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Paulo Chaccur

Saúde da mulher: saiba como proteger o coração na menopausa

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Após a menopausa, a mulher deve redobrar sua atenção com a saúde do coração Imagem: iStock
Paulo Chaccur

Diretor da Cirurgia Cardiovascular no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, é formado pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e possui mais de 40 anos de experiência.Na década de 90, Chaccur passou a liderar a própria equipe de cardiologia e cirurgias cardíacas no HCor (Hospital do Coração).

Colunista do UOL

14/10/2018 04h00

O que muda no corpo da mulher com a chegada da menopausa? Para responder esta questão, devemos considerar a atuação dos hormônios femininos tanto do ponto de vista físico quanto sob o aspecto cardiovascular. Nessa fase da vida, a mulher tende a ganhar um pouco de sobrepeso, especialmente gordura abdominal; é possível também que ocorra uma queda na qualidade de vida sexual e muitas delas relatem desconforto com as ondas de calor interno, aquele fogacho, algo que traz muito mal-estar às mulheres.

Do ponto de vista cardiovascular, o que ocorre é que, à medida que existe a diminuição nos níveis de hormônios (estrógeno e progesterona), isso altera a reatividade dos vasos sanguíneos, principalmente as artérias. Os hormônios femininos proporcionam uma certa vasodilatação nas artérias e, com a diminuição desses hormônios, esse fator benéfico de aumentar o fluxo por vasodilatação vai se perdendo.

Outra situação é em relação ao colesterol. Os hormônios femininos atuam para um colesterol bom (HDL) em nível mais elevado que nos homens, por exemplo. Quando existe queda na liberação interna dos hormônios, o nível do HDL cai e aumenta o nível do colesterol ruim, o LDL. Então, por isso que a mulher no climatério, na menopausa, começa a ter riscos para eventos cardiovasculares e neurológicos, como o acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame.

Fatores de risco para problemas do coração

Sedentarismo, tabagismo e estresse. Quando estes três fatores de risco passam a ser associados a componentes como colesterol alto e diabetes, a mulher terá a possibilidade aumentada de desenvolver doenças coronárias. A mortalidade feminina por evento cardiovascular é ainda maior que a provocada pelo câncer de mama e útero, por exemplo.

A própria realidade feminina, como a colocação da mulher no mercado de trabalho, associada a ausência de uma redivisão das responsabilidades na estrutura familiar e nos cuidados com a casa, ainda acaba gerando uma sobrecarga enorme, culminando no estresse.

Diante deste panorama, a orientação é para que as mulheres, por volta dos 40 a 45 anos, de acordo com a intensidade dos fatores de risco, consultem um cardiologista com os intervalos de quatro ou seis meses. Aquelas em situação mais favorável, sem os agravantes mencionados acima, podem passar em avaliação cardiológica anualmente.

E a reposição hormonal?

Quando falamos em saúde feminina, observamos como a interação entre ginecologistas e cardiologistas é tão importante. Embora ainda não seja feita de maneira habitual, essa conversa é fundamental se considerarmos uma fase como a menopausa. O ginecologista pode manter este contato para ver qual é a situação de risco de sua paciente para doença arterial coronária, por exemplo, assim como verificar em qual nível poderá atuar para a reposição dos hormônios.

Com a chegada da menopausa, é natural que exista uma preocupação muito grande em relação à reposição hormonal. Sem dúvida, ela se faz necessária. Seria a melhor forma de prevenção do ponto de vista cardiovascular. Mas, por outro lado, esta paciente precisa contar com outras avaliações.

A tendência atual é fazer uma reposição não tão acentuada como se fazia antigamente. É preciso que os especialistas fiquem atentos caso a mulher possua alguma predisposição para doenças tumorais. O câncer de mama, infelizmente, é uma situação muito frequente para a população feminina. Então, a reposição hormonal, para quem seja suscetível, acaba acelerando o processo. Esta discussão é importante, particularmente durante o Outubro Rosa. É preciso ponderar bem o benefício da reposição hormonal e contrabalançar com o eventual risco do aparecimento de um câncer.

Atenção à prevenção

Sabe qual seria a melhor combinação para blindar o coração da mulher neste período? A atenção à prevenção no momento adequado. Reforço que as mulheres devem realizar uma boa avaliação cardiovascular alguns anos antes da menopausa. Isso se dá pela importância em analisar os fatores genéticos, a história da doença coronária familiar, ou situações de acidente vascular entre parentes próximos. Toda informação relacionada ao sistema cardiovascular é bem-vinda. Caso ela possua esse fator genético, consideramos um sinal de alerta.

A partir daí, avaliamos seu perfil como um todo, identificando fatores como sedentarismo, obesidade, presença ou não da hipertensão arterial, do tabagismo e diabetes. Ao atingirmos essa avaliação, a paciente deve dosar os níveis de colesterol, por exemplo, dando início a uma estratégia de redução de danos para cada uma das situações apresentadas. Somente assim conseguimos, efetivamente, iniciar a prevenção.

Além disso, a mulher deve ficar atenta caso exista a presença de alguma doença inflamatória, do tipo articular, pois este fator poderá ocasionar o surgimento de lesão cardíaca. A saúde bucal também é uma situação que merece avaliação cuidadosa. Pessoas com problemas crônicos na orofaringe (formada pela base da língua, palato mole, amígdalas, e a parte lateral e posterior da garganta), nos dentes ou gengiva precisam passar por atendimento especializado. Qualquer atividade inflamatória pode ser o início do comprometimento das artérias coronárias, ou seja, a bactéria presente na boca também pode desenvolver problemas no coração.

É importante que as pessoas entendam que provavelmente não será possível impedir totalmente, mas certamente poderão retardar ao máximo o aparecimento e desenvolvimento da doença coronária, como exemplo. Controlar a pressão arterial, corrigir o colesterol, manter os níveis glicêmicos e fazer atividade física regularmente são fatores que devem atuar de forma integrada para uma prevenção eficaz, diminuindo, assim, o potencial da doença.

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