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AIDS e HIV são a mesma coisa? Tiramos suas dúvidas sobre a doença e o vírus

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Imagem: spukkato/Istock

Blog da Saúde

15/12/2018 11h35

Mais de 35 anos após a confirmação do primeiro caso de Aids no Brasil, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre a doença. Reunimos respostas para algumas das perguntas ainda frequentes sobre o vírus, o HIV, e a doença:

Aids e HIV são a mesma coisa?

Não. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids) é causada pelo vírus HIV, mas existem pessoas vivendo com HIV que vivem durante anos sem apresentar sintomas ou desenvolver a doença. Ainda assim, elas podem transmitir o vírus a outras pessoas.

Quais são as principais formas de transmissão do HIV?

O vírus pode ser transmitido por meio de relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas, pela transmissão vertical (de mãe para filho durante a gravidez, parto ou amamentação) e por meio de transfusão com sangue contaminado.

Como o HIV age no organismo?

O vírus ataca o sistema imunológico, que é responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T-CD4+. O DNA da célula é alterado pelo HIV, que faz cópias de si mesmo para se multiplicar. Assim, o vírus rompe os linfócitos e continua a infecção.

Qual é a principal forma de prevenção?

O método mais recomendado desde a identificação do vírus e da doença é o uso de preservativos (masculino ou feminino) durante as relações sexuais. As camisinhas estão disponíveis gratuitamente em unidades de saúde, mas também podem ser compradas em estabelecimentos privados.

Existem outros métodos para reduzir as chances de contágio?

Sim. Com o avanço da medicina, também há a possibilidade de intervenções com antirretrovirais logo após a exposição ao vírus (PEP) ou mesmo de forma preventiva (PreP), voltada para grupo de pessoas que tenham maior chance de entrar em contato com o vírus.

O que é a PrEP?

A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição ao HIV) consiste no uso preventivo de medicamentos antes da exposição ao HIV, reduzindo a probabilidade de infecção. A PrEP deve ser utilizada por quem acha que pode ter alto risco para adquirir o HIV. A PrEP é uma profilaxia para grupos específicos mais vulneráveis a epidemia, como: gays, homens que fazem sexo com homens, população trans, trabalhadores do sexo e casais sorodiferentes (quando um tem o vírus e o outro não). Confira a lista de unidades de saúde em que esse tratamento está disponível.

E a PEP?

A PEP (Profilaxia Pós-Exposição ao HIV) é o uso de medicamentos antirretrovirais após um possível contato com o vírus. Está disponível para qualquer pessoa que tenha passado por alguma exposição de risco ao HIV, como acidentes de trabalho (profissionais de saúde) com agulha, bisturi ou qualquer outro objeto perfuro-cortante, nas relações sexuais sem camisinha, nas situações de violência sexual, entre outror. Para ter efeito, a PEP deve ser iniciada, no máximo, até 72 horas após a exposição, e deve ser tomada por 28 dias. Confira aqui a lista de unidades de saúde em que o tratamento é oferecido.

Quais são os sintomas da Aids?

Os sintomas iniciais se assemelham aos da gripe e incluem febre, tosse e mal-estar, motivo pelo qual inúmeros casos passam despercebidos.

Como saber se tenho Aids?

Os exames são gratuitos e podem ser feitos nas Unidades Básicas de Saúde ou nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). O teste rápido de triagem detecta os anticorpos contra o HIV presentes no organismo e é feito em menos de 30 minutos. Logo em seguida, a pessoa realiza um teste confirmatório, na mesma unidade de saúde.

Quem pode fazer os exames?

Todas as pessoas, independentemente da idade, cor, sexo, e condição de saúde, podem e devem realizar o teste com frequência. O Ministério da Saúde recomenda que, nos casos que envolvam crianças (0 a 12 anos incompletos), a testagem e entrega dos exames anti-HIV só devem ser realizadas com a presença dos pais ou responsáveis. Já para adolescentes (12 a 18 anos), a realização do exame fica restrita a sua vontade, desde que uma avaliação de suas condições de discernimento seja realizada.

Posso ter contraído HIV mesmo que o resultado do teste seja negativo?

Sim. Isso é explicado pela janela imunológica, que é o período entre a infecção e a produção de anticorpos contra o HIV em uma quantidade suficiente para serem detectados pelos testes. Uma pessoa pode apresentar resultado negativo dias após ter sido infectada, já que a janela imunológica dura, em média, cerca de 30 dias. Por isso, se as suspeitas de infecção permanecerem, é importante refazer os exames após um mês.

Como funcionam os autotestes para detecção de HIV?

O autoteste funciona da mesma forma que os testes rápidos utilizados no SUS. A diferença é que é feito pela própria pessoa, no local e no momento que ela desejar, sozinha ou com alguém em quem confia. Atualmente, eles podem ser comprados em farmácias e drogarias. A partir de 2019, eles estarão disponíveis também no SUS.

Quando posso fazer o autoteste?

Assim como nos exames realizados na rede pública de saúde, o autoteste só deve ser feito após o período de janela imunológica (em geral, 30 dias após a exposição ao vírus). Se a relação de risco aconteceu em até 72 horas, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde, informar sobre sua situação e verificar se o uso da PEP é indicado.

Existem grupos mais vulneráveis ao HIV?

A Aids pode afetar todas as pessoas, mas existem grupos que apresentam uma prevalência da doença superior à média nacional. A população que concentra a maior parte dos casos de HIV é formada por gays e homens que fazem sexo com outros homens, pessoas trans; pessoas que usam álcool e outras drogas; pessoas privadas de liberdade e trabalhadoras(es) sexuais.

Beijos podem transmitir o HIV?

Não. Outras doenças, como gengivite, herpes, mononucleose e condiloma acuminado (HPV), podem ser transmitidas por meio do beijo, mas o HIV não pode ser contraído dessa forma.

É possível contrair o vírus durante o ato sexual mesmo que não haja ejaculação?

Sim. Pode haver um pouco de sêmen no líquido expelido antes da ejaculação. Por isso, o uso de preservativos - masculino ou feminino - é fundamental para se prevenir contra o HIV.

Como funciona o tratamento das pessoas infectadas pelo HIV?

O tratamento da Aids é realizado por meio dos medicamentos antirretrovirais, que atuam no sistema imunológico, bloqueando as diferentes fases do ciclo de multiplicação do vírus no organismo. O tratamento é totalmente gratuito e pode ser solicitado nas unidades de saúde espalhadas pelo País.

O que acontece com o uso de antirretrovirais?

Se realizado de maneira adequada, diariamente, o tratamento com antirretrovirais pode fazer com que a carga viral fique indetectável (quando a quantidade do HIV no sangue cai para níveis muito baixos). O medicamento mais utilizado atualmente no Brasil é o Dolutegravir, que aumenta em 42% a chance de indetecção viral. Ele é ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2017.

Como as gestantes vivendo com HIV devem agir para evitar a transmissão para o filho?

As mulheres grávidas que forem diagnosticadas com HIV durante o pré-natal devem realizar o tratamento com os medicamentos antirretrovirais durante toda a gestação e, se orientado pelo médico, também no parto. Os exames para detectar a presença do vírus nas gestantes devem ser feitos durante o pré-natal, no primeiro e terceiro trimestres da gestação, e no momento do parto.

Já existe cura para a Aids?

Ainda não há cura para a Aids. Apesar disso, diversos avanços nos últimos anos têm permitido que as pessoas vivendo com HIV levem uma vida normal, com baixos riscos de morte em razão da doença. De qualquer forma, a Aids ainda é uma doença muito séria, que exige tratamento e acompanhamento médico pelo resto da vida da pessoa infectada.

Fonte: Governo do Brasil, com informações do Ministério da Saúde, das Fiocruz e da ONG Grupo de Incentivo à Vida

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