Paulo Chaccur

Diretor da Cirurgia Cardiovascular no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, é formado pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e possui mais de 40 anos de experiência.Na década de 90, Chaccur passou a liderar a própria equipe de cardiologia e cirurgias cardíacas no HCor (Hospital do Coração).

Colunista do UOL

2019-06-23T04:00:00

23/06/2019 04h00

Você é do tipo que não resiste a um bom cafezinho? De manhã, no intervalo do trabalho, depois do almoço... a paradinha para uma xícara de café é quase obrigatória em alguns momentos do dia para muitas pessoas. Tem quem não dispense uma xícara de café até minutos antes da prática de esportes. Mas será que isso faz bem para a nossa saúde? E o coração, como reage a combinação café e atividade física?

Café antes da academia

Estudos recentes tem deixado a comunidade fitness em alerta ao revelar que a cafeína pode não ser tão inofensiva quanto se imaginava. Além da possibilidade de baixar o rendimento na performance física, a substância, quando ingerida antes do treino ou da prática esportiva, é capaz de promover a elevação da frequência cardíaca. A possível consequência disso a longo prazo é um aumento da pressão arterial e problemas no coração, caso haja algum tipo de suscetibilidade para doenças cardiovasculares.

Em uma dessas pesquisas, realizada na Unesp de Marília (SP), os testes constataram que os batimentos cardíacos dos participantes que haviam tomado cafeína antes da prática de exercícios físicos demorou uma hora para voltar ao normal. Sem a substância no corpo, isso ocorreu na metade do tempo.

Justamente nesse período de recuperação pós exercício é que há maior probabilidade de um dano cardiovascular. Isso acontece devido ao poder estimulante da cafeína, que eleva a concentração de catecolaminas no sangue --as duas mais conhecidas são a adrenalina e noradrenalina, envolvidas na aceleração do coração e na elevação da pressão arterial.

O aumento da liberação dessas catecolaminas ativam os vasos sanguíneos e podem causar vasoconstrição. A consequência é uma possível sobrecarga no coração e um maior risco de infarto.

Abandonar ou não o café?

No entanto, quando o assunto é a relação entre o café e as doenças cardiovasculares, em especial arritmias cardíacas, muitas dúvidas surgem. Não é difícil encontrar quem defenda seu consumo, apontando as contribuições da cafeína para o organismo.

E você deve estar se perguntando: afinal, o café deve ser considerado mocinho ou vilão nessa história?

Nem uma coisa nem outra! Estudos apontam que a associação entre o consumo de cafeína e os consequentes efeitos sobre arritmias atriais e ventriculares está relacionada à quantidade do consumo. Ou seja, em doses corretas, é possível que o café faça bem à saúde do coração, mas, em excesso, pode sim ser prejudicial. Tudo depende da quantidade. Café em excesso pode ainda causar superexcitação, insônia, desconforto intestinal e a piora em quadros de gastrite.

Na medida certa

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a cafeína pode ser consumida tranquilamente, desde que de maneira moderada. A recomendação é de duas xícaras por dia de café. É nessa quantidade que a bebida se torna até uma aliada da saúde, inclusive na prevenção de doenças do coração. Suas substâncias antioxidantes eliminam os radicais livres e ajudam na resposta do sistema imunológico.

O café também auxilia na redução da pressão arterial por conter potássio e magnésio, além dos antioxidantes denominados polifenóis e melanoidinas. No entanto, é importante salientar que quando a cafeína é ingerida por meio do café, o efeito sobre a pressão arterial é bem menor do que quando ingerida de maneira isolada.

O café ainda possui uma série de propriedades medicinais, como inibição de apetite, cardio-estimulantes, diuréticas, laxativas, relaxantes musculares e vasoconstritoras. A atuação da cafeína no organismo está associada também à diminuição das dores musculares pós-atividade física e ao metabolismo, auxiliando na queima de gordura.

Além disso, o café conta com substâncias e propriedades que estimulam o sistema nervoso, ajudando na concentração e deixando o indivíduo mais alerta, com mais energia e disposição.

Quem deve evitar

O consumo da cafeína ou café em excesso não é recomendado para crianças, grávidas, mulheres que amamentam e para pessoas com pressão alta, arritmia, doenças do coração ou úlceras no estômago.

Também deve ser evitado por quem sofre de insônia, ansiedade, enxaqueca, zumbido e labirintite, já que pode piorar os sintomas. Entram ainda nesse grupo aqueles que fazem uso de antidepressivos do tipo IMAO (Fenelzina, Pargilina, Seleginina e Tranilcipromina).

Uma hora faz bem, em outra faz mal

Embora muitas pesquisas já tenham sido realizadas sobre o assunto, não há dados definitivos que comprovem a eficácia do café na performance física, e nem que alertem para riscos na saúde. O fato é que o café é um desses alimentos contraditórios entre cientistas e profissionais da área, e ainda gera dúvidas sobre como seu consumo afeta o organismo.

No entanto, a recomendação é manter uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos regulamente e viver em paz com o prazer de tomar um bom café. Mas com moderação, claro!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL